Este ano ainda nem terminou e a violência bancária já é maior do que todos os anos inteiros desde 2007

Preste atenção na próxima frase porque ela é estarrecedora. Até o mês de novembro deste ano, segundo o levantamento realizado pelo SindBancários, houve mais ataques a bancos do que qualquer outro ano inteiro (janeiro a dezembro) desde 2007. Os primeiros 11 meses do ano fecharam com 208 ataques em 2015. É um a mais do que todos os ataques registrados no levantamento do SindBancários (confira ao final da matéria) registrado em 2014, quando ocorreram 207 no ano todo.

Se formos comparar apenas o mês de novembro dos outros anos (veja gráfico), o ano de 2015 é disparado o mais violento dos últimos nove anos. Se até os primeiros 11 meses de 2015 ocorreram 208 ataques, o ano que mais se aproximou deste volume foi 2014. No ano passado, ocorreram 183. Portanto, a violência bancária nos primeiros 11 meses do corrente ano já é 13,7%  superior ao ano até então mais violento: 2014.

Vamos elaborar mais um parâmetro. Se levarmos em consideração a média de ataques a bancos dos últimos nove anos e comprarmos com os ataques de janeiro a novembro de 2015, levamos um susto. Entre 2007 e 2015, a média de ataques por ano foi de 2145. Isso significa que os primeiros 11 meses de 2015 foram 43,4% mais violentos do que a média desde 2007.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, diz que este ano foi atípico. Nos meses de agosto e setembro, por conta do fatiamento de salário pelo governo José Ivo Sartori, os casos de violência bancária recrudesceram. Os dados apurados pelo SindBancários indicaram a tendência e a causa. Como Policiais Militares e Policiais Civis receberam R$ 600 em seus contracheques e chegaram a fazer, respectivamente,  aquartelamento e operações tartaruga, agosto foi o mês de volume recorde de ataques desde 2006.

No oitavo mês do ano de 2015, o levantamento do SindBancários registrou 34 ataques a bancos. Esse volume superou setembro de 2006, quando houve 29. O SindBancários e a Fetrafi-RS, no início de agosto e setembro, entraram com duas liminares solicitando à Justiça do Trabalho que impedisse a abertura das agências bancárias em todo o Estado por falta de policiamento ostensivo. As duas liminares foram acatadas pela Justiça, que recomendara, na ocasião, ao governador do Estado que pedisse auxílio à Força Nacional.

“Os bancários estão com muito medo. Ataque a banco virou rotina. O SindBancários atua no sentido de atender os colegas que são vítimas de violência disponibilizando psicólogos e atendimento pós traumático no seu Departamento de Saúde. O problema é que os bancos não costumam cumprir as leis municipais ou não cumprem na totalidade. Isso expõe clientes, bancários e vigilantes a um risco muito alto”, avalia Gimenis.

Para o presidente do Sindicato, as leis municipais em Porto Alegre são importantes instrumentos de segurança. No entanto, é preciso que haja maior fiscalização dos Executivos Municipais sobre os bancos no cumprimento da legislação. Em Porto Alegre, por exemplo, há leis que obrigam a instalação de portas-giratórias, vidros à prova de balas, câmeras e biombos.

O SindBancários atua no sentido de ampliar a legislação para vários municípios e pela criação de uma Lei Estadual que unifique e aperfeiçoe essas leis fragmentadas. “O problema de termos legislação que combate a violência bancária só em Porto Alegre é fragilizar outros municípios. Se aqui as agências estão mais bem protegidas, os criminosos vão pensar duas vezes antes de realizar uma ação. Os municípios do Interios sofrem o maior volume de ataques a bancos. Cerca de 70% dos ataques a bancos em todo o Estado ocorrem em cidades do interior. Por isso defendemos a criação de uma Lei de Segurança Bancária Estadual”, explicou Gimenis.

Com um número de ataques a bancos que não para de crescer, o que o recorde de 2015 comprova, a Audiência Pública sobre Segurança nas Agências Bancárias, nesta quinta-feira, 03/12, no Plenarinho da Assembleia Legislativa, a partir das 10h, é um passo importante na defesa da saúde de clientes, bancários e vigilantes. A audiência pública foi proposta pelo deputado Tarcício Zimmermann.

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2015/12/02122015.pdf

Fonte: Imprensa SindBancários

ÚLTIMAS NOTÍCIAS

FACEBOOK

SERVIÇOS

CHARGES

VÍDEOS

O BANCÁRIO

TWITTER