Em meio à campanha salarial, formação de delegados sindicais discute desafios e importância da mobilização na categoria bancária

Encontro na sede do SindBancários também contou com palestra sobre fundos de previdência

A importância de engajar colegas bancários em torno das reivindicações da categoria e os desafios da conjuntura política nesta Campanha Salarial foram o mote da manhã de formação dos delegados sindicais, nesta quinta-feira (18). Pela tarde, a programação contou com palestra sobre o futuro dos fundos de pensão, com o presidente da Anapar e ex-diretor da Previ/BB, Marcel Barros.

Conduzida pelo diretor de Formação do SindBancários, Jairo Soares, e o sociólogo e assessor sindical Anderson Campos, a atividade formativa é recorrente na entidade. De acordo com Anderson, os encontros têm uma relevância não só para legitimar os delegados e delegadas como representantes, mas também para preparar o diálogo e o trabalho educativo que precisa ser feito com os colegas nas agências. “Com os exercícios propostos nas formações, se vai construindo esse acúmulo de forças, essa preparação para a adesão às lutas da categoria, como a campanha salarial, por exemplo”, observou o sociólogo.

No início da formação, os presentes dividiram-se em grupos para avaliar a reação e a participação dos colegas bancários na campanha salarial, além de apontar quais são os temas mais discutidos nas agências. A despeito das diferenças de realidade em cada banco ou unidade, os trabalhadores compartilharam impressões em comum, como a dificuldade de compreensão dos funcionários sobre o papel dos delegados e do movimento sindical e da importância do envolvimento de todos e todas na garantia dos direitos da categoria. Os grupos relataram que muitos colegas bancários cobram avanços do sindicato, mas não se sindicalizam.

Funcionária do Banrisul, a delegada Ana Berni Helebrandt apontou o distanciamento entre colegas não sindicalizados, que desconhecem ou não entendem o trabalho dos delegados sindicais. “Os colegas demonstram interesse acerca do abono e do índice de aumento do salário, mas não percebem que a campanha salarial é um processo que deve ser construído ao longo do ano; normalmente acham que a campanha é dois meses antes de vencer o acordo”, compartilhou a delegada, que ainda chamou atenção para a descrença dos bancários quanto aos processos de privatização. “Muitos argumentam que o Banrisul sempre esteve ameaçado e nunca é privatizado, não se dão conta que a privatização do banco é uma realidade possível e próxima”, lamentou.

Entre os temas que precisam ser mais discutidos nas agências, foi apontada a urgência de falar sobre assédio moral. A prática está tão enraizada no ambiente de trabalho que muitos trabalhadores acabam não percebendo que estão adoecendo por conta das cobranças e outras modalidades mais sutis que configuram assédio moral. Há casos de trabalhadores que receberam celulares dos bancos e recebem mensagens com cobranças sobre tarefas para o próximo dia às dez da noite – um caso claro de assédio moral.

Panorama das negociações

A frustração com a falta de propostas da Federação Nacional dos Bancos – Fenaban, que segue sem responder às reivindicações após dois meses da entrega da minuta, e o andamento das negociações específicas de cada banco foram compartilhadas por dirigentes sindicais no encontro. O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, endossou a importância do diálogo cotidiano com os colegas bancários, não apenas nesses meses de campanha salarial: “É necessário alargar a consciência de que todos somos o sindicato e tudo que temos de direito é conquista da luta dos trabalhadores. Nada é dado pelo banco, tudo que vem é conquista coletiva nossa, dos trabalhadores”.

Sobre o momento atual da luta bancária, o dirigente mencionou a queda de braço com os banqueiros, para que não apenas se renove o acordo coletivo de trabalho, mas que direitos conquistados não sejam perdidos. “O que temos visto, para além da falta de resposta às reivindicações, são propostas de retiradas de direitos. Referem-se a portas de segurança, por exemplo, como um custo excessivo em segurança, como se proteger a vida dos trabalhadores fosse um custo. Então é um processo que exige mobilização, por isso os dias de luta, os atos, plenárias e caravanas, porque é preciso debater privatização, combater o assédio moral, as tentativas de reduzir nossa segurança em nome de redução de custos e o aumento da jornada de trabalho”, declarou Luciano.

Planos de previdência

Pela tarde, os delegados participaram de uma palestra sobre fundos de previdência e de saúde, com o diretor-presidente da Associação Nacional dos Participantes de Previdência Complementar e de Autogestão em Saúde (Anapar), Marcel Juviniano Barros.

O diretor apresentou a associação, fundada em 2001, que têm abrangência nacional e representa os os participantes das entidades de previdência complementar e os usuários de planos de saúde de autogestão. A Anapar atua ainda para adaptar a previdência complementar e a saúde suplementar de autogestão à nova realidade das relações de trabalho e de proteção social, imposta pelas reformas trabalhista e da previdência após 2016. Com anuidade de R$ 60, “um valor muito baixo frente à enorme importância da nossa representação”, como frisou Marcel, os associados podem fortalecer a luta em defesa dos direitos dos trabalhadores participantes de planos de previdência complementar e de planos de saúde de autogestão.

Para Marcel, os delegados sindicais têm papel importante ao fomentar esse debate sobre planos de saúde de autogestão e de previdência. “Precisamos discutir qual modelo de atenção à saúde que a gente quer, se queremos que ela seja uma mercadoria ou que ela seja um bem, se queremos um modelo de atenção preventivo ou modelo curativo, tudo isso faz parte do nosso debate”, afirmou.

A diretora do SindBancários e também diretora de Saúde da Anapar, Caroline Heidner, também dialogou com os delegados e delegadas sobre a defesa dos planos de saúde e de previdência. “Parece às vezes que quem é da Caixa tem que cuidar da Funcef e do Saúde Caixa, quem é do Banco do Brasil, cuida da Cassi e Previ, e assim por diante, mas isso é suficiente para nos organizarmos politicamente e resistirmos? Não é. São diversos ataques aos planos de saúde de autogestão. E por que nos atacam, por que este governo federal tem interesse em atacar os planos de saúde? Porque são entraves à privatização, assim como os planos de previdência complementar”, observou a dirigente.

Caroline também frisou a importância da defesa dos princípios da saúde de autogestão, solidariedade, mutualismo e pacto intergeracional. Além disso, apontou algumas lutas que estão na pauta da Anapar. “Precisamos construir apoios no Congresso para que a saúde de autogestão esteja melhor legislada do que está hoje na Lei 9656/98. Um dos pontos fundamentais que precisamos incluir na legislação é a participação paritária e efetiva dos trabalhadores na gestão dos planos”, concluiu.

Amanda Zulke/Imprensa SindBancários

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