Escracho aponta responsáveis pela falta de negociação e marca 47 dias sem resposta da diretoria do Banrisul ao acordo aditivo

O que acontece na Campanha Nacional 2018 em relação ao Banrisul é uma característica de uma administração que opta por desmontar empresas públicas fingindo que está fazendo o melhor para os gaúchos. O que acontece com o Banrisul nesta Campanha Nacional 2018 é que a diretoria não só dança conforme a música atravessada que exala seus acordes do Palácio Piratini. É bem pior. Se, na quarta-feira, 1º/8, completamos 47 dias em que a diretoria do Banrisul simplesmente ignora os reiterados pedidos de estabelecer um calendário de reuniões para conversarmos e negociarmos nosso acordo coletivo específico, podemos chamar isso de uma ideologia autoritária que lembra os tempos mais duros do cancelamento da democracia neste país.

Para fazer frente a essa total falta de sensibilidade (para não dizer coisa muito pior dessa diretoria, como dar semestralão para poucos na DG), que começou em 15 de junho quando entregamos a pauta de reivindicações, dirigentes sindicais do SindBancários, da Fetrafi-RS e de Sindicatos do Interior ocuparam a frente da entrada da DG, na Caldas Junior, Centro Histórico de Porto Alegre, no primeiro dia de agosto, para fazerem um escracho contra aqueles que querem ver o Banrisul em ruínas, mas não têm coragem de anunciar. Ou melhor: para mostrar para colegas concursados da atual diretoria que o que eles são é autoritários e que não se dignam a sentar na mesa para negociar. Talvez, depois do que tenham feito nas duas vendas de ações de 10 e 27 de abril, falte-lhes a coragem que sobra aos dirigentes e aos Banrisulenses para olhar nos olhos dos representantes dos trabalhadores como olhamos nos olhos deles.

Não quer diálogo

O diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Sergio Hoff, já conta os dias em que a diretoria não chama os trabalhadores. Está perto de 50, é claro. Mas essa diretoria tem se caracterizado por não querer diálogo. Foi assim quando assumiu em 2015 e só recebeu uma reapresentação de trabalhadores mais de 100 dias depois de se acomodar na cadeira principal do quarto andar do prédio da DG. O caminho é o mesmo traçado pelo governador do Estado, algumas quadras distante da DG, ali no Palácio Piratini. Na dicionário da democracia sartoriana tem muito verbete autoritário e destruidor, como desmonte do Banrisul, mas não tem conversa e negociação.

E a diretoria atual do Banrisul, formada por colegas segue a cartilha sartoriana como se fosse o livro de ouro de alguma seita. São capazes até de serem mais realistas que o rei, realizando leilões suspeitíssimos a mando do chefão do Palácio Piratini para vender ações do Banrisul a corretoras que intermedeiam e também ficam com papéis. “O Banrisul é o único dos bancos públicos em que sua diretoria não está negociando. E isso acontece pelo terceiro ano consecutivo. A diretoria continua cega, surda e muda para o diálogo. Isso não é respeitoso. É falta de respeito com a gente”, afirmou Sergio Hoff.

A lista de diretores

Antes de pegar o microfone e fazer a defesa da negociação imediata e da construção do consenso para o Acordo Coletivo Específico dos Banrisulenses, o diretor da Fetrafi-RS, dirigente do SEEB Alegrete e funcionário do Banrisul, Carlos Augusto Rocha, leu o nome de alguns colegas. Todos integrantes da diretoria. Todos Banrisulenses que ingressaram no banco por concurso. Todos responsáveis pela surdez do Banrisul fingir que não ouviu os reiterados pedidos diários de negociação dos dirigentes sindicais.

O nome no topo da lista escrita em papel de bloco de anotação era do presidente Luiz Gonzaga Veras Motta. “Os colegas do Banrisul que não estão com o nome nesta lista estão tão apreensivos quanto indignados com a postura do Banrisul de não nos receber para negociar. Estamos muito apreensivos, porque está ocorrendo a entrega do patrimônio público, a extinção da Justiça do Trabalho. Todo esse golpe nos nossos direitos ameça o nosso acordo específico. As novas gerações têm obrigação de lutar por esses direitos. Não podemos permitir que o golpe de estado, golpe em direitos e golpe nos pobres, imponha perdas tão drásticas de benefícios que lutamos muito tempo para conseguir”, enumerou Carlos Rocha.

A diretora da Fetrafi-RS e funcionária do Banrisul, Denise Falkenberg Corrêa, fez uma imagem com humor da situação da diretoria do Banrisul frente às negociações de outros bancos púbicos e da Fenaban que já estão em andamento. Só falta o Banrisul. “Vamos parar de se esconder debaixo da mesa da Feanban. Já deu tempo de ler, analisar e entender a nossa pauta de reivindicações construída democraticamente em nosso Encontro Nacional. Nossa pauta é factível. É uma pauta que trata da nossa vida em conjunto. Queremos uma administração moderna, mas não podemos abrir mão dos nossos direitos”, comparou Denise.

Lucros podem virar direitos

O diretor da Fetrafi-RS e funcionário do Banrisul, Fábio Alves, fez uma analogia sobre a facilidade com que as pessoas acessam informações sobre o lucro dos bancos e a proporção inversa com que os bancos têm disposição para negociar melhores condições de trabalho. “A cada trimestre, você abre o jornal e vê que os bancos lucram cada vez mais na crise. O Banrisul tem o mesmo desempenho. E nada de sentar na mesa para negociar. É inconcebível que todos os bancos públicos estejam abrindo discussão e mesmo os bancos privados, e o Banrisul não”, salientou o dirigente.

O diretor do SindBancários, Antonio Augusto Borges de Borger, o Guto, fez um alerta sob a forma de um aviso. Deixar de receber trabalhador na mesa de negociação para discurtir questões relacionadas a direitos é um convite à greve. “Marque o calendário de negociação, diretoria. Se não houver proposta, vamos preparar uma greve. E o Banrisul? Tem pauta específica que foi entregue em junho. Tem cláusula que não é econômica como aquelas de saúde e já podia estar em debate”, salientou Guto.

Fonte: Imprensa SindBancários

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