Encontro Nacional dos Trabalhadores do Bradesco formaliza pauta de reivindicações específica

Teletrabalho, remuneração, segurança e saúde são alguns dos principais pontos da minuta

Teletrabalho, remuneração, segurança, saúde, previdência complementar, condições de trabalho, emprego e auxílio educação são os principais pontos da minuta específica de reivindicações definidas no Encontro Nacional dos Trabalhadores do Bradesco, realizado nesta quinta-feira (9), em formato híbrido. A parte presencial foi realizada na sede da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), em São Paulo.

O documento será entregue à direção do banco na próxima terça-feira (14). “A participação de todos os trabalhadores foi fundamental para chegarmos à conclusão deste documento. Agora, esperamos contar com a união e a mobilização dos empregados para conseguimos conquistar todas nossas reivindicações”, afirmou Magaly Fagundes, coordenadora da Comissão de Organização dos Empregados (COE) do Bradesco.

Concentração de renda
Em sua apresentação, o técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese) Gustavo Cavarzan, mostrou como o desempenho dos bancos no início de 2022 deixou de ser definido pela pandemia e passou a espelhar o modelo econômico concentrador de renda do país, com aumento da pobreza, da inflação e consequente endividamento das famílias em linhas de créditos caras que se tornam receita nos balaços do bancos. “Além do modelo do país, o resultado dos bancos é construído com base em um forte processo de digitalização, reestruturação e surgimento de novos modelos de negócios”, disse. O economista ainda deixou um desafio para os delegados do encontro: debater quais as consequências desse modelo para o emprego no ramo financeiro e para a organização sindical.

“O poder de compra das famílias brasileiras caiu muito. Hoje elas se socorrem nos empréstimos dos bancos. Haja visto que o rotativo do cartão de crédito cresceu 56% e o crédito pessoal 43%. É muito. Isso faz crescer o lucro dos bancos. O Bradesco teve um lucro recorrente de 6.8 bilhões e 76,5% disso vem do crédito”, destaca o representante da Fetrafi-RS na COE Bradesco, Sandro Cheiran. “Por isso precisamos ter uma campanha forte e organizada que use esses parâmetros para negociar com o Banco.”

Reestruturação
Ainda conforme os dados apresentados pelo Dieese, o Brasil terminou 2021 com 18.302 agências bancárias. São 2.351 a menos do que o registrado no início da pandemia, segundo informações do Banco Central (BC). Motivo: a Covid-19 impulsionou os pagamentos e o atendimento bancário por meios digitais. O reflexo disso é a redução da rede de agências bancárias desde 2017, com aceleração dos fechamentos na pandemia da Covid-19. Foram 1.334 de março a dezembro de 2020 e mais 1.017 em 2021. A queda acumulada na pandemia foi de 11% e levou a rede de agências bancárias ao menor patamar da série histórica, iniciada em 2007.

O Banco que mais reduziu a rede de atendimento presencial na pandemia foi o Bradesco. A instituição fechou 1.527 agências desde março de 2020. Em cinco anos, desde a aquisição do HSBC, fechou exatamente a quantidade de postos de trabalho dos funcionários que incorporou, ou seja 21.305. Só no último ano, fechou 1.199 postos de trabalho. O Bradesco constinua, mesmo na pandemia, reestruturando e demitindo, migrando para os canais digitais. Não é à toa que 97% das transações do banco são feitas por canais digitais. “Isso é um processo de demissões, de enxugamento do banco, que vem a prejudicar não só os trabalhadores, mas toda a população que precisa desses serviços e é praticamente expulsa das agências”, pontua Cheiran.

Segurança nas unidades de negócio
Outro ponto importante levantado no Encontro é a segurança. O Bradesco tem transformado agências em unidades de negócios e retirado ítens como segurança e portas giratórias dessas unidades. “Isso é inadmissível, estamos em uma batalha muito grande para reverter essa situação. Não podemos admitir que as pessoas corram perigo sem proteção alguma”, alerta o representante gaúcho na COE, lembrando que mesmo que não circule dinheiro internamente, há caixas eletrônicos dentro das unidades de negócios. O tema será levado à mesa de debate com o Banco.

Demissões

Representante dos trabalhadores do Bradesco no Encontro Nacional, o ex-presidente do SindBancários e vice presidente da CUT-RS,  Everton Gimenis, foi um dos dirigentes sindicais que se manifestou quanto ao crescente número de desligamentos que o banco vem promovendo. Para ele, a demissão não pode frear o trabalho sindical.

“O movimento sindical não pode ser refém do banco, pois eles vão continuar demitindo mesmo que não façamos nada. Lembrem-se que na pandemia o Bradesco fez acordo dizendo que não demitiriam ninguém enquanto durasse a crise sanitária e descumpriram isso também. Se o medo da demissão for um impeditivo para a ação sindical, então não temos razão de existir. O sindicalismo existe para que possamos lutar pelos nossos colegas e em favor de todos”, concluiu.

Fonte: SindBancários com informações da Contraf-CUT. 

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