Gyuri, filme sobre a trajetória da fotógrafa Claudia Andujar com os Yanomami, estreia no CineBancários em 7 de julho

Nos 30 anos da demarcação da terra indígena, os yanomami encontram-se em situação grave com ataques do garimpo; diretora pernambucana revela com crítica e poesia relatos de Andujar, Davi Kopenawa e Carlo Zacquin

A fotógrafa suíça Claudia Andujar, de 90 anos, atravessou a guerra na Hungria, fugiu da perseguição nazista em Viena e, depois de se exilar no Brasil, acolheu e foi acolhida pelos Yanomami, a quem dedicou grande parte de sua vida a salvaguardar. A ligação entre a artista de origem judia e a população índigena – que têm em comum a luta pela sobrevivência – está presente no documentário Gyuri, primeiro longa-metragem da diretora pernambucana Mariana Lacerda, que estreia no dia 7 de julho no CineBancários, pouco mais de um mês depois de completar 30 anos da Demarcação da Terra Indígena Yanomami, que sofre com os ataques do garimpo ilegal.

“Optei por viajar com o mínimo de equipamento possível e uma equipe que me fosse muito familiar, porque queria causar o menor impacto na aldeia e criar um ambiente de afeto entre todos. O filme tem o menino Gyuri enquanto espírito-guia, para contar como Claudia viu os nazistas ocuparem sua cidade e se despediu para sempre, aos 13 anos, de seu pai, deportado para Auschwitz. Seu exílio a trouxe ao Brasil, onde abraçou a causa yanomami e fez deste o seu povo, sua casa”, conta a diretora Mariana Lacerda.

Nos primeiros minutos do filme, exibido no 25º É Tudo Verdade – Festival Internacional de Documentários, Claudia narra em húngaro para o filósofo Peter Pál Pelbart cenas de sua infância e os horrores da Segunda Guerra Mundial. A fotógrafa conta a história de seu primeiro beijo, o único que lhe deu o menino judeu Gyuri. Logo depois, ele e seu pai foram levados para Auschwitz. Hoje com 90 anos, Claudia mostra a Pelbart que ainda guarda consigo a foto de Gyuri e de seu pai.

No segundo momento, o longa-metragem acompanha o reencontro de Claudia com os Yanomami, registrado pela diretora em 2018. No local, a fotógrafa é recebida pelo xamã, escritor e líder político Davi Kopenawa e pelo ativista Carlo Zacquini, missionário católico defensor dos povos originários. No filme, Kopenawa relata a admiração que sempre nutriu pela capacidade de Claudia em compreender a alma do outro. Em contraposição, critica o governo brasileiro, que nunca se importou com os indígenas.

Nos últimos quatro anos, os Yanomami sofreram diversos ataques do garimpo, agravado em 2020 com a Covid-19, levada pelo garimpo. Em abril de 2022, garimpeiros ilegais foram denunciados pelo estupro e morte de uma menina Yanomami. Em maio, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos solicitou à Corte Interamericana de Direitos Humanos uma intervenção de medidas provisórias para proteger os direitos à vida do povo Yanomami devido à “situação de extrema gravidade e urgência de danos irreparáveis aos seus direitos no Brasil”.

“Gyuri” tem recursos do Rumos Itaú Cultural, do Prodecine e do Funcultura Audiovisual, além de contar com apoio do ISA – Instituto Socioambiental, Hutukara Associação Yanomami e Galeria Vermelho. O filme é produzido por Jaraguá Produções (de Carol Ferreira e Luiz Barbosa) e Bebinho Salgado 45 (de Mariana Lacerda, Flávia Lacerda e Marcelo Lacerda).

PROGRAMAÇÃO

De 7 a 13 de julho

14h30: Amigo Secreto

17h: Carro Rei

19h: Gyuri

*Não há sessões nas segundas-feiras

GYURI

Sinopse:

Uma linha geopolítica improvável entre a pequena aldeia húngara de Nagyvárad e a Terra Indígena Yanomami, na Amazônia brasileira. Judia, sobrevivente da Segunda Guerra, Claudia Andujar exilou-se no Brasil e dedicou a vida à salvaguarda dos povos Yanomami. Seu valioso acervo, sua militância incansável, seu passado de guerra e a vulnerabilidade atual dos indígenas são revistos por meio de diálogos de Andujar com o xamã Davi Kopenawa e o ativista Carlo Zacquini, com a interlocução do filósofo húngaro Peter Pál Pelbart.

Ficha Técnica:

Direção: Mariana Lacerda
Gênero: Documentário
Duração: 1h 28min
País: Brasil
Roteiro: Mariana Lacerda e Paula Mercedes
Montagem: Mariana Lacerda e Paula Mercedes
Direção de fotografia: Pio Figueiroa e Marcelo Lacerda
Som direto: Gustavo Fioravante
Finalização: O Grivo
Design: Joana Amador
Produção: Bebinho Salgado 45 e Jaraguá Produções
Distribuição: Descoloniza Filmes

Confira o trailer:

Ingressos

Os ingressos podem ser adquiridos a R$ 12,00 na bilheteria do CineBancários. Idosos(as), estudantes, bancários(as), jornalistas sindicalizados(as), portadores de ID Jovem e pessoas com deficiência pagam R$ 6,00. São aceitos cartões nas bandeiras Banricompras, Visa, MasterCard e Elo.

As sessões serão realizadas com todas as medidas preventivas e protocolos sanitários recomendados pela Organização Mundial de Saúde (OMS), como limitação da ocupação da sala, uso obrigatório de máscara, higienização do espaço após o término de cada filme e disponibilização de álcool gel na recepção do cinema. Antes das sessões será exigida a apresentação de comprovante de vacinação contra Covid.

Mais informações pelo telefone (51) 3030.9405 ou pelo e-mail [email protected]

CINEBANCÁRIOS

Rua General Câmara, 424 – Centro – Porto Alegre

 

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