“É essencial controlar sistema financeiro”, afirma economista Dowbor em encontro da CUT-RS

Em encontro virtual promovido pela CUT-RS, professor da USP explica que políticas sociais só serão possíveis com controle do capital

O economista, escritor e professor da PUC-SP, Ladislau Dowbor, afirmou na manhã deste sábado, 25/07, que “é essencial controlar o sistema financeiro para fazer as políticas que a sociedade precisa”. Sua proposta foi defendida durante o encontro virtual promovido pela Secretaria de Formação da CUT-RS, que reuniu mais de 200 dirigentes sindicais de todos os ramos e regiões do Estado.

Ciclo de debates

Foi o primeiro evento do ciclo de debates em seis lições “Para entender o Brasil e o Mundo”, que tratou do tema “A era do capital improdutivo”, que é também o nome de um dos livros mais conhecidos de Dowbor (foto ao alto).

Ameaça ao planeta

Ele disse que “o sistema financeiro consegue explorar todo mundo, através do endividamento que se generalizou”. Com uma revista Forbes na mão, ele criticou os bilionários e a desigualdade de renda e de patrimônio. “Um banqueiro tem uma fortuna de R$ 90 bilhões. Ele precisa disso?”, questionou. “Estão liquidando a vida do planeta. É simplesmente catastrófico”.

Agiotagem

“Este país é de agiotagem”, falou ao analisar a atuação dos bancos no Brasil. “Na China tem controle. Na Alemanha, tem outras práticas, onde o dinheiro é depositado em caixas de poupança (sparkasse)”, apontou. “Um estado nos EUA criou bancos públicos municipais.” Segundo ele, no Brasil “o problema é de governança, de modo que os recursos sejam usados onde são necessários”.

Para Dowbor, “controlar o sistema financeiro é muito difícil”. Ele destacou a influência que os bancos exercem sobre todos os governos. “Desde 1995, no governo FHC, os lucros e dividendos dos bancos não são tributados”, enfatizou. “Dilma tentou baixar os juros e foi afastada”, salientou.

O professor, que acaba de publicar o livro “O capitalismo se desloca”, explicou que “não é por falta de dinheiro que o Brasil não cresce”, salientando que o capital é drenado para ganhos financeiros. “Hoje quem ganha dinheiro é quem faz aplicações financeiras e não quem investe numa fábrica que produz sapatos”, comparou.

BTG: paraísos fiscais

“Quem controla a economia do atual governo é o ministro e banqueiro Paulo Guedes, oriundo do BTG Pactual, que possui 37 sedes em paraísos fiscais”, denunciou.  “O banqueiro detesta o bom pagador, mas aprecia o que se ferra e fica endividado”. Conforme Dowbor, “colocar uma raposa dentro do galinheiro, resolve o problema da raposa, mas não das galinhas”.

Economia a serviço da sociedade

“Desde 2014, quando começou a operação Lava Jato, a economia brasileira está parada. Falaram que era culpa da Dilma, mas nada mudou”, ressaltou o professor. Ele defendeu a importância da criação de um programa de renda básica, a exemplo do projeto do ex-senador Eduardo Suplicy, e de impostos sobre as grandes fortunas.

“A economia tem que estar a nosso serviço e não nós a serviço dela”, defendeu. Para ele, “serviço público é investimento, não é gasto” como vivem repetindo dia e noite os neoliberais e a mídia empresarial. Para Dowbor, “o SUS é fundamental para garantir saúde pública e universal”.

O Papa Francisco

O economista contou que está ajudando na elaboração de propostas para o projeto Economia de Francisco, que tem o objetivo de pensar uma nova economia diante do mal-estar com a desigualdade e a devastação do planeta. “O papa está olhando para baixo e vê que as pessoas estão se ferrando”, observou Dawbor acrescentando que é autor do artigo “Economia desgovernada”, que trata do assunto.

Fonte: CUT-RS

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