Documentário “Osvaldão” desvenda parte da história escondida da Guerrilha do Araguaia no CineBancários

Quem foi este homem que tinha um corpo privilegiado para os esportes desde a infância. Quem é este negro alto e forte, campeão de boxe? Há muitas respostas para estas perguntas um tanto evasivas a respeito de Osvaldo Orlando da Costa. Parte delas pode ser respondida com uma visita ao CineBancários. É que, na terça-feira, 1º/12, estreou com exclusividade no Cinema da Casa dos Bancários, o documentário “Osvaldão”. A sessão especial e gratuita teve debate com presença da diretora do documentário, Ana Petta, do roteirista André Fernandes, do deputado Raul Carrion (PCdoB) e do ex-deputado Raul Pont. O debate, após a exibição do documentário, foi mediado pelo especialista em cinema e bancário Paulo Casa Nova.

A importância do documentário nesses dias de trevas e retrocesso em que há gente pedindo até a volta da Ditadura Militar pôde ser medida pela presença de público. Houve tanta gente que faltou lugar na sala de 81 lugares do CineBancários. Além da distinção do CineBancários de estrear com exclusividade em todo o país o documentário “Osvaldão”, o debate foi elucidativo.

Antes de entrarmos nas considerações dos debatedores sobre o filme, é preciso situar o personagem. “Osvaldão” era um lutador nato. Não só porque lutou boxe, mas também porque participou ativamente da Guerrilha do Araguaia. Osvaldão, aliás, não se embrenhou  somente na loresta Amazônica quando a guerrilha estourou e foi reprimida a partir do início da década de 1970, em plena Ditadura Militar. Integrante do PCdoB, partido que defendia o enfrentamento à Ditadura pela luta armada e a revolução, Osvaldão já havia sonhado em mudar os rumos da política do país antes mesmo de os homens de verde darem o golpe em 1964. Um ano antes ele havia organizado uma resistência na Chapada Diamantina em Minas Gerais.

O deputado estadual Raul Carrion fez uma breve historiografia da Guerrilha do Araguaia. Em 1966, os primeiros militantes chegaram à área de 6.500 quilômetros quadrados. Eles deviam cumprir algumas etapas para formar um grupo de guerrilheiros de onde começaria a luta armada contra Ditadura. A primeira etapa a ser cumprida determinava que os guerrilheiros deveriam se misturar com os moradores das localidades. Virarem mateiros mesmo. Dificuldades? Muitas. Entre elas, o tamanho das cidades entre 3 mil e 30 mil habitantes.

“Era uma área de nova fronteira, onde chegaram imigrantes do Nordeste. Em 1970, começou a construção da rodovia Transamazônica e a população começou a crescer. Os guerrilheiros tiveram muitas dificuldades. O Exército começou a chegar quando ainda a primeira etapa não estava concluída. Eles criaram aeroportos, estradas e cercaram a guerrilha. O Osvaldão cumpriu esta primeira etapa. Era conhecido dos moradores e admirado. Gostavam dele. Ele virou um mateiro. Mas, no Natal de 1973, o Exército entrou com 5 mil homens e dissolveu a guerrilha”, contou Carrion.

Para a diretora Ana Petta, o filme pretendeu contar a história de um dos homens da guerrilha, fazer um recorte. “O filme não tem a pretensão de fazer uma análise ou contar os pormenores da guerrilha. Espero que alguém faça isso. É uma epopeia do povo brasileiro. O nosso propósito foi contar a história do Osvaldão. Contar a história do menino a partir das pessoas que conviveram com ele. O Osvaldão cumpriu essa tarefa. Ele se misturou com o povo. Ele fazia parte”, avaliou Ana Petta.

O roteirista Vandré Fernandes conta que, quando começou a escrever o roteiro, há três anos, muito pouca gente conhecia a história de Osvaldão. “Ninguém sabia, por exemplo, que o Osvaldão tinha feito um filme na Tchecoeslováquia, em Praga. Ele era líder estudantil e virou boxeador. Ele começa a trabalhar pela revolução antes do Golpe Militar. Além de líder estudantil, ele também era religioso”, explicou Vandré.

O ex-deputado Raul Pont teceu elogios à iniciativa de realizar o documentário. “Gostaria de parabenizá-los pelo filme por ter reconstituído um momento importante da história brasileira que é muito desconhecido. Trata-se de um período muito mal contado da história brasileira. Em geral, fala-se somente da guerrilha, dos guerrilheiros, mas não se reconstitui o processo de formação de um personagem importante, como o Osvaldão. Trata-se também de um jovem neto de escravos”, acrescentou Pont.

A sugestão é que se assista a “Osvaldão” como um documentário que contribui para entendermos um período importante da história do Brasil. Confira ao final desta matéria, os horários de exibição. A Guerrilha do Araguaia, nestes tempos em que há gente pedindo a volta da Ditadura Militar, é uma boa ilustração do mal que o golpe causou e da nossa vontade de que algo nem perto de ser semelhante volte a acontecer conosco.

SOBRE O DOCUMENTÁRIO

“Osvaldão” é uma produção independente que levou dois anos para ser realizada. Após os processos de pesquisa, filmagem, montagem e finalização, com gravações no Rio de Janeiro, Pará, Tocantins e Minas Gerais, o filme foi lançado na Mostra de Cinema de São Paulo de 2014.

O músico Criolo faz participação especial. Outros artistas também participam emprestando a sua voz ao documentário, como Leci Brandão, Antônio Pitanga, Flávio Renegado e Fernando Szegeri. A realização é da Fundação Mauricio Grabois, Clementina Filmes e Estrangeira Filmes.

COLETIVO GAMELEIRA

O Coletivo cinematográfico Gameleira, responsável pela produção do documentário “Osvaldão”, é formado por diretores e produtores apaixonados pelo Brasil e interessados em um cinema colaborativo construído com arte, política e memória. Integram o grupo Ana Petta (“Repare Bem”), Andre Michiles (“Através”), Fabio Bardella (“Através”) e Vandré Fernandes (“Camponeses do Araguaia”).

FICHA TÉCNICA

Direção: Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

Roteiro: Vandré Fernandes

Fotografia e Montagem: André Michiles e Fabio Bardella

Trilha Original: Daniel Altman

Vocais Especiais: Criolo, Antonio Pitanga, Leci Brandão, Renegado e Fernando Szegeri

Produção Executiva: Renata Petta, Ana Petta, Adalberto Monteiro e Leocir Costa Rosa

Realização: Fundação Maurício Grabois

Produção: Clementina Filmes

Coprodutora: Estrangeira Filmes

Facebook: https://www.facebook.com/ondeestaosvaldao?fref=ts

GRADE DE HORÁRIOS NO CINEBANCÁRIOS

2 de dezembro (quarta-feira)

15h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

17h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

19h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

3 de dezembro (quinta-feira)

15h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

17h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

19h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

4 de dezembro (sexta-feira)

15h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

17h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

19h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

5 de dezembro (sábado)

15h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

17h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

19h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

6 de dezembro (domingo)

15h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

17h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

19h – Osvaldão, de Vandré Fernandes, Ana Petta, Fabio Bardella e André Michiles

Fonte: Imprensa SindBancários

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