Festival Parada Livre acontece no domingo, com apoio do SindBancários

Vários shows estão confirmados. Confira!

O Coletivo que organiza a Parada Livre de Porto Alegre fará um festival ao vivo pela internet para marcar o início do mês do Orgulho LGBTI+. O SindBancários é uma das entidades que está apoiando a atividade, que visa celebrar a diversidade, pressionar por políticas públicas de prevenção à violência contra LGBTs e arrecadar fundos para apoiar artistas locais.

A atividade começa no dia 31 de maio, às 20h30, e deve seguir até às 2h do dia 1º de junho. A transmissão ocorre nas páginas do Facebook e YouTube da Parada Livre e das entidades organizadoras.

Manter o Festival é importantíssimo. Primeiro pra levar alegria, entretenimento pra dentro da casa das pessoas. Depois, temos que lembrar que a opressão não dorme. Muitos LGBTs estão em casa e podem estar em situação de risco, isoladas com pessoas homofóbicas, de sua própria família. Da mesma forma que vimos um aumento da violência doméstica, o isolamento também pode agravar essa situação para os LGBTs e precisamos falar sobre isso”, observa a funcionária do Banco do Brasil diretora do SindBancários, Bia Garbelini.

O bancário do Itaú e diretor do SindBancários Sandro Rodrigues concorda que o Festival e a parada são fundamentais para dar visibilidade e debater a violência que os homossexuais sofrem. “Na outra ponta, ainda temos muitos artistas que não estão conseguindo se sustentar. Boates, bares, casas de shows estão fechadas e são pessoas que não possuem nenhuma renda paralela”, analisa Sandro.

A luta LGBT entre os bancários

No mundo bancário, por mais que se lute contra diariamente e a categoria tenha até clausulas na sua Convenção Coletiva de Trabalho garantindo comitês de acompanhamentos de denuncias e isonomia de direitos extensivos a conjugues do mesmo sexo, o assédio e a violência organizacional contra os LGBTs ainda é uma realidade. E as consequencias são sérias. Em Porto Alegre, por exemplo, há casos de afastamento de colegas assediados por condições psicológicas.

Para Sandro, o primeiro receio dos bancários é em se assumir homossexual, pois há o medo de ser perseguido por gestores e colegas. Este comportamento é o reflexo da política organizacional dos bancos, tendo em vista que em alguns locais de trabalho as atitudes assediadoras não são coibidas como deveriam pelos bancos e gestores. Ele lembra que existem vários tipos de assédio e o Ministério Público precisou ser envolvido algumas vezes.

Sempre tentamos resolver a situação, primeiro, com os colegas envolvidos, para minimizar qualquer risco de exposição. Falamos com o gestor ou o bancário que assediou e se não resolver, levamos para a estrutura do banco. Em geral, os bancos não querem que uma situação de violência e preconceito fique em evidência e buscam resolver. Pode ser uma conversa com o assediador ou até uma transferência para outra agência. Se não resolver, se o banco for negligente levamos o caso para o Ministério Público”, observa. Sandro também destaca a ajuda prestada por grupos como o Nuances – Grupo pela Livre Expressão Sexual, coordenado por Célio Golin.

Bia também entende que os LGBTs tem muitas desafios para enfrentar na vida e no mundo do trabalho, começando por assumir sua homossexualidade e poder ser quem realmente são, passando por questões como ter as mesmas possibilidades de crescimento e ascensão na carreira dentro da empresa.

Para ela, o movimento sindical, por mais que esteja no caminho certo, também tem seus desafios a superar. “O SindBancários historicamente apoia o movimento LGBT de Porto Alegre. Mesmo assim, precisamos sempre lembrar e entender a diversidade da classe trabalhadora. O movimento sindical ainda é muito machista e pouco diverso, mas as coisas estão evoluindo. São muitas nuances e todas esses trabalhadores precisam ter suas especificidades consideradas. Quem não se sente representado não vai procurar o sindicato, por isso é fundamental que o movimento sindical sempre leve em consideração a pauta LGBT, feminista, racial e tantas outras”, explica Bia.

A diretora lembra que o movimento LGBT cresceu muito nos últimos 15 anos e ocupou um importante espaço de debate. Mesmo assim, os passos dados foram pequenos no Brasil e é preciso se organizar para garantir o que já foi conquistado. “O casamento civil ainda não é lei, é autorizado por uma decisão do CNJ. A própria criminalização da homofobia precisou de decisão do STF. Ainda não conseguimos avançar em questão de legislação, principalmente por causa do conservadorismo do congresso e a pouca representatividade que temos. Até por isso o momento é de resistir, pois o risco que temos hoje é de retroceder”, conclui.

Financiamento coletivo

Durante a programação do Festival, será divulgada uma campanha de financiamento coletivo na plataforma Apoia.se para receber doações que serão distribuídas para os artistas que fizerem parte da live.

Os estabelecimentos parceiros da Parada Livre, tradicionais apoiadores do evento e referências no acolhimento de pessoas LGBTI+ na cidade, apresentarão ao longo de toda a programação suas iniciativas e produtos pensados especialmente para o momento.

A ideia é que o público possa comprar os produtos e ajudar os locais a passar pelo período de baixo consumo por causa do necessário isolamento social.

Fonte: Imprensa/SindBancários com informações de Festival Parada Livre POA

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