Documentário “O Menino 23” estreou com debate na Semana da Consciência Negra do SindBancários

O documentário “O Menino 23 Infâncias Perdidas no Brasil”, de Belisario Franca, estreou na noite da quinta-feira, 17/11, no CineBancários, com direito a um debate de primeira. Era o terceiro dia da Semana da Consciência Negra do SindBancários, e o projeto CineDebate pôde partir de uma experiência de racismo e nazismo no Brasil na década de 1930.  Menino 23 está em cartaz no CineBancários até 9 de dezembro, e conta a história de 50 meninos negros de um orfanato do Rio que foram “adotados” por uma família integralista brasileira, os Rocha Miranda, e levados para o interior de  São Paulo para trabalhar como escravos.

O documentário acompanha a história de dois sobreviventes dos 50 meninos da Fazenda Cruzeiro do Sul, perto de Campina de Monte Alegre, interior de São Paulo. Em 1930, uma proeminente família da elite agrária paulista, integralista e nazista, adotou 50 jovens negros para trabalharem como escravos. O filme estreou na quinta-feira. Na Semana da Consciência Negra do SindBancários.

“O sentimento que fica é de revolta. Porque a gente deixou isso acontecer”, disse o diretor da Fetrafi-RS, Edison Moura, ao apresentar os debatedores. O diretor fez uma ponte entre a vida que os 50 meninos levaram sem remuneração e sem direitos e uma atividade realizada nas agências bancárias do Itaú. Segundo Edson, uma funcionário de uma das agências chegou a dizer que os negros não eram contratados pelos bancos porque eram menos preparados.

O quilombista e professor de História, Waldemar Moura Lima, o Mestre Pernambuco desafiou aqueles que assistiram ao filme a levantarem as mãos e confirmarem que eram machista “por odiar as mulheres” e racistas, por “detestar negros” na plateia. Ninguém levantou os braços nas duas ocasiões.  “O filme confirma o que já sabíamos. Temos consciência disso. Nos aponta para uma visão crítica de sociedade atual que mudou muito pouco. Piorou muito. Esses mesmos meninos que foram escravizados em uma fazenda  hoje são assassinados nas periferias”, avaliou Pernambuco.

Ísis Marques, secretária da Mulher Trabalhadora da CUT-RS, comentou sobre o impacto do filme e sobre a tarefa de instituições que lutam em defesa da luta dos trabalhadores. “Somos uma organização de trabalhadores que temos responsabilidades. O que o filme me trouxe foi a institucionalização da violência. Eram 50 crianças. Faz a diferença porque a dor do seu Argemiro e a revolta do seu Aloísio é a nossa dor e a nossa revolta. A segregação se institucionalizou”, ponderou.

O historiador José Antônio dos Santos reivindica pensar que o debate sobre se há racismo ou não na sociedade brasileira já deveria estar superado, uma vez que se trata de uma constatação.  “Já conhecia a história e a tese do historiador. É um filme bastante denso, opressivo. Nos remete para essa situação opressiva que os meninos viveram. Vivemos numa sociedade doente, numa sociedade que não discute o racismo. O filme nos traz elementos que n]ao só apontam para um passado de escravidão, mas de eugenia. Em 2016, ainda perdemos tempo. Deveríamos estar mais evoluídos e ainda precisamos pensar em questões como esta, de se há ou não racismo na nossa sociedade”, explicou.

O secretário de Combate ao Racismo da Contraf-CUT, Almir Aguiar, contou que viveu um caso de racismo quando era presente do Sindicado dos Bancários de Campos cidade do Estado do Rio de Janeiro. Em sua primeira assembleia, foi chamado de “macaco” por uma bancária de banco público. Processou-a. Almir também chamou a atenção para o desmonte das políticas públicas de ação afirmativa, como as cotas nas universidades públicas, que o governo Temer está se preparando para desmontar.  “Precisamos avançar junto aos bancos na contratação dos negros. São poucos negros na categoria bancária. O filme traz uma reflexão sobre a aceitação do negro pela sociedade. A forma de selecionar é jogando uma bala. O mais forte vai ser selecionado”, pontuou.

Crédito fotos: Carol Ferraz

Fonte: Imprensa SindBancários

 

 

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