Há 30 anos, a luta histórica da categoria pela criação do Meridional

No dia 7 de agosto de 1985 – 30 anos atrás – era fundado o Banco Meridional do Brasil, vinculado ao Ministério da Fazenda, após uma luta da categoria bancária e de lideranças políticas gaúchas, reunindo os trabalhadores e os ativos dos bancos Habitasul e Sulbrasileiro. Esta pressão política teve caráter estratégico para a manutenção de empregos e o caráter social das duas instituições financeiras, que à época estavam sob intervenção do Banco Central por problemas de liquidez e sob grande risco de liquidação.

“Na verdade, a crise no Sul Brasileiro e Habitasul foi provocada pelos governos militares, pois o banco faliu depois de muitos anos sob gestão do Montepio da Família Militar. Nesta época, fizemos uma grande luta para evitar a liquidação dos dois bancos, e chegamos a acampar em Brasília durante 40 dias”, recorda Paulo Steckel, diretor do SindBancários e à época funcionário do Banco Sulbrasileiro. “Com a chegada de José Sarney ao poder, o governo apresentou um Decreto Lei visando criar um novo banco. Reunimos a bancada gaúcha e os deputados de esquerda e apresentamos um substitutivo a este projeto”, informa ele.

Na época, o futuro presidente do Sindicato, Juberlei Bacelo (hoje dirigente da Fetrafi-RS), que era concursado do Meridional, foi um dos bancários a participar ativamente da luta contra a extinção dos dois bancos – e, num segundo momento, pela constituição do Meridional. Mauro Salles, diretor do Sindicato e outro militante sindical que seria presidente do SindBancários, também esteve na luta pelo fortalecimento do novo banco.

O novo projeto de lei

O substitutivo transformou-se no projeto de lei n° 7.315, de 24/05/1985, assinado pelo deputado federal gaúcho Irajá Andara Rodrigues, do PMDB. Na mesma lei, o governo federal desapropriava as ações do Habitasul e do Sulbrasileiro. As empresas que constituíam os bancos liquidados passaram ao controle do Meridional. O novo banco tinha um caráter múltiplo, concentrando operações financeiras comerciais, investimento, crédito imobiliário, financiamento e investimento.

(Confira a Lei Nº 7.315, DE 24 DE MAIO DE 1985 neste link: http://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1980-1987/lei-7315-24-maio-1985-356166-publicacaooriginal-1-pl.html )

Com um capital inicial de R$ 1,6 trilhão, o banco federal manteve a sede em Porto Alegre, com 225 agências no estado. Através da estatização do Sulbrasileiro e Habitasul, o Meridional tornou-se estável e lucrativo, abrindo filiais em Santa Catarina, RJ, SP, MG, Brasília e Mato Grosso do Sul.

A privatização na era FHC

Mas 12 anos depois, no dia 4 de dezembro de 1997, dentro da onda privatista que varreu o mundo a partir daquela década, no governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso o bem sucedido Banco Meridional foi vendido num leilão de privatização na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro. A instituição financeira que havia sido construída com a mobilização da sociedade e dos bancários gaúchos foi comprada pelo Banco Bozano Simonsen, pelo valor de R$ 265, 6 milhões.

Com isso, essa ex-estatal passou a ser o primeiro banco vendido, abrindo caminho para a privatização de outras empresas públicas do setor financeiro em todo o país, como o Banespa (em novembro de 2000), o BEG (Goiás, em 2001), o BEA (Amazonas, em 2002), o BEM (Maranhão, em 2004) e o BEC (Ceará, em 2005).

A partir da compra, o Bozano Simonsen, em assembleia geral realizada em 30 de dezembro de 1998, resolveu mudar o nome da instituição para Banco Meridional S/A. Mas em janeiro de 2000, o Banco Santander comprou o Meridional (e o Bozano Simonsen) por R$ 1,5 bilhão, equivalente a U$ 850 milhões de dólares pela cotação da época. Até o ano de 2007, a empresa manteve o nome de Banco Santander Meridional S/A.

Em 2007, em nova reformulação – e obedecendo a sua estratégia internacional – o grupo financeiro espanhol unifica todas suas operações no Brasil com a marca única de Banco Santander.

Atualmente, cerca de 200 funcionários ainda permanecem com a carteira assinada pelo ex-Meridional. Com os demais trabalhadores do banco e com a categoria, eles continuam a história de luta em defesa dos empregos e direitos.

Exemplo aos trabalhadores e sociedade

No entendimento do presidente do Sindicato, Everton Gimenis, a história do Meridional exemplifica o processo de desmonte das estruturas estatais, na chamada “privataria” implantada no governo do PSDB. Mas ele destaca: “Nestes 30 anos de fundação do Meridional, fica a lição de que quando os trabalhadores, políticos e a sociedade se unem em defesa de um patrimônio comum, os resultados são positivos. Afinal, entre os objetivos do banco fundado ainda nos anos 80, já existia a ideia de ser uma instituição de apoio às políticas de integração regional, como o Mercosul, que seria criado poucos anos depois”, complementa.

Livro conta criação do banco

O livro “Meridional – O resultado de uma luta” (Editora Tchê), escrito pelo ex-presidente do Sindicato na época e atual prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, relata todo o processo de mobilização que culminou na fundação do Banco Meridional. Ele está disponível na Biblioteca do SindBancários.

https://www3.sindbancarios.org.br/index.php/casa-dos-bancarios/biblioteca/

 

 

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