“Estes meses de isolamento vão fazer toda a diferença”, garante profissional da enfermagem

Diplomada pela Feevale, líder do Sindicato dos Enfermeiros/RS, Claudia Franco fala das dificuldades e riscos para a sociedade, mas diz que não estar em grupo, hoje, é um salvo-conduto contra a pandemia

Fazendo a triagem e o primeiro atendimento aos casos de coronavírus, confirmados ou suspeitos, os enfermeiros e auxiliares de enfermagem são uma das categorias da área da saúde mais expostas aos riscos da pandemia. No estado, são 26 mil profissionais registrados, 80% do sexo feminino. Diplomada pela Feevale, com 14 anos de profissão, a enfermeira Claudia Franco hoje responde pela presidência do Sindicato dos Enfermeiros/RS. Com experiência em hospitais como o D. João Becker (Gravataí), Padre Jeremias (Cachoeirinha), docente em cursos de enfermagem materno-infantil,  concursada da Prefeitura de Eldorado do Sul, Cláudia fala dos problemas trazidos pela pandemia. E tem uma certeza: “Estes meses de isolamento vão fazer toda a diferença. Não estar em grupo é um salvo-conduto contra a pandemia”.

Esta pandemia e suas consequências representam o maior desafio no RS para a população e os profissionais da saúde?

Claudia – Com certeza é o maior desde a “gripe espanhola” (causada pelo vírus Influenza, com 500 milhões de infectados em todo o mundo), no início do século passado. E o desafio atual, para nós profissionais da saúde, é imenso em função de não podermos abrir mão de prestar assistência, mas precisamos também que a população faça a sua parte.

Qual o papel central dos enfermeiros no combate a doença e nos cuidados com os pacientes?

Claudia – Somos de uma profissão que tem no cuidado o seu norte. Mas esse cuidado se pauta hoje por muito mais cientificidade, e isso nos torna o elemento central no outro norte do cuidado: a orientação. Hoje vemos colegas em papéis-chave nos comitês de crise da pandemia; outros têm que ficar relembrando o básico, que é como se paramentar com os EPIs. Além do papel de frente, que é o acolhimento desses pacientes.

Como a categoria vem enfrentando (ou vivenciando) este problema?

Claudia – Com medo, mas resistindo a ele. Hoje, por incrível que pareça, nossa luta tem sido garantir condições dignas para exercer nosso trabalho. Denúncias de falta de EPI são frequentes; além de recomendações dos gestores para continuação do uso de EPI além do que preconizam as normas de segurança, entre outros probelamas.

Há o medo de que a pandemia possa surpreender e sair do controle?

Claudia – Sim, principalmente porque parte da população acredita que estamos no controle, mas sabemos que a pior fase da pandemia nem começou ainda. E nós enfermeiros, técnicos e auxiliares, além de corrermos o risco de contaminação, sabemos que há dificuldade de substituição quando adoecemos. Um colapso que alguns estados já estão vivendo. A pior face desta pandemia é quando precisarmos fazer “escolhas de Sofia”,  como já está ocorrendo no mundo todo. Não estamos e nem fomos preparados para essa escolha.

Já há casos de profissionais da enfermagem infectados pelo coronavírus?

Claudia – Sim. Muitos. Mas os dados reunidos pelo sistema Cofen-Coren podem ser considerados extra-oficiais porque quando foi feito o formulário de notificação não se pensou em colocar um campo para identificar a profissão. Uma solução simples, que daria a chance de termos hoje números reais de contaminação na categoria.

Qual o desafio mais difícil?

Claudia – Tenho dito sempre que, para nós da enfermagem, não existe o trabalho a distância, o cuidado é feito através do olho no olho, o banho de leito, a aplicação da prescrição – que até pode ser a distância mas não se dá pela internet, precisamos estar presencialmente.

Que regiões do estado vocês avaliam como de maior risco?

Claudia – Pelos números e relatos que chegam, acredito que hoje as regiões mais atingidas são as de Porto Alegre, Esteio, Novo Hamburgo e Passo Fundo.

Um conselho ou dica para os leitores?

Claudia – Evitar trabalho ou atividade em grupos presenciais. Não estar em um grupo, hoje, serve de salvo-conduto contra esta pandemia. Fiquem em casa, saiam somente para o essencial. Por mais difícil que seja, a pandemia vai passar, e esses meses de isolamento farão toda a diferença.

 

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