Em 2015, volume de ataques a bancos já é 50% superior à média das ocorrências dos primeiros trimestres dos últimos sete anos

 

 

O acompanhamento que o SindBancários realiza ao levantar dados de ataques a bancos publicados em sítios noticiosos da internet demonstra que os primeiros 16 dias de março registraram um ataque a banco por dia no Rio Grande do Sul. Se formos comparar os três primeiros meses do ano, levando em consideração que estamos na metade do mês de março, o primeiro trimestre, ainda que incompleto,  já pode ser considerado como o mais violento dos últimos sete anos.

 

 

De 2009 a 2014, a média de ataques a bancos em março, com exceção de 2015, é de oito casos, considerando o dia 16 do terceiro mês do ano como data de corte para a análise. Os casos de ataques a bancos em 2015, até 16 de março, apontam para um volume 50% acima da média das ocorrências dos últimos sete anos (51 casos até 16 de março ante média de 34 entre 2009 e 2014). E o mais preocupante é que, somando-se os três primeiros meses do ano (março até o dia 16) já são 51 os casos de ataques a bancos em cidades do interior e na Capital. O volume de ocorrências levantadas pelo SindBancários já supera o recorde do ano passado para o dia 16 de março, que foi de 50 ocorrências.

 

 

Os dados do SindBancários levam em consideração os casos publicados nas mais variadas plataformas. O acompanhamento é feito em sítios noticiosos da internet, nos jornais em papel de maior circulação e nos principais canais de televisão. Portanto, apenas os casos publicados são apreendidos pelo acompanhamento do Sindicato. Casos que não são publicados em jornais off-line ou online podem ser registrados pela Polícia Civil ou pela Brigada Militar e não constarem no nosso levantamento.

 

 

Tais casos podem englobar eventuais danos ao patrimônio dos bancos, como câmeras danificadas ou vidros quebrados e, eventualmente, serem registrados como tentativas de furtos. Outro modus operandi que pode ter ficado fora das estatísticas são as saidinhas, modalidades em que clientes viram alvos de assaltantes logo após saírem do banco com algum dinheiro sacado. Nesses casos, os assaltos, em geral a clientes, podem ser feitos longe da agência bancária e nem sequer serem registrados como saidinha, mas como furto ou roubo a pedestre.

 

 

“Os nossos dados são muito precisos e dimensionam o estado de medo em que os colegas bancários vivem hoje. Já são 51 ataques a bancos nos primeiros três meses do ano e isso que o mês de março chegou só até a metade. Os colegas bancários não aguentam mais. Vivem com medo dentro das agências. Os bancos não investem em segurança como deveriam e não há fiscalização eficiente por parte da Prefeitura. Preferem cuidar mais do patrimônio do que da vida e da integridade física e mental dos bancários”, diz o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

 

 

De fato, se somarmos os ataques a agências bancárias dos três primeiros meses de cada ano, considerando os 31 dias de março desde 2009, veremos que só em 2014 o volume de ataques superou as ocorrências de 2015, considerando março até o dia 16. Foram 51 casos em 2015, contra 56, no ano passado (veja gráfico abaixo). Entre 2009 e 2014, a média de ataques a bancos foi de 34 casos nos três primeiros meses completos. Mais uma vez, os ataques até 16 de março superam em 50% o volume da média histórica dos últimos sete anos, mesmo que estejamos apenas na metade do terceiro mês do ano.

 

 

Como é a atuação do SindBancários

 

Em 2006, quando o levantamento estatístico do SindBancários se iniciou, o Sindicato já tinha uma atuação bastante intensa no que se refere a ações de combate à violência bancária. Por óbvio, o Sindicato não pode atuar diretamente como segurança, mas sim atuar politicamente na proteção dos trabalhadores. O Sindicato costuma atuar em duas frentes. Atendimentos pré e pós o assalto. O primeiro tipo diz respeito à cobrança de políticas e de atuação dos poderes Executivo (fiscalizador), do Poder Legislativo (que cria leis de segurança bancária, por exemplo) e das forças de segurança pública (como Polícia Federal, Brigada Militar e Polícia Civil, que atuam na investigação ou na prevenção, e na fiscalização). E, claro, os investimentos que os bancos deveriam fazer e não fazem.

 

 

O Sindicato produziu documentários, esclarecendo como os bancários devem se portar durante um ataque. Realizou seminários e cobra das autoridades públicas que cumpram seus papéis. O SindBancários também atua numa lacuna deixada pelos bancos. Como os bancos só enxergam dinheiro e patrimônio, o investimento na proteção dos bancários, em geral, é insuficiente. Nesse sentido, o SindBancários tem atuado depois que o assalto ocorre. Saiba como é a atuação do SindBancários.

 

 

> Pressão e sugestão de estruturação de legislação para que a segurança dos trabalhadores bancários, vigilantes, clientes e usuários, seja continuamente melhorada com investimentos em equipamentos de segurança nas agências bancárias, como câmeras de vídeo, biombos, portas-giratórias e vidros à prova de balas.

 

 

> Atendimento pós-assalto com acompanhamento do bancário que tenha sido vítima de um sequestro, de um assalto ou que sua agência tenha sido alvo de arrombamento. Dirigentes do SindBancários vão até a agência que foi alvo de ataque, cobram a presença de psicólogos (e profissionais da área de saúde mental) do banco ou costumam levar profissional da área de saúde mental que trabalha no Sindicato. Também exigimos a emissão da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para garantir uma prova de que os trabalhadores foram expostos a risco dentro de seu ambiente de trabalho. Lembrando que, mesmo os arrombamentos costumam exercer influência psicológica e sofrimento, uma vez que mostram que o sistema de segurança é vulnerável.

 

 

> Dirigentes também acompanham, por recomendação da Polícia Civil, depoimentos de bancários, colaborando para criar um ambiente de tranquilidade e de apoio para quem foi vítima de criminosos.

 

 

> O Sindicato cobra do Poder Executivo, sobretudo municipais, que fiscalizem as agências bancárias e apliquem a lei àquelas que não cumprem a legislação municipal no que diz respeito a investimentos em equipamentos de segurança.

 

 

> O SindBancários participa das reuniões da Comissão Consultiva para Assuntos de Segurança Privada (CCASP), da Polícia Federal, em Brasília. Na última reunião, em 4/3, os bancos foram multados em R$ 8,7 milhões por falhas na segurança das agências em todo o país (Leia aqui).

 

 

> No âmbito do Rio Grande do Sul, o SindBancários também atua no Grupo de Trabalho de Segurança Bancária da Secretaria de Segurança Pública do Rio Grande do Sul (GT Segurança Bancária SSP/RS). Este GT reúne representantes da Polícia Civil, da Brigada Militar, da Secretaria de Segurança do Estado, da Polícia Federal, representantes dos vigilantes e dos bancos. Uma de suas propostas é a construção de uma legislação específica de segurança bancária em âmbito estadual.

 

 

> O SindBancários atua em vários municípios de sua área de abrangência e na área de abrangência de outros Sindicatos de bancários do Estado, como uma entidade colaboradora para construção de legislação municipal de segurança bancária. Entendemos que a legislação específica contribuiu para pressionar os bancos a investir em equipamentos e soluções em segurança e envolve a comunidade no debate.
> O SindBancários integra o Coletivo Nacional de Segurança Bancária, da Contraf-CUT, responsável, entre diversas ações, pela luta junto ao Ministério da Justiça para atualização da Lei n.7.102/1983 que é a Lei da Segurança Privada.

 

 

Por uma Lei de Segurança Bancária Estadual

 

 

No GT de Segurança Bancária, a representação do SindBancários e da Fetrafi-RS, o diretor Lúcio Mauro Paz, defende que seja construída uma legislação de maior amplitude. Entendem o SindBancários e as entidades de representação de trabalhadores bancários, como a Fetrafi-RS e a Contraf-CUT, que a atuação junto aos municípios  é necessária para que se criem legislações próprias de segurança ajudando a proteger os trabalhadores e os moradores. Uma lei de amplitude estadual reduziria a fragmentação da legislação, que hoje é municipal.

 

 

“As forças de segurança pública, como a Brigada Militar e a Polícia Civil, temos de reconhecer, enfrentam dificuldades para combater ataques a bancos. Em parte, porque não temos uma legislação estadual que uniformize as obrigações dos bancos em todo o Estado em relação a equipamentos de segurança. Hoje, o que temos é uma legislação fragmentada que pode tornar alguns municípios mais ou menos vulneráveis a quadrilhas de criminosos especializados em atacar bancos. Mas temos que construir esta alternativa. É importante para combater a violência e dar uma resposta aos criminosos”, diz o diretor do SindBancários e da Fetrafi-RS, Lúcio Mauro Paz.

 

 

Residem nas especializações das quadrilhas e na mudança de estratégias de ações mais dificuldades em atacar o problema da violência bancária. Criminosos costumam criar várias formas de ataques. Usam explosivos e maçaricos para arrombar caixas eletrônicos  à noite. E, quando usam da violência, costumam atacar agências e manter clientes, vigilantes e bancários como reféns ou sequestrar a família de bancários e obrigá-los a entregar dinheiro do banco.

 

 

“Toda e qualquer ação é de risco para o trabalhador. À noite, uma explosão em agência deixa em risco moradores de um prédio residencial que tem a agência bancária instalada no térreo. É só o criminoso errar a mão na quantidade de explosivo para que muitas vidas fiquem em risco. Os casos de sequestro são os mais complicados e que mais levam o trabalhador ao desespero. São muitos casos de bancários que tiveram que entregar dinheiro do banco porque os assaltantes ameaçavam dar tiro nos filhos, no cônjuge. E pode piorar. Porque os bancos, depois de um caso como este, costumam reunir os funcionários e pressionar. Diretores ficam dizendo que não pode entregar o dinheiro do banco mesmo que um familiar esteja sob à mira de um revólver. O Sindicato atua nessas horas, denuncia isso como assédio moral e crueldade e chegamos até a mobilizar os colegas para que a agência fique fechada”, acrescenta o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

 

 

Como a legislação municipal ainda é fragmentada e nem todos os municípios dispõem, o SindBancários e a Fetrafi-RS defendem que a Assembleia Legislativa ajude a construir uma Lei Estadual de Segurança Bancária no Rio Grande do Sul. O Projeto de Lei (PL) 60, de abril de 2012, dos deputados Luis Lauermann e Luiz Fernando Schmidt, ambos do PT, propôs unificar a legislação existente, em vários municípios, sobretudo em Porto Alegre. Os deputados propuseram que todas as agências bancárias tivessem portas-giratórias, vidros à prova de bala, sistema de vídeo para gravação e monitoramento da movimentação nas agências e biombos (Leia aqui íntegra do PL 60/2012). Esse PL tramitou por cerca de um ano na assembleia. Em março de 2013, foi arquivado.

 

 

No dia 6 de março, o presidente do SindBancários voltou a defender a legislação estadual. Diante de uma nova onda de ataques a bancos, Everton Gimenis participou do Programa 20 Horas, da TV COM (assista aqui a entrevista). O presidente do Sindicato ponderou as dificuldades que as forças de segurança têm e pontuou sobre a fragmentação da legislação em alguns municípios. “Esta reportagem foi importante para dar visibilidade ao trabalho do Sindicato e das entidades sindicais como a Fetrafi-RS. Precisamos com urgência de uma legislação estadual, porque, diante da especialização dos criminosos, que têm informação sobre tudo, a ausência de legislação específica contra a violência bancária pode criar desequilíbrios, tornando municípios que estão mais atrasados com a construção da legislação mais vulneráveis do que aqueles que já têm legislação própria, como é o caso de Porto Alegre”, acrescenta Gimenis.

 

Confira a legislação de Porto Alegre

 

Câmeras de Vídeo

 

A Lei n° 8.115, de 5 de janeiro de 1998, define a instalação de câmeras de vídeo internas para reforçar a segurança nas agências e postos bancários de Porto Alegre, inclusive nas áreas de auto-atendimento.

 

Portas de Segurança

 

A Lei n° 7.494, de 15 de setembro de 1994, foi a primeira do país a definir colocação de portas giratórias com detecção de metais, para aumentar a segurança nos bancos, tanto para os bancários como para clientes e usuários.

 

Vidros à prova de balas

 

A Lei n° 10.397, de 2 de abril de 2008, obriga, nas fachadas externas no nível térreo e nas divisórias internas das agências e nos postos de serviço bancários no mesmo piso, no município de Porto Alegre, a instalação de vidros laminados resistentes à impactos e à disparos de armas de fogo.

 

Confira nos arquivos abaixo, os números dos ataques a bancos desde 2006.

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2015/03/178032015rs.pdf

https://www3.sindbancarios.org.br/wp-content/uploads/2015/03/18032015es.pdf

Fonte: Imprensa SindBancários

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