Estudantes chamam população para greve geral de 14 de junho

Cortes de 30% ou mais nas verbas da educação púbica por balbúrdia, segundo ministro, levaram milhões de brasileiros às ruas. Agora, vamos protestar contra a reforma da Previdência

Sul21 – “Fiquei muito feliz pois não conhecia quase ninguém nessa manifestação”. No início da noite da quarta-feira, 15/5, o cartunista Santiago e Francisco Milanez, presidente da Associação Gaúcha de Proteção ao Ambiente Natural (Agapan), celebravam, no Largo Zumbi dos Palmares, o que tinham acabado de vivenciar no final da jornada de mobilização protagonizada por estudantes, professores, funcionários de escolas e representantes de inúmeras categorias em defesa da educação e contra os cortes que o governo de Jair Bolsonaro (PSL) aplicou nas universidades e institutos federais em todo o país.

Dezenas de milhares de pessoas saíram às ruas de Porto Alegre nesta quarta, repetindo o que ocorreu em praticamente todas as regiões do país. O protesto nacional em defesa da educação reuniu diversas categorias e diferentes gerações.

Última etapa das mobilizações, a caminhada da Esquina Democrática até o Largo Zumbi dos Palmares transcorreu pacífica, sem qualquer incidente, recebendo manifestações de apoio de buzinas de automóveis e de moradores de prédios do centro histórico da capital gaúcha que atenderam ao apelo do já tradicional grito dos manifestantes “quem apoia pisca a luz”.

“Estou muito feliz de ver a minha sociedade reagir. Parecia que estávamos mortos. Mais feliz ainda porque reagiu em nome da educação. Acho que o limite máximo para destruir uma sociedade é atacar a sua estrutura de educação e pesquisa. Isso significa destruir o futuro”, disse Milanez ao final da caminhada que saiu da Esquina Democrática, no início da noite, e se dirigiu até o Largo Zumbi dos Palmares.

“Estou revendo a minha juventude sob o signo de uma coisa muito parecida e estou feliz de ver as pessoas lutando contentes, com bom humor, não com mau humor. O astral não podia estar melhor, assim como a diversidade também não podia estar melhor”, acrescentou. “Não foi uma manifestação de militantes políticos profissionais”, comemorou ainda Milanez.

“Vimos nas ruas hoje uma representação da população em geral, as mais variadas feições e pensamentos. Isso é motivo de alegria, ver que é possível ter pontos comuns de consenso para construir uma luta e recuperar esse país”. O bom humor, de fato, esteve presente em faixas, cânticos e cartazes que ironizaram declarações de Bolsonaro como a de que os estudantes – uma massa de inocentes úteis e massa de manobra, segundo o presidente – não saberiam sequer a fórmula da água. Um dos tantos cartazes levados às ruas nesta quarta dizia: “Fórmula da água = H20 Fórmula da ignorância = B17” – numa referencia ao número do candidato do PSL durante a campanha eleitoral de 2018. Outro clássico do dia foi classificar Bolsonaro como a “balbúrdia do Brasil”.

Além da injeção de ânimo proporcionada pelo vigor da diversidade que saiu às ruas, a jornada de mobilizações desta quarta-feira também consolidou uma articulação política entre diferentes setores da sociedade que estão sendo atingidas pelos primeiros meses de governo Bolsonaro, com destaque para estudantes, professores, funcionários de escolas, universidades e trabalhadores em geral que serão diretamente afetados caso a proposta de Reforma da Previdência encaminhada pelo Executivo seja aprovada no Congresso Nacional.

Para Gabriela Silveira, estudante de Agronomia e coordenadora geral do Diretório Central de Estudantes da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), o balanço desta quarta-feira foi o mais positivo possível. “Mais do que pudéssemos imaginar, milhões de estudantes saíram às ruas do Brasil hoje. A UFRGS está em peso aqui, assim como os institutos federais, a UFCSPA e todas as escolas de Porto Alegre. O nosso ato à tarde reuniu cerca de 50 mil pessoas. Agora à noite, temos umas 30 mil pessoas aqui na Esquina Democrática. Ao longo do dia mobilizamos algumas dezenas de milhares de pessoas em defesa da educação. Nós vamos voltar para as nossas salas de aula mais mobilizados ainda e dispostos a defender esse patrimônio que é a nossa universidade”.

Questionada sobre os próximos passos do movimento, Gabriela disse que os estudantes seguirão mobilizando e resistindo, falando com cada colega, cada familiar, cada vizinho, sobre a importância das universidades públicas. O passo principal, porém, destacou, está localizado no dia 14 de junho, quando deve ocorrer uma greve geral dos trabalhadores e da educação. “Vamos mostra para o Bolsonaro que se ele quiser fechar as nossas universidades e aprovar a Reforma da Previdência, a gente para o Brasil, porque a gente é o povo que defende a educação e defende os nossos direitos”.

Pedro Duval, estudante de Relações Internacionais e também coordenador geral do DCE da UFRGS, definiu a quarta-feira como um dia histórico de lutas, não só em Porto Alegre, mas em todo o país. “Hoje foi a primeira oportunidade que os trabalhadores e os estudantes tiveram para dar um recado ao governo Bolsonaro, que elegeu a educação e os trabalhadores como seus principais inimigos. O saldo é muito positivo. O ato de hoje foi gigante. Estamos calculando que agora à noite tem cerca de 30 mil pessoas aqui na Esquina Democrática, unificadas para derrotar os cortes na educação.

Próximos passos? Pedro responde rápido: “não abandonar a rua até que tenhamos a garantia de que nossos direitos não estejam ameaçados. O nosso recado para o Bolsonaro hoje foi claro. O que está acontecendo hoje aqui em Porto Alegre e em todo o Brasil é muito forte e simbólico. Os nossos próximos passos estão relacionados também à Reforma da Previdência, à precarização provocada pela Reforma Trabalhista e a tudo o que ameaça o futuro de nosso país”.

Dois pontos se repetiram na maioria das falas desta quarta-feira: a necessidade de uma ampla unidade entre todos os setores da população atingidos pelas políticas do governo Bolsonaro e, em especial, uma unidade entre estudantes e trabalhadores para construir a greve geral marcada para o dia 14 de junho. Essa bandeira foi entoada em vários momentos por meio das palavras de ordem “unificou, unificou, é estudante junto com trabalhador”, ou então “um, dois, tres, quatro, cinco, mil, ou param esses cortes ou paramos o Brasil”.

Essas palavras de ordem traduziram uma das principais sínteses políticas do dia, repetindo uma aliança bem conhecida em outros momentos da história do Brasil: estudantes e trabalhadores ocupando as ruas com uma pauta unificada. A fórmula da água, ao contrario do que Bolsonaro sugere, os estudantes já conhecem. Agora, como expressaram nesta quarta-feira em todo o país, estão em busca da fórmula da unidade para barrar as políticas propostas pelos atuais ocupantes do Palácio do Planalto.

Crédito fotos: Carol Ferraz – Sul21

Fonte: Marco Weissheimer – Sul21

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