Governo Sartori plantou o caos na segurança pública e colhe quadrilhas que sitiam cidades e explodem agências bancárias

Viaturas sem combustível, brigadianos com salário fatiado, utilização de policiamento ostensivo para jogar bombas em funcionários públicos que lutavam por manter seus empregos na Praça da Matriz durante uma semana inteira. Essas três ações dizem diretamente respeito à nova estratégia de ataques a bancos executada por assaltantes especializados e como ela prosperou tendo como causa o descaso do governo Sartori em todo o Rio Grande do Sul. Você ainda acha que o governo Sartori não tem nada a ver com uma das piores crises da segurança pública que já tivemos ao sul do Brasil? Que tal então a proposta do secretário de Segurança, Cezar Schirmer? Para conter os furtos a agências bancárias, ele quer que os bancos retirem os caixas eletrônicos das agências.

A Polícia Civil chama de “novo cangaço” ataques a bancos como o realizado em São Sepé na madrugada da sexta, 24/12. Na véspera de Natal, criminosos sitiaram São Sepé. Usaram moradores da cidade de escudos humanos para prevenir qualquer revide ou ação da Brigada Militar, explodiram caixas eletrônicos de duas agências bancárias e fugiram com dinheiro. Novo ou velho cangaço, o fato é que os criminosos estão combinando modus operandi. Usam a força das armas e as explosões. A violência das ações está de volta combinada com uso de explosivos ou maçaricos para levar o dinheiro dos caixas eletrônicos.

Somente em dezembro, o levantamento do SindBancários registrou o crescimento dessa combinação. São assaltos noturnos, com muitos criminosos portando armas de grosso calibre, em cidades de menor porte, combinados com técnicas de arrombamento mecânico de caixas eletrônicos. Em São Sepé, teve tiroteio, com dois policiais feridos, e explosão que destruiu duas agências bancárias. Dos 13 ataques registrados pelo levantamento do SindBancários em dezembro, seis foram executados por uma quadrilha fortemente armada, que sitiou cidade pequena manteve reféns e explodiu caixas eletrônicos depois que o sol foi embora. O novo modus operandi respondeu por 41,6% das ações nos primeiros 27 dias de dezembro.

Assista aqui ao vídeo com as declarações do secretário de segurança.

“Costumamos conversar com agentes de segurança e eles nos dizem que as quadrilhas de criminosos se adaptam, criam novas formas de atacar agências bancárias. A proposta do Secretário de Segurança é um absurdo. Retirar caixas eletrônicos das agências bancárias vai criar um caos sem precedentes. Não é uma medida prática nem é uma medida que vá resolver o problema. Porque as agências continuam tendo dinheiro em cofre e em caixas. O secretário tem que começar a fazer a parte dele e parar de transferir responsabilidade. Quando ele diz que os bancos têm que ajudar, ele coloca em risco a integridade física dos bancários”, comenta o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Caixas eletrônicos sem dinheiro

O que o presidente do SindBancários quer dizer é que as formas de atacar agências, as estratégias, costumam mudar para que os ataques tenham êxito. Há dois anos, assaltantes invadiram uma agência de Porto Alegre depois de levantar informações pessoais até de lugares onde os bancários moram ou mesmo se divertem. Há quadrilhas também especializadas em conseguir explosivos, aprender a usá-los e explodir caixas eletrônicos.

“Já faz um bom tempo que temos sugerido aos bancos que retirem o dinheiro dos caixas eletrônicos às oito da noite. Isso previne muito ataque. Mas os bancos alegam custos com transporte de valores e não querem fazer. O que defendemos também é que haja uma legislação estadual que obrigue agências a usarem vidros à prova de balas, câmeras ou que contratem vigilância 24 horas inclusive nos fins de semana”, detalha Gimenis.

Uma tragédia anunciada, legislação e fiscalização

A questão do uso de explosivos merece uma reflexão à parte. Isso porque muitas agências bancárias estão localizadas no andar térreo de prédios residenciais, tanto no interior quanto na capital. Basta que um dos criminosos erre a mão na dinamite para botar um prédio inteiro de apartamentos abaixo. É uma tragédia anunciada.

O SindBancáros apoia uma iniciativa do Sindicato dos Vigilantes. Por iniciativa da sua diretoria, o SindiVigilantes do Sul passou a percorrer cidades do interior do Estado e entrar em contato com vereadores para obter apoio a uma legislação que obriga os bancos a contratarem vigilância 24 horas, inclusive nos fins de semana. Outra questão diz respeito à fiscalização por parte das prefeituras. Agências bancárias não poderiam funcionar sem vidros à prova de bala, nem portas giratórias nem sem biombos ou câmeras de segurança. Mas todas têm? Alê, prefeituras, é preciso fiscalizar e cobrar multas dos bancos que descumprirem a legislação.

Outra questão diz respeito a uma legislação de segurança bancária estadual. Há um Projeto de Lei na Assembleia Legislativa que não anda. “Não adianta um município ter legislação de segurança bancária que obriga o banco a colocar porta-giratória, vidros à prova de balas e biombos, se o município vizinho não tem. É a história do cobertor curto. Uma lei estadual ou mesmo federal integraria mais as forças de segurança pública para dar mais segurança ao trabalho dos bancários. Porque não ´pe fácil chegar no seu local de trabalho e ver tudo destruído por explosivo ou ter uma arma apontada pra cabeça durante um assalto. Quem sofre é o bancário e o cliente do banco que ficam na linha de tiro dos criminosos”, acrescenta Gimenis.

Dois anos marcados pelo desmonte da segurança pública

O ciclo de austeridade para a Polícia Civil e a Brigada Militar começou quando o governador José Ivo Sartori assumiu o governo do Estado em 1º de janeiro de 2015. Daqui uns dias, ele completa dois anos ocupando o Palácio Piratini. Além de vender estatais, fundações, o governo elegeu o corte de investimentos como discurso. Sim, tudo justificado pela crise. Viaturas sem gasolina, policiais civis e militares com salários parcelados. A condição das forças de segurança pública se deteriorou muito.

Se as forças policiais têm mais dificuldades de responder à criminalidade, o governo Sartori conseguiu fazer pior. Na semana passada, quase houve conflitos entre policiais civis e militares na Praça da Matriz, em Porto Alegre. Como ler isso tudo? O governo tem responsabilidade no caos da segurança e com a criminalidade galopante? A resposta são os números da violência bancária. O ano de 2015 (veja gráfico) foi o mais violento dos últimos 10 anos. Houve 248 ataques a bancos de janeiro a dezembro.

Até a terça-feira, 27/12, o levantamento do SindBancários registrou 185 ataques a bancos. Registramos uma queda significativa de 34% em relação a 2015. Porém, a média anual desde 2007 já foi superada pelo volume de ataque de 2016. O volume ataques a bancos de 2016 é 13,6% maior do que a média anual dos últimos 11 anos, que PE de 163 ataques a bancos por ano no Rio Grande do Sul. Sinal de que investir em segurança ajuda a reduzir a violência contra bancários.

É fato que os últimos dois anos foram marcados por protestos da Brigada  Militar. Entre 2015 e 2016, houve quatro aquartelamentos da Brigada. Nos quatro casos, o SindBancários entrou com liminares na Justiça do Trabalho para impedir que as agências bancárias abrissem por falta de policiamento. Nos quatro casos, obtivemos vitórias. Agências ficaram fechadas para que os bancários não ficassem expostos à violência de quadrilhas muito bem organizadas, treinadas e que tanto usam fuzis, metralhadores e revólveres quanto usam bombas. Não está fácil a vida dos gaúchos e gaúchas. Sair às ruas virou uma aventura!

Confira abaixo lista dos ataques a bancos no RS desde 2007.

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2016/12/27122016.pdf

Foto: Caco Argemi

Fonte: Imprensa SindBancários

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