Dirigentes sindicais cobram em Brasília explicações do presidente do HSBC sobre escândalos e venda de ativos

A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga depósitos externos de brasileiros no HSBC realiza audiência pública nesta terça-feira, 5/5, para ouvir o presidente da instituição financeira no país, André Guilherme Brandão. Além das acusações que recaem sobre o banco, bancários que trabalham no HSBC estão preocupados com um rumo que começou a ganhar corpo na semana passada. Os funcionários querem saber se é verdade que o HSBC quer vender seus ativos no Brasil e que tem oferta de compra do Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Santander.

Por isso o depoimento de Brandão está sendo considerado como uma oportunidade para os trabalhadores esclarecer o que há de verdade e o que não passa de especulação. Dirigentes sindicais vão a Brasília, nesta terça-feira, acompanhar sessão que tem início às 14h30, na sala 2 da Ala Senador Nilo Coelho. Os dirigentes sindicais, tanto da Contraf-CUT, da Fetrafi-RS e do SindBancários, têm atuado de modo a defender os empregos dos trabalhadores do HSBC. O banco não tem demonstrado interesse em esclarecer aos trabalhadores nem as acusações de escândalo financeiro nem o que há de verdade sobre a venda dos ativos.

“Há um clima de insegurança entre os colegas. O banco tem enfrentado denúncias de lavagem de dinheiro, é alvo de uma CPI no Congresso Nacional e se recusa a fornecer explicações para os colegas e para o movimento sindical sobre venda de ativos. Na semana passada, a diretoria se recusou a participar da reunião do COE HSBC. Nós, representantes dos trabalhadores, vamos continuar insistindo e lutando. Nossa tarefa é proteger os empregos e buscar informações para que nenhum colega se sinta vulnerável em seu local de trabalho”, diz o diretor do SindBancários e funcionário do HSBC, José Orlando Ribeiro.

Avaliação da COE é de que o momento é bastante delicado e que o clima nos locais de trabalho é de muita tensão, por conta dos boatos que surgem a todo o momento. “Não podemos aceitar que as mudanças que possam vir a ocorrer no banco prejudiquem os trabalhadores”, afirmou Cristiane Zacarias, funcionária do banco em Curitiba e coordenadora da COE HSBC (Comissão de Organização dos Empregados).

Na CPI

No depoimento marcado para esta terça-feira, o presidente do HSBC no Brasil, André Guilherme Brandão, deverá falar sobre a participação do banco no escândalo que ficou conhecido como Swissleaks, que envolve o vazamento de informações sobre milhares de contas secretas na filial suíça do HSBC — fruto de investigação de um consórcio internacional de jornalistas, em parceria com o jornal francês Le Monde.

O episódio envolve depósitos totais de mais de US$ 100 bilhões, mantidos em agência do HSBC em Genebra por cerca de 106 mil clientes de 203 países, referentes aos anos de 2006 e 2007. Dados divulgados pela imprensa indicam que o Brasil é o nono país com o maior valor depositado (US$ 7 bilhões) e o quarto maior em número de clientes no HSBC: foram localizados 8.667 brasileiros com contas no banco.

A CPI do HSBC é presidida pelo senador Paulo Rocha (PT-PA) e tem como vice-presidente o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP). O relator da comissão é o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES).

Fonte: Imprensa SindBancários, com Senado e Contraf-CUT

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