FEMINISMOS SALVADORES – Artigo do chargista do SindBancários sobre o Dia Internacional das Mulheres

 

"Observar e compreender a trajetória dos movimentos feministas e incorporar suas demandas é fundamental em um país atravessado por desigualdades, que nega às suas filhas e seus filhos as diferenças nas formas de ser, ao mesmo tempo em que retira de todas as pessoas que não se enquadram em um padrão heteronormativo, androcêntrico e branco a possibilidade de viver suas vidas sem serem alvos preferenciais de violência."
“Observar e compreender a trajetória dos movimentos feministas e incorporar suas demandas é fundamental em um país atravessado por desigualdades, que nega às suas filhas e seus filhos as diferenças nas formas de ser, ao mesmo tempo em que retira de todas as pessoas que não se enquadram em um padrão heteronormativo, androcêntrico e branco a possibilidade de viver suas vidas sem serem alvos preferenciais de violência.”

 

Por Augusto Bier*

 

A recente passagem do pornoator Alexandre Frota no programa de TV Agora é Tarde, apresentado pelo pseudo-humorista Rafinha Bastos, no qual ambos se divertem com a declaração de que Frota certa vez havia cometido um estupro, emerge como apenas mais uma afronta impune às mulheres brasileiras.  Todos os anos, cinco mil mulheres morrem no país vítimas do femicídio, isto é, por causa dos conflitos de gênero. Só entre 2001 e 2011, mais 50 mil pessoas foram mortas pelo simples fato de serem mulheres. Anualmente o Brasil registra 50 mil casos de estupro – um tipo de crime que é subnotificado, porque o criminoso, via de regra, é um homem próximo da vítima. Há mais registros de estupros no país do que de homicídios dolosos, informa o historiador Rodrigo Elias.

 

A violência de gênero é resultado direto do machismo contra o qual diversos movimentos feministas têm se levantado, de forma organizada, pelo menos desde a metade do século XIX, tendo como ideia central o fato de que as diferenças de gênero não pressupõem desigualdade. Numa ideologia intrinsecamente de esquerda, na afirmação de Judith Butler, o feminismo está na vanguarda deste cenário político, lutando contra as opressões dentro da própria esquerda organizada e incorporando, também, lutas das mulheres pobres, negras, indígenas e de homossexuais, travestis e transgêneros.

 

Observar e compreender a trajetória dos movimentos feministas e incorporar suas demandas é fundamental em um país atravessado por desigualdades, que nega às suas filhas e seus filhos as diferenças nas formas de ser, ao mesmo tempo em que retira de todas as pessoas que não se enquadram em um padrão heteronormativo, androcêntrico e branco a possibilidade de viver suas vidas sem serem alvos preferenciais de violência.
As ideias e as atitudes feministas são urgentes em um país que tem uma Presidenta da República e, ao mesmo tempo, vê bloqueada, por força da dita “opinião pública”, a discussão sobre a discriminalização do aborto. O que o leva para a ilegalidade e, dessa forma, condena à morte milhares de mulheres todos os anos. O contraponto a esse quadro grave, para Rodrigo Elias, está nos feminismos, que podem nos ajudar as construir caminhos que sejam mais justos.

 

* Jornalista, chargista do SindBancários.

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