Há 35 anos, greve na Caixa apontou caminho das conquistas

Em um dia de greve nacional, em 1985, colegas(as) da Caixa conquistaram o direito de serem bancários, mostraram a importância da unidade e que resistiriam sempre para defender o caráter público e a função social da Caixa

Há 35 anos, exatamente numa quarta-feira, 30 de outubro, a Caixa parou. A greve da caixa acompanhou um movimento nacional. Eram tempos de início de abertura política e a Ditadura Militar vivia seus estertores. Foi um dia de greve, mas o suficiente para abalar o regime ditatorial, pressionar pelo retorno da democracia no país e garantir conquistas.

Os colegas da Caixa lutavam por serem o que sempre foram: queriam passar de economiários(as) para bancários(as). Parece uma banalidade, não? Nada disso. Era uma questão de existir como uma categoria que trabalhava em jornada de 6h e que passaria a ter benefícios de um Convenção Coletiva nacional.

Se hoje, os(as) colegas da Caixa têm um regime de PLR próprio, estabilidade no emprego, muito se deve a essa greve histórica. E, se a greve de 1979, aquela em que o então presidente do SindBancários, Olívio Dutra, ficou preso por dez dias, conquistou a convenção nacional, a greve da Caixa ensinou que só com luta e unidade a conquista e o direto se materializam.

O diretor da Contraf-CUT e aposentado da Caixa, Gilmar Aguirre, lembra que há 35 anos os colegas da Caixa não eram bancários(as), mas economiários. O movimento mudou para sempre a vida dos(as) empregados(as) do banco.

“Há 35 anos, os economiários, como eram chamados os funcionários das caixas econômicas, passaram a ter direito à sindicalização e conquistaram também as 6 horas de jornada de trabalho. De lá para cá, tivemos muitos avanços e alguns retrocessos”, detalhou Gilmar.

O diretor, nestes 35 anos da luta que ajudou a mudar o perfil dos colegas e ocorreu num ambiente de fim de Ditadura Militar, refletiu sobre o legado da greve da Caixa. “Somente através da unidade, somente através da luta, os direitos passam a direitos e são conquistados. Nenhum direito que conquistamos foi dado. Foram conquistados. A cada dia é um desafio para mantê-los”, reforça Gilmar.

E, mesmo com a luta, com a corajosa greve que chega a 35 anos como marco das conquistas para os(as) bancários(as), estamos diante de novos ataques, de um governo autoritário que não pensa em bancos públicos de forma compreensiva, nem como ferramentas de justiça social. Jair Bolsonaro e seus diretores mandados na Caixa preparam e executam nas sombras o fatiamento e a privatização de forma acelerada.

E nós sabemos que durante a pandemia da Covid-19 a Caixa, com o auxílio emergencial, com a força de seus empregados, com o compromisso que têm com o povo brasileiro, os(as) bancários(as) estão na linha de frente do atendimento nas agências.

Há colegas adoecidos de Covid-19, colocando suas vidas em risco para entregar a quem mais precisa a solidariedade do auxílio emergencial. Se tem alguém que sabe a diferença que R$ 600 faz na vida das pessoas, esse(a) é o(a) colega da Caixa. Somos nós que presenciamos as expressões de alívio e de esperança de quem consegue vencer a burocracia e ter um valor depositado em sua conta.

Pelos relatos dos(as) colegas da Caixa, os auxílios emergenciais ajudam a pagar as contas e a comprar comida. Não fosse esse auxílio que o governo Jair Bolsonaro queria que fosse R$ 200 e que a oposição e os partidos de esquerda, no Congresso Nacional, passaram para R$ 600, derrotando Bolsonaro e o ministro da Economia Paulo Guedes, e o Brasil estaria à beira do caos.

“Estamos na vitrine deste desgoverno que tem o papel claro de privatizar a Caixa e enfraquecer todos os empregados de empresas públicas. Sejam eles de que esfera sejam. Ex-economiários, bancários(as) da Caixa, esta luta é de todos”, asseverou Gilmar.

Vida longa à Caixa 100% pública. Vida longa à luta dos(as) bancários(as) da Caixa. E que a greve de 1985 seja sempre lembrada como aquele movimento que nos ensinou a importância da unidade, da mobilização e da luta.

Fonte: Imprensa SindBancários

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