Encontro de funcionários do BRDE define pauta de reivindicações

Bancários querem renovar o acordo coletivo 2019-2021 sem retirada de direitos

Na bela manhã de sol do sábado, 7/11, trabalhadores do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) permaneceram em suas casas diante de computadores e celulares para acompanhar o encontro de funcionários da instituição. Com a participação de diretores do SindBancários, a reunião teve como finalidade definir a pauta de reivindicações dos(as) trabalhadores(as) do BRDE a ser negociada com a direção do banco. O atual acordo coletivo vence no dia 1º/01/2021.

Na abertura da reunião, Ricardo Franzoi, economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE), ressaltou a função de uma instituição como o BRDE, um banco de desenvolvimento. Franzoi fez uma rápida caracterização da realidade econômica brasileira nos últimos 35 anos, em que assistimos à indústria perder importância na composição do Produto Interno Bruto (PIB).

Em 1985, a indústria representava 35,9% do PIB nacional, enquanto em 2019 este número era apenas 10,5% do total das riquezas produzidas no país. “Nossa economia no Brasil e no Rio Grande do Sul é cada vez mais dependente do comércio e dos serviços. Nosso grande desafio é reindustrializar o país, senão nos tornaremos um mero fazendão do mundo produzindo soja e commodities”, projetou.

Voltando-se para o contexto econômico de um 2020 marcado pela pandemia, Franzoi destacou que, de acordo com dados da PNAD/IBGE, apenas no segundo trimestre de 2020, foram em torno de 9 milhões de brasileiros que perderam o emprego. No RS, foram cerca de 439 mil vagas fechadas.

“O momento é de taxa de juros baixa e um câmbio vantajoso para exportação. No entanto, por se tratar de uma crise internacional, não podemos esperar que a ajuda para o Brasil venha do exterior. Não vai acontecer”, antecipou. Para Franzoi, este é o momento de expandir o investimento público e crédito via atores relevantes para o desenvolvimento regional, como BRDE, Badesul e Banrisul.

A diretora do SindBancários Caroline Heidner complementou a fala de Franzoi e chamou atenção para a falta de planejamento estratégico e noções de desenvolvimento regional entre os atuais governantes do estado e país. “Sempre é importante lembrar que o BRDE, por exemplo, é instrumento financeiro de estado, não de governo, então temos o dever de lutar pela sua permanência”, reforçou.

Assessor jurídico do SindBancários, o advogado Marcelo Scherer adiantou que possivelmente nesta semana haverá novidades relacionadas à ação ajuizada pelo sindicato da promoção por mérito no BRDE. Além disso, Scherer esmiuçou os conceitos de teletrabalho e home office, tão comentados na pandemia.

Resumidamente, de acordo com Scherer, o home office seria um regime transitório, passageiro e sem alteração do contrato de trabalho. Já o teletrabalho envolve uma alteração no contrato e deve ser definido de comum acordo entre funcionário e empresa, sem distinção de direitos em relação aos trabalhadores da modalidade presencial e custos das atividades bancados pela empresa.

Na sequência, o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, também falou sobre o tema, já que está presente na mesa de negociação do teletrabalho com o Banrisul e acompanha o debate com a Fenaban via Comando Nacional dos Bancários. Luciano salientou que é preciso falar de conceitos até então pouco comuns, como a necessidade de desconexão do trabalhador, mecanismos remotos de controle da jornada e ergonomia no teletrabalho.

“A discussão do teletrabalho foi central nas mesas de negociação neste ano. Há situações bastante específicas como a luta para que não retornem ao trabalho presencial os funcionários que coabitam casas com pessoas do grupo de risco”, explicou.

Luciano contou aos presentes no encontro de funcionários do BRDE que neste ano nem mesmo os banqueiros sabiam plenamente como lidar com o tema do teletrabalho, dada a novidade do assunto. O presidente do SindBancários também chamou os colegas para a reflexão sobre o lado ruim desta nova forma de trabalho.

“Ir para esta modalidade também envolve questões psicológicas e sociais. É preciso, sim, manter o convívio e as relações sociais. Do jeito como está acontecendo hoje, um trabalho feito de casa, mas ainda sem regulamentação plena, isso se torna insustentável com o passar dos anos”, advertiu.

Para Fetzner, a situação está posta: as empresas do setor financeiro não podem se eximir da responsabilidade de garantir condições de trabalho e estrutura para a realização do trabalho remoto.

Reivindicações BRDE

> Nenhum direito a menos – renovação do ACT 2019-2021

> Negociar parâmetros para o teletrabalho

> Negociar nova sistemática de promoção por merecimento

> Negociar o direito ao plano de saúde na aposentadoria para os funcionários do RPII

Além disso, o Sindicato irá agendar negociação com o banco para discutir a decisão da direção em colocar pelo menos 30% do quadro em trabalho presencial, apesar da pandemia.

Texto: Caio Venâncio

Fonte: Imprensa SindBancários

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