Imposição de saída de 18 mil funcionários até dezembro não tem nada de voluntário. BB força demissões e retorna aos anos 1990

O Banco do Brasil (BB) deve anunciar ainda nesta segunda-feira, 21/11, à tarde, em coletiva de imprensa, um plano de reestruturação da instituição que reduzirá o número de agências e oferecerá um plano de aposentadoria incentivada para até 18 mil funcionários. Usando o argumento da crise financeira e da necessidade de economia, o banco pretende economizar até R$ 3 bilhões em 2017 somando a redução da estrutura física, corporativa e de pessoal, no caso de a adesão ao incentivo da aposentadoria antecipada chegar a 10 mil funcionários.

Segundo comunicado ao mercado divulgado no site da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), o BB fechará 402 agências em todo o país e transformará outras 379 em postos de atendimento ao longo do próximo ano. O SindBancários repudia a forma como o banco anunciou os cortes e o prazo de dezembro, o próximo mês.

A notícia pegou o movimento sindical de surpresa e coloca em xeque o papel do BB enquanto instituição pública. “É uma vergonha o processo que o Banco do Brasil faz de afogadilho, sem consultar ninguém. Trata-se, além de uma imposição, de uma falta de respeito com o propósito da instituição e com os funcionários. O banco anuncia um programa de aposentadoria incentivada no final de novembro. Os colegas terão apenas um mês para avaliarem e saírem em janeiro. Isso não tem nada de aposentadoria incentivada é demissão forçada”, alerta o diretor do SindBancários e funcionário do BB, Júlio Vivian.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, orienta os colegas a terem calma em relação às medidas que forem tomadas na base do SindBancários. Alerta que essas demissões incentivadas, em geral, não são obrigatórias. Disse que o Sindicato vai aguardar a coletiva de imprensa da diretoria do Banco do Brasil para tomar medidas cabíveis. “Estamos assistindo exatamente aquilo que viemos alertamos. Num período de crise da economia, os bancos públicos deveriam ser fomentadores de emprego e renda e não agentes de redução de estado. Estamos de volta aos anos 1990 quando a política de austeridade criou uma crise econômica atrás da outra e 4reduziu salário de trabalhador. Isso o que o BB faz é jogar a conta da crise nas costas dos trabalhadores bancários”, acrescentou Gimenis.

Mais filas, pior atendimento

Para o Sindicato, As medidas anunciadas pelo Banco do Brasil o desvinculam de seu papel social e têm foco específico no mercado. Trata-se de uma mudança drástica na gestão de pessoas, que também afetará o acesso da população aos serviços bancários, pois haverá fechamento de um grande número de agências, com repercussão no tamanho de filas e mais espera para atendimento.

“A reestruturação perversa proposta pela direção do BB é mais um reflexo da política global do governo ilegítimo de Michel Temer. Estão ocorrendo retrocessos em todas as as áreas com ataques constantes às empresas públicas e retirada sumária de direitos. Não aceitamos a postura do Banco e vamos lutar para que a instituição respeite seus funcionários e o povo brasileiro. O BB é patrimônio público e não deveria ser esquartejado dessa forma e nome da política neoliberal”, analisa o diretor do SindBancários e membro da Comissão de Empresa do BB, Júlio Vivian.

Estrutura menor

O banco também fechará 28 superintendências regionais de varejo e três de governo de um total de 140. Em comunicado ao mercado, o BB informou que haverá revisão e redimensionamento da estrutura organizacional em todos os níveis: direção geral, superintendências, órgãos regionais e agências.

Aposentadoria forçada

Aos funcionários, o banco oferecerá um plano de incentivos para até 18 mil empregados aposentarem-se antecipadamente. Os servidores que aderirem ao plano receberão 12 salários mais indenização pelo tempo de serviço, que vai de um a três salários. Além disso, o BB ainda ampliará o número de funcionários com jornada de seis horas de trabalho. A expectativa é que seis mil funcionários gradativamente troquem a jornada de oito para a de seis horas. Após essa mudança, somente os cargos gerenciais ficarão com jornada de oito horas. O BB conta atualmente com 109.159 funcionários.

Fonte: Imprensa SindBancários, com Fetrafi-RS e Agência Estado

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