Formação traz pesquisa do Dieese e debate com Juliane Furno para delegados sindicais

Foi apresentada pesquisa sobre o perfil dos trabalhadores do ramo financeiro no RS e explicações sobre economia e sociedade

Na quinta-feira (17), a Casa dos Bancários recebeu o grupo de delegados sindicais dos bancos públicos para um dia de formação. Na parte da manhã, houve apresentação de pesquisa do Dieese sobre o perfil dos trabalhadores do ramo financeiro no RS. À tarde, a economista Juliane Furno levou aos presentes explicações sobre economia e sociedade.

O representante do Dieese, Alisson Droppa, apresentou a pesquisa elaborada pelo Departamento sobre o perfil dos trabalhadores do ramo, incluindo o contexto histórico e a evolução do meio bancário nas últimas décadas. A pesquisa pode ser acessada neste link. Droppa explicou que houve redução de cerca de 50% da categoria bancária desde a década de 90, principalmente em função da informatização.

“Com a expansão dos bancos digitais, investimento em novas tecnologias, os postos de trabalho estão sendo direcionados a outras categorias do ramo financeiro”, disse. Enquanto o número de bancários reduziu, o ramo cresceu 60%, abrigando diferentes segmentos de emprego. O total de agentes autônomos de investimentos, por exemplo, aumentou 287% desde 2016. 

O representante do Dieese destacou que os movimentos encabeçados pela Fenaban são no sentido de precarizar o trabalho no ramo. “Tem ocorrido a uberização dos bancários, pois os novos modelos de negócio, das fintechs, tratam os trabalhadores como parceiros. Eles ganham 80% do salário dos bancários e não contam com os direitos conquistados com muita luta pela categoria”, comentou.

No espaço para debate com os delegados, foram trazidas algumas questões relevantes, como a importância da manutenção de agências físicas para garantir o acesso a serviços bancários em localidades no Interior, para pessoas idosas e periféricas, com dificuldade de obter atendimento por meios digitais.

Droppa defendeu a incorporação como bancários dos trabalhadores que atuam no ramo financeiro, em cooperativas de crédito, fintechs, e hoje se enquadram em categorias distintas, sem os benefícios garantidos pela Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) dos bancários. “Outras categorias esperam o fechamento da CCT dos bancários para fechar as suas. A força da categoria serve como norte”, salientou.

O sociólogo Anderson Campos, que conduz as formações de delegados, reforçou o importante papel que exercem como educadores coletivos, ampliando as discussões nos locais de trabalho e ajudando a organizar as demandas dos colegas.

O diretor de Saúde da Contraf-CUT, Mauro Salles comentou sobre a reforma sindical que está sendo negociada pelas centrais. Para ele, os trabalhadores devem poder escolher a qual sindicato se filiar. “Tenho certeza que aqueles que atuam no ramo financeiro vão querer vir para o dos bancários, a fim de garantir salários melhores, mais direitos e as garantias da CCT”, afirmou.

Agenda sindical, saúde e economia

Na segunda etapa do encontro, o presidente Luciano Fetzner falou sobre as principais lutas e atividades recentes do SindBancários. Ele comentou sobre os assuntos em voga no momento, como as discussões da Conferência Nacional dos Bancários; participação na Marcha das Margaridas, em Brasília; realização do Baile dos Bancários, dia 25, já com ingressos esgotados; montagem do piquete no Acampamento Farroupilha, no Parque Harmonia, onde deve ser a próxima formação de delegados; promoção de nova edição do evento Energia Bancária, em outubro, com atividades culturais, esportivas, entre outras, junto ao Museu Iberê Camargo.

Fetzner também destacou a campanha de sindicalização que a entidade deve lançar em breve; e as mesas de negociação com os bancos sobre metas, previstas no acordo de 2022 e que em alguns, como a Caixa, já iniciaram. Ele comentou ainda sobre as tratativas e demandas dos trabalhadores de cada banco e salientou a disputa de narrativa sobre lucros dos bancos públicos. “Banco público tem que cumprir seu papel social, não dar lucro”, disse.

Coordenadora do Grupo de Ação Solidária (GAS) do Departamento de Saúde do SindBancários, Jaceia Netz falou sobre os atendimentos realizados no setor, que recebe um grande número de bancários vítimas de assédio, entre outros problemas que levam ao adoecimento físico e mental. Ela divulgou a retomada do projeto Papo de Bancário, que surgiu durante a pandemia de Covid-19, em 2020, e agora se tornará um programa quinzenal transmitido pelo canal do Youtube do Sindicato, a partir de 24 de agosto. ”Nossa ideia é levar as discussões sobre saúde para todas as regiões do estado. Há locais de trabalho doentios, que sugam a saúde dos trabalhadores, e é importante ter espaços para falar e refletir sobre como mudar isso”, salientou.

A economista Juliane Furno conversou com os delegados sobre economia e sua relação com a sociedade. Ela defendeu que a análise econômica deve considerar o contexto histórico e político do período, e fez um levantamento sobre modos de produção, especialmente capitalismo. “No capitalismo, o trabalhador é mercadoria, tem até um mercado próprio, o mercado de trabalho”, afirmou.

Juliane explicou questões práticas como oferta e procura, inflação, tributação, aposentadoria e desigualdade social. “Nem sempre a inflação prejudica quem é mais pobre; nem todo lucro é bom; nem todo déficit público é ruim”, disse. Ela contou que, na pandemia, por exemplo, houve déficit pois o Estado gastou mais do que arrecadou em função dos auxílios concedidos à população, “o que foi bom, pois ajudou as pessoas”.

“Economia é uma ciência social e toda decisão de política econômica é política. Toda decisão, ainda mais em uma sociedade capitalista, dividida em classes sociais, é uma decisão política, que elege perdedores e vencedores”, reforçou. A economista deu como exemplo o combate à inflação com aumento da taxa básica de juros, quando a inflação é de serviços, que escolhe como perdedores os trabalhadores, em especial os mais pobres, que ficam desempregados.

A Diretoria de Formação, coordenada pelos diretores Jairo Soares e Itamara Brum, promove os encontros de delegados sindicais, que ocorrem mensalmente entre representantes do Banrisul, Caixa Federal, Banco do Brasil e Badesul. 

Imprensa SindBancários

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