Formação de bancários aborda revolução 4.0

Economista da Contraf/Dieese relata efeitos da revolução industrial 4.0 e o papel dos bancos

A amostragem de um mundo novo – a Revolução Industrial 4.0 – que avança rapidamente, mudando costumes, atingindo empregos e funções, vem surpreendendo a todos. Assim pode ser definido o conteúdo da palestra da economista Vivian Rodrigues (Contraf-CUT/Dieese), de São Paulo, dentro do curso de Formação de Delegados Sindicais, promovido no Auditório Olívio Dutra do SindBancários, nesta quinta-feira, 17/10. “Precisamos deixar claro que a digitalização não atinge apenas o trabalho braçal, mas também o inteligente. Os bancários vêm sendo afetados, e no futuro profissões que exigem muito estudo e aperfeiçoamento, como médicos, advogados e jornalistas, também poderão ser substituídos por robôs muito inteligentes”, relatou a economista.

Ela exemplifica com o caso da Bia, do Bradesco. “É um robô muito inteligente que se auto-aperfeiçoa e se autoajuda. Ela aprendeu a se comunicar em português; é alimentada de informações pelos gerentes do banco e agora fala direto com o cliente. Trata-se de um algoritmo que propositalmente até fala errado algumas palavras, brinca, demonstra sentimentos”, descreveu Vivian Rodrigues no curso de Formação.

Conceito criado na Alemanha

Sobre a Revolução Industrial 4.0, a economista informou que o conceito foi criado na Alemanha, a partir da tecnologia digital avançada. Entre suas manifestações atuais, estão as moedas digitais (blockchain e bitcoin), a Internet das Coisas, Big Data e Analytic, Impressão 3D e Manufatura Híbrida, entre outras. “Na Alemanha, já existe uma ponte para pessoas e veículos sendo fabricada em impressora 3 D”, informou, para surpresa de muita gente na plateia.

Compreensão e ação sindical

O sociólogo Anderson Campos, coordenador da Formação de Delegados Sindicais, explicou o objetivo de toda a explanação sobre as novas tecnologias: “Precisamos compreender o conteúdo e o alcance de todas estas mudanças tecnológicas, para traduzir em forma de ação sindical para a direção e os delegados que representam a categoria”, esclareceu. A diretora de Formação do Sindicato, Virgínia Faria, lembrou que uma das funções do Sindicato é ampliar o debate de tudo que envolve o mundo do trabalho e conseguir repassar estes conteúdos para os bancários, mobilizando a todos e todas.

“É exatamente isso, todas as profissões estão sendo de algum modo atingidas pela evolução rápida da tecnologia digital, e precisamos nos apropriar deste conhecimento para termos nossas estratégias na defesa dos trabalhadores”, afirmou Everton Gimenis. O presidente do SindBancários vai no ponto central: “O objetivo maior destas mudanças tecnológicas é aumentar os lucros dos grandes bancos e empresas, e a preservação do trabalho e das conquistas trabalhistas, em suas novas formas, é parte fundamental da nossa luta”, frisou.

A economista Vívian Rodrigues lembra que a digitalização hoje produz mais de 4 milhões de likes por minuto, no Facebook. Outro dado impressionante é que já existem mais de 242 milhões de celulares em operação no país. E acima de 75% da população com mais de 18 anos de idade possui algum tipo de cartão digital. “Tudo isso termina sendo otimizado pela indústria, bancos e outros segmentos”, revela. “A ideia principal é que o celular centralize todas as operações financeiras”. Desde 2014 os bancos brasileiros já investiram R$ 97,7 bi em tecnologia e pesquisa, especialmente em softwares. Afora o mundo das finanças, a Revolução 4.0 já chegou ao transporte coletivo (em SP há estação de metrô sem operadores humanos), e em alguns supermercados há caixas com autosserviço.

Uberização

Enfim, como fica o trabalho numa época de robôs? Conforme Vívian Rodrigues, estudiosa do tema, a tendência é haver trabalho mais informal e menos empregos. Segundo ela, citando estudos sobre o assunto, até 2030 cerca de 15% das atividades profissionais serão executadas por máquinas. “E até a metade deste século, 40% dos postos de trabalho deixarão de existir”, projeta a especialista. Ela cita ainda formas de trabalho proporcionadas pela digitalização, como a chamada uberização, onde o trabalhador é apresentado como microempreendedor. “Mas não é verdade – a empresa do aplicativo administra e dita as regras, e o trabalhador só obedece e não têm direitos trabalhistas”, recorda ela.

Renda mínima

Por essas e outras, o tema da renda mínima para a toda população, distribuído pelos governos, começa a ganhar sustentação, especialmente no chamado Primeiro Mundo. Alguns países e regiões, com o Finlândia, Canadá, EUA, Espanha e Escócia, entre outros, desenvolvem experiências neste sentido.

Bancos no controle

Seja como for, no Brasil a revolução 4.0 continua sendo pilotada pelos bancos – que dividem o mercado, crescentemente, com “instituições de pagamento”. Segundo a economista da Contraf-CUT/Dieese, hoje programas-piloto estão entrando no mercado, como a “Conta Zuum” (associação entre a Mastercard e Telefonica/Vivo), a “Meu Dinheiro Claro (entre a Claro e o Bradesco) ou a “Tim Money” (Caixa, Mastercard e Tim), entre outras. No entanto, Vívian diz que as experiências não avançaram muito: “Os bancos e estas instituições não querem a inclusão de gente pobre neste sistema”, entende a economista.

Procon: campeões de reclamações

A verdade é que o cotidiano e a qualidade de atendimento, serviços e taxas impostas pelos bancos, assim como os salários aos funcionários, seguem abaixo dos padrões que exigem dos clientes e da revolução digital que vêm realizando: os cinco maiores bancos brasileiros encabeçam a maioria das reclamações da população no Procon.

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