Estudo do DIEESE mostra que 70% dos Banrisulenses teriam sido promovidos se proposta de Plano de Carreira fosse aprovada em assembleia de 2014

O dia exato é 7 de outubro. O ano era 2014. Nesse dia e ano, os Banrisulenses deixaram escapar uma oportunidade que nunca mais apareceu na nossa frente. Não foram todos, mais precisamente um determinado grupo. Vivíamos o oitavo dia de greve. Uma assembleia (foto) havia sido chamada para que os trabalhadores pudessem decidir sobre a implantação do Plano de Carreira. Os Banrisulenses lotaram o salão dos espelhos do Clube do Comércio depois que dirigentes sindicais do Comando Nacional dos Banrisulenses, eleito, arrancaram da então diretoria do banco o compromisso de implantar o Plano de Carreira. A decisão foi posta em debate na assembleia junto com a proposta de plano de carreira obtida na mesa de negociação.

De fato, a mesa de negociação começara pela manhã do dia 7 de outubro. Algumas horas depois, os dirigentes apresentavam a proposta de Plano de Carreira. Ora, alegar que a decisão ocorreu sem informação é esquecer de algo muito importante. Nos três anos anteriores, representantes dos trabalhadores e do banco se reuniram quase que semanalmente, na Comissão Tripartite, para elaborar um plano de carreira decente. Por certo, a diretoria do banco fez exigências. Apresentou mudanças e condicionou a aprovação dessa proposta ao fim da greve. Mesmo com as alterações, a diretoria do Sindicato defendeu a aprovação.

A proposta apresentada pela diretoria do Banrisul não foi aquela dos trabalhadores. O SindBancários e a Fetrafi-RS realizaram inúmeros seminários, assembleias de aprovação da proposta do plano de carreira dos trabalhadores e divulgaram amplamente cada detalhe para tirar dúvidas. Entregaram à diretoria. E divulgaram em seus sites, informativos, revistas e jornais. Também podemos colocar na conta do banco a exigência de aprovação imediata de um plano de carreira com mudanças sem tempo maior de discussão em assembleia.

Passados pouco mais de dois anos dessa assembleia da greve de 2014, que duraria 28 dias, os Banrisulenses amargam perdas porque não têm plano de carreira. Segundo estudo elaborado pelo DIEESE, somente em 2016, cerca de 70% dos funcionários do Banrisul teriam recebido promoção por tempo de trabalho ou por merecimento. Isso que não estamos falando dos ganhos imediatos à migração em 2015. Nesse enquadramento, mesmo com a proposta da diretoria, os reajustes já seriam entre 0,5% e 3%. Em janeiro de 2017, o próximo mês, pode-se dizer, que outros 42,5% de trabalhadores já teriam recebido algum tipo de promoção, pouco mais de 4,6 mil colegas.

O desenho da proposta

A proposta foi desenhada para que houvesse step (promoções a cada três anos) por tempo de trabalho, de 5,5% de reajuste. Outro tipo de avanço na carreira previa promoções por merecimento. Quer dizer, além de receberem os reajustes dos acordos coletivos nacional e específico (do Banrisul), os Banrisulenses receberiam um plus, se tivessem completado um ciclo de três anos de banco, representando um ganho extra de 1,83%, segundo o estudo do DIEESE, por ano. No atual plano, o percentual de promovidos varia entre 27% a 30%.

“Naquela assembleia, o Sindicato defendeu a aprovação daquele plano de carreira. Sabíamos e dissemos que o plano de carreira não era perfeito. Também dissemos que o tempo para avaliar a proposta era curto. Era uma proposta do banco com problemas. Mas, se tivéssemos conquistado, teríamos que agora lutar para melhorá-lo, onde não estivesse satisfatório. Com a rejeição da proposta, hoje voltamos à estaca zero. Porque temos uma diretoria no Banrisul que não quer nem discutir plano de carreira”, explicou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

De fato, o ex-presidente do Sindicato, Mauro Salles, chegou a ocupar o microfone e se manifestar. Mauro fez uma metáfora do que seria a proposta. Para o atual diretor do SindBancários e da Fetrafi-RS, aquela proposta era um passarinho que precisava de cuidados. Estava doente. Os Banrisulenses teriam que nutri-lo, cuidar dele para que ele sobrevivesse. Porque o maior perigo para os Banrisulenses, na visão de Mauro, eram os urubus começarem a sobrevoar a DG e cobiçarem o Banrisul.

Fala premonitória. Hoje, estamos na iminência de ver o Banrisul entrar no pacotaço de privatizações e exclusões do governo Sartori e ser vendido, como aconteceu durante o governo Yeda Crusius, em 2007, quando 43% das ações do Banrisul foram vendidas, e o Estado não saiu de crise financeira nenhuma. “Se a gente quiser plano de carreira de novo, vamos ter que lutar muito, fazer uma grande luta para forçar o banco”, acrescentou Gimenis.

A responsabilidade da rejeição

Vamos dizer que o contexto daquela assembleia estava contaminado por duas eleições. Uma era eleição do Sindicato, de maio daquele ano, vencida pela Chapa 1, da atual diretoria. A outra eleição que contaminou a assembleia foi aquela que escolheu o novo governador do Estado. “A direção do Sindicato defendeu muito aquele plano de carreira. Achávamos que poderia ser uma oportunidade única que tínhamos para aprová-lo e implantá-lo. Infelizmente, setores da categoria disseram que o plano era ruim e que, se os Banrisulenses, naquela assembleia, rejeitassem o plano de carreira, esse setor iria conseguir um muito melhor na gestão seguinte do banco e do governo do Estado”, acrescentou Gimenis.

Está mais do que comprovado que essa argumentação era uma farsa, uma mentira. A atual gestão do banco, comandada pelo do governo de José Ivo Sartori (PMDB), não só não tem intenção de implantar o plano de carreira, como teve que engolir, a compra, por R$ 1,2 bilhão, da folha de pagamento do Estado. “Ora, um governo que cobra um serviço do seu próprio sócio, como é o caso do Banrisul, um banco que sempre ajudou o Estado porque é público, vai ter interesse de melhorar as condições de vida dos Banrisulenses? Esse governo só pensa em vender o banco de todos os gaúchos e gaúchas”, argumentou Gimenis.

O presidente do Sindicato compara a rejeição da proposta a partir do discurso de um setor da categoria à migração para os novos planos de aposentadoria complementar da Fundação Banrisul de Seguridade Social (FBSS) em 2013. Na época, o discurso deste setor era de que aqueles que ficassem no PB I não teriam que pagar pelo déficit desse plano. “Colegas que acreditaram nessas conversas estão sofrendo as consequências. Tem colega que procura o Sindicato para dizer que está pagando 40% do salário para cobrir o déficit  dívida do plano. O Sindicato defende e cobra da FBSS e do Banrisul uma nova migração. É urgente”, finalizou Gimenis.

As conclusões do estudo do DIEESE sobre o plano de carreira dos Banrisulenses

> No enquadramento para o novo plano de carreira, os ganhos salariais seriam de 0,5% a 3%.

> O percentual de promovidos por ano no quadro seria de 42,5%, enquanto que no atual plano, esse percentual é de 27% a 30%.

> A primeira promoção para os desenquadrados já seria em 1º de janeiro de 2016, sendo que as promoções seriam de dois em dois anos até o empregado(a) se enquadrar.

> O percentual de desenquadrados era de aproximadamente 25%.

> O(a) empregado(a) que já tivesse o direito à promoção no quadro antigo poderia migrar após a promoção, no segundo semestre de 2015.

> Step por merecimento e antiguidade em 5,5% automático em três anos. Por antiguidade sem limites de vagas.

> Ganho extra de 1,83% ao ano com os steps.

Obs.: Se essa proposta tivesse sido aceita em 2014, em 2016, aproximadamente 70% dos empregados já teriam recebido promoção, além dos ganhos de enquadramento imediatos à migração em 2015.

Crédito foto: Jackson Zanini

Fonte: Imprensa SindBancários

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