Enquanto Banrisul fecha agências para proteger trabalhadores e clientes, outros bancos mantém casos suspeitos trabalhando normalmente

Protocolos do Banrisul, construídos com movimento sindical, apontam para responsabilidade social com a saúde pública

A alta da Covid-19 chegou em todos os bancos. No Banrisul, 49 agências estão fechadas no Rio Grande do Sul, São Paulo e Santa Catarina. Os fechamentos, aponta Luciano Fetzner, presidente do SindBancários, “significam que o Banrisul está cumprindo protocolos muito próximos daquilo que defendemos no movimento sindical. O contágio da ômicron é muito violento e atitudes rígidas têm de ser comemoradas. Infelizmente, tem gente que comemora subnotificações e omissões, fazendo coro com a lógica do governo federal. E isso não ajuda a proteger trabalhadores e clientes”.

Desde o início da pandemia, os sindicatos conquistaram um espaço para monitorar casos e protocolos junto ao Banrisul; um gabinete Covid foi criado e a Fetrafi-RS mantém uma sistemática com o banco para monitorar situações de risco e contágios nas unidades e aplicação de protocolos de medidas preventivas e de tratamento para eliminar focos transmissíveis do coronavírus.

A diretora de Saúde no Trabalho da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg, reforça que a interdição das agências é o procedimento estabelecido por esse grupo. “Isso é responsabilidade social com a saúde. Uma agência não pode ser um roteador, um disseminador de covid. O Banrisul está cumprindo os protocolos. Temos feito intervenções pontuais sobre gestores que descumprem os protocolos estabelecidos”.

Distorção da opinião pública

O fechamento das agências, no entanto, tem aparecido na mídia gaúcha não como comprometimento do banco, mas como um incômodo. No dia 11/01, a coluna da jornalista Giane Guerra na Gaúcha ZH, por exemplo, não lamenta a situação dos trabalhadores nem cita o número de infectados. A matéria destaca apenas que a alta nas contaminações “segue impactando no atendimento do Banrisul” no estado. No RS, 15 agências estão fechadas – nove em Porto Alegre, três em Caxias do Sul e três em Passo Fundo.

Para Luciano, essa abordagem “é uma distorção da opinião pública porque a mídia poderia – e deveria – valorizar o cuidado do Banrisul com clientes e funcionários e não tratar uma agência fechada como impacto no atendimento ou incômodo para clientes. O que o banco está fazendo é garantir a segurança da população e dos trabalhadores”, analisa. “Quem dera todos os bancos fechassem as agências quando há suspeitas e confirmações de casos”, alerta.

Descaso com a vida

Nas duas últimas semanas, o SindBancários e a Fetrafi-RS têm confirmado situações em outros bancos de absoluto desrespeito com os trabalhadores(as) e risco para clientes. Bradesco e Itaú relaxaram os protocolos e têm até omitido casos confirmados.

O Santander não sanitiza mais as agências, apenas higieniza. A gestão do Banco do Brasil também mudou de postura: não cobra uso de máscaras, não afasta colegas com sintomas e, mesmo com a explosão de casos de Covid, tem exigido visitas presenciais de gerentes para que atinjam as metas. Em alguns bancos, há situações em que, mesmo com funcionários contaminados, os demais trabalhadores seguem atendendo clientes enquanto aguardam o resultado dos testes.

Na Caixa, a situação é de alerta e pressão nos gestores. Enquanto o banco diz que está reforçando as orientações sobre protocolos, os empregados da Caixa cobram mais rigor diante do quadro de novo colapso do sistema de saúde no país. A Comissão Executiva dos Empregados da Caixa (CEE/Caixa) está aguardando resposta do banco para negociar reforço nas medidas de segurança para covid, mas também influenza.

Afastamento de trabalhadores

O avanço da ômicron e o aumento de influenza afetaram operações da aviação, varejo, serviços e indústria. O afastamento de trabalhadores tem exigido, muitas vezes, a volta ao home office. Medida que o movimento sindical bancário defende, inclusive, como prevenção de novos casos.

“A defesa da vida sempre foi nosso principal foco, relembra o diretor de Comunicação do SindBancários e empregado do Banrisul, Gilnei Nunes. “Não é razoável defender o lucro acima da vida. Desde o início da pandemia temos lutado muito com os bancos para manter o home office. O Banrisul foi o que melhor respondeu, inclusive adiando a volta de 100% dos trabalhadores ao presencial; realidade em quase todos os outros bancos do país”. Nas agências, aponta o diretor, “sabemos que os colegas estão mais expostos e, por isso, é tão importante que o banco continue mantendo o protocolo de afastar colegas com suspeita e fechar agências, caso necessário.

Em defesa do Banrisul

Gilnei cita também a tensão pela qual o Banrisul passa. O banco dos gaúchos, diz, “nunca esteve tão perto da privatização”, lamenta. Gilnei alerta que Eduardo Leite escancarou a intenção dos governos neoliberais em relação ao Banrisul. No final do ano, Leite declarou que “a venda do banco é inevitável”. E foi também Leite que pautou e derrubou na Assembleia a necessidade de plebiscito para a venda da Corsan, Procergs e o Banrisul.

A atual direção do banco, finaliza o diretor, colabora com o sucateamento do Banrisul. “Todos esse movimentos, incluindo o viés que a mídia utiliza quando fala do Banrisul, criam uma imagem de que o banco é ruim, que o banco não dá conta de atender os clientes, que o banco custa caro para o governo, e portanto, precisa ser privatizado”.

Na verdade, o banco é parte da solução para a crise no estado e no país, e instrumento de desenvolvimento para financiar a reconstrução no pós pandemia, declara Luciano Fetzner. “Sabemos que são os bancos públicos os responsáveis por ajudar os governos nas crises. Desse vez não será diferente. Os bancos privados estão interessados em lucro. Os bancos públicos têm compromisso com o estado, com o país”.

Imprensa SindBancários

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