Em Porto Alegre, bancários(as) da Caixa protestam contra assédio sexual no banco e cobram punição para Pedro Guimarães

Ex-presidente da Caixa foi afastado após denúncias de funcionários. TCU investiga o caso

Dezenas de trabalhadoras e trabalhadores bancários (as) de Porto Alegre protestaram, em frente à agência central da Caixa, na manhã desta terça-feira (05), exigindo o fim do assédio sexual e moral dentro do banco. Os(as) bancários(as) também pediram punição severa para Pedro Guimarães, afastado da presidência da Caixa por denúncias de assédio sexual. O Tribunal de Contas da União (TCU) já investiga o caso.

Os relatos dão conta de situações de extremo constrangimento, como toques íntimos não autorizados, abordagens inadequadas e convites heterodoxos, incompatíveis com o que deveria ser corriqueiro na relação entre o presidente do maior banco público brasileiro.

O ato, realizado simultaneamente em cidades de todo o Brasil, foi convocado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf). A atividade aconteceu um dia antes da mesa de negociação do comando nacional dos bancários que discutirá com a Fenabam a inclusão de uma cláusula específica de combate ao assédio sexual na renovação da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT) da categoria.

Conforme a diretora da Federação dos Trabalhadores e Trabalhadoras em Instituições Financeiras do Rio Grande do Sul (Fetrafi-RS), Sabrina Muniz, que é funcionária da Caixa, Guimarães precisa ser punido para que a CEF não seja lembrada pelos cidadãos brasileiros como um ambiente que desrespeita as mulheres.

“A Caixa não pode carregar essa mácula, essa mancha. É preciso que este ex-presidente assediador seja punido e sirva de exemplo para aqueles que pensam em desrespeitar nossos corpos dentro do ambiente de trabalho. Imagine uma trabalhadora estudar, passar em um concurso concorrido para ser importunada com investidas sexuais pelo presidente do banco em que trabalha? É inadmissível!”, avaliou a diretora, que exibia uma máscara N95 com os dizeres Basta em cada uma das laterais do equipamento de proteção.

Caroline Heidner, diretora do SindBancários e também funcionária do banco, o repúdio a Pedro Guimarães não é exclusivo da categoria bancária, mas compartilhado pelo conjunto da sociedade brasileira.

“Não vivemos mais na idade média, a sociedade evoluiu e não aceita mais o assédio sexual. O que estamos discutindo aqui extrapola os muros da Caixa Federal e diz respeito a todas as mulheres trabalhadoras do Brasil. O escândalo de agora revela um tipo asqueroso vinculado ao bolsonarismo. Este que anda dependurado na garupa do presidente miliciano, nas motociatas por todo o país. Será que os abusos cometidos por ele aconteceram apenas nas viagens que fez em nome da Caixa ou também nas viagens que fez junto com a comitiva presidencial? Será que nestas ocasiões ele se comporta?”, questionou Caroline, ao repudiar as denúncias que, desde 2019, são abafadas pela corregedoria da Caixa Econômica Federal.

“Nós sabemos que Bolsonaro odeia as mulheres e, por isso, temos de nos perguntar a que tipo de constrangimento os homens deste governo submetem as trabalhadoras. Será que as profissionais da rede hoteleira e de transporte também não foram assediadas por Pedro Guimarães? É este o tipo que defende a família e os bons costumes?”, ironizou Caroline na ocasião.

Representando a Fetrafi-RS, a diretora Rachel Gil desabafou e compartilhou com os presentes no evento sua vontade de ver tanto o atual presidente da República, quanto Guimarães atrás das grades

“É inadmissível que na nossa vida adulta tenhamos de nos deparar com o absurdo do machismo nos ambientes de trabalho, ainda mais quando é institucionalizado e incentivado pelo presidente da República. Sr. Pedro, você vai pra cadeia e leve Jair Bolsonaro contigo. Em Outubro vamos dar um fim nisso e no racismo, machismo e sexismo. As mulheres já estão mostrando isso e vão varrer este tipo de gente da vida pública brasileira”, destacou a diretora, que logo em seguida foi ovacionada por aplausos e gritos de “Fora Bolsonaro”.

Blitz contra o assédio
Antes do ato, no início da manhã, Sabrina Muniz,  o diretor Jailson Prodes, da secretaria-executiva do SindBancários,  Guaracy Gonçalves, da pasta de Cultura e Sustentabilidade e a diretora do departamento Jurídico da entidade, Simoni Medeiros, visitaram o edifício Querência, onde funciona o edifício-sede do banco e distribuíram uma carta aberta para os trabalhadores. No documento, além de denunciar Guimarães, cobram explicação para o acobertamento dos crimes cometidos pelo executivo.

“Pedro não estava nem aí e tratava as trabalhadoras do banco e tentava usar seus corpos como se fossem propriedades dele, com insinuações e propostas para lá de indecentes. Verdadeira prática de violência, pois assédio sexual é crime”, diz um dos trechos da carta assinada pelo SindBancários.

“Chega de piadas, gracinhas, toques indesejados, insinuações e propostas nada profissionais em ambiente de trabalho”, complementa o texto.

A diretora do departamento jurídico do SindBancários, Simoni Medeiros, aproveitou a ocasião para enquadrar Pedro Guimarães como o exemplo perfeito do machismo institucional promovido pelo governo de jair Bolsonaro (PL).

” Não basta pedir que o ex-presidente da Caixa pague por seus crimes, é preciso denunciar o governo mais misógino que o Brasil já teve. Fora Bolsonaro e sua corja”, disse a bancária e diretora sindical na ocasião.

Além dos diretores sindicais das Caixa, estiveram presentes no ato,  bancários de outras instituições financeiras, do Sindicato dos Bancários do Litoral Norte e de funcionários de outras categorias, como professores, além de parlamentares e diretores da CUT-RS, entidade a qual o SindBancários é filiado.

Texto de Marcus Perez, com edição de Manoela Frade. Fonte: Imprensa SindBancários

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