Emir Sader e Marcio Pochmann projetam 2020

Painel de Formação do SindBancários reuniu sociólogo e economista para falar do atual momento político, econômico e social do Brasil

Um debate profundo sobre as perspectivas econômicas e sociais permearam o painel de encerramento de ano do SindBancários, promovido pela diretoria de Formação nesta quarta, dia 4/12. O filósofo e cientista social Emir Sader e o economista Marcio Pochmann foram os responsáveis por avaliar o atual momento político pelo qual o Brasil passa e apontar projeções para os próximos anos.

 

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, lembrou que uma das preocupações do Sindicato sempre foi promover o diálogo e a formação de sua base, que mantém encontros periódicos, principalmente por meio de seus delegados sindicais. “Esse painel é um importante fechamento de ano, ampliando pontos de vistas e os debates que fazemos com toda a sociedade”, avaliou Gimenis.

Crise política

O sociólogo Emir Sader classificou o momento pelo qual passamos como “a mais longa e profunda crise da política brasileira”, que começou com o golpe em Dilma Rousseff, passou pela prisão do ex-presidente Lula e seguiu com a eleição do atual presidente Jair Bolsonaro.

 

“As bases sociais da direita se radicalizaram, pois o candidato da direita é qualquer um que não seja o PT”, observou Sader, lembrando que o grande empresariado e os religiosos seguem firmes juntos a Bolsonaro. Ele ainda vê três eixos principais no atual governo: o Econômico, o Militar e o Estado Policial.

O sociólogo observou que não há interesse no grande empresariado em gerar emprego e que a Argentina é uma prova não só dessa indisposição, mas das consequências das políticas neoliberais, o que deveria ser mais explorado pela esquerda. “Sindicatos como os dos bancários, dos professores e petroleiros são uma exceção. Os trabalhadores estão fragmentados, vemos cada vez mais brasileiros sem carteira de trabalho”, analisa.

Para ele, há algum problema com os novos movimentos sociais, pois falta uma “chispa” que os incendeie. A saída estaria na figura de Lula, como uma das únicas pessoas com capacidade de encontrar alternativas à atual conjuntura. Quanto ao futuro do atual governo Bolsonaro, entende ser difícil fazer qualquer previsão, pois ainda restam três anos de mandato.

Cenário próximo à insurreição

O economista Marcio Pochmann começou sua análise partindo da hipótese de que o Brasil está em um cenário próximo à insurreição e de que há um novo sujeito social que precisa ser compreendido pelas esquerdas.

Pochmann lembrou que o Brasil está mal posicionado no mundo e que esta década foi perdida quando se fala em desenvolvimento econômico. “Tivemos um crescimento médio de 1,2% nesta década, inferior ao que crescemos nos anos 80. O Brasil não tem condições de se inserir na cadeia produtiva mundial, pois abandonou a industrialização desde o governo Collor”, analisou.

 

Segundo Pochmann, se analisarmos o PIB, a indústria corresponde a patamares semelhantes aos de 1910. E sem indústria, não há desenvolvimento. Ele também chamou atenção para uma teoria defendida pelos militares, o Realismo Periférico. “Muitos militares acreditam que o Brasil não tem condições de sair da periferia do mundo. O Brasil estaria perto do caos total por culpa dos governos da Nova República que destruíram a indústria”, observou.

Ainda segundo os militares, o Brasil sempre se desenvolveu no autoritarismo. “A inteligência dos militares entende que o Exército, até a década de 30, era colonial, pois as Forças Armadas nacionais precisariam de uma indústria, armamento e tecnologia nacional”, explicou. Assim, sem indústria, o Brasil precisaria se aliar a uma grande nação, como os Estados Unidos, para ter tecnologia.

Quanto ao novo sujeito social, Pochmann observou que, atualmente, a satisfação individual não vira insatisfação coletiva. “O próprio governo Bolsonaro não quer ser neutro como os governos de conciliação de classe. Ele governa apenas para uma classe e deixa isso bem claro. Quer manter sua base em torno de 30% da população. Governa com clareza para os seus”, analisou.

Um dos exemplos disso é que Bolsonaro não acredita que a falta de emprego é um problema. “Para este governo, o emprego existe, o problema são as pessoas que não aceitam fazer qualquer coisa”, complementou.

Dentro da ideia do novo sujeito social, também analisou que não há mais uma identidade de categoria, pois 4/5 da sociedade está no setor de serviços. O brasileiro acaba trabalhando no Uber pela manhã, de porteiro à tarde e garçom à noite, e com isso não tem mais uma profissão. Outra dificuldade deste novo sujeito social é formar sua opinião.

“O novo sujeito social não convive mais com a pluralidade. Hoje, ele se informa pelas redes sociais, que criam bolhas. A opinião é formada não pela diversidade, mas pela validação do que se acredita”, concluiu.

 

Crédito fotos: Guilherme Testa/SindBancários

Fonte: Imprensa/SindBancários 

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