Dirigentes denunciam ataques a direitos dos bancários para entregar o Banco do Brasil e defendem um futuro com caráter público

Você já se imaginou em uma agência bancária sendo cobrado dia e noite por metas abusivas e não ter condições de atendê-las? Você já pensou que tem uma cláusula de acordo coletivo específico aprovada neste banco e que foi negociada entre trabalhadores e diretoria, mas que esta última distorce para não cumpri-la e enfraquecer o papel do banco? Pois então pense que a diretoria do Banco do Brasil tem feito funcionários adoecerem de tanto trabalhar, se sentirem fracassados e reduz o tamanho do atendimento do plano de saúde. Captou?

Para denunciar essa operação que, na verdade, é mais um capítulo do desmonte do Banco do Brasil para entregar a preço de banana um banco público que deveria estar sendo usado pelo governo Temer para amenizar ou combater crises, dirigentes do SindBancários e da Fetrafi-RS foram para a frente da mais reconhecida agência bancária do BB no Centro de Porto Alegre na manhã da quinta-feira, 18/10. Na Agência Rua Uruguai, o objetivo foi denunciar o ataque a diretos dos trabalhadores para desmontar o banco público no Dia Nacional Luta contra os descomissionamentos e em defesa da Cassi.

Por cerca de uma hora, dirigentes sindicais se alternaram na denúncia de que os descomissionamentos por meio da distorção da GDP significam mais um capítulo do desmonte do BB para o governo de plantão entregar para um banco privado internacional. Os dirigente também não deixaram de tocar em um ponto crucial: o segundo turno das eleições para presidente irá praticamente definir o futuro do primeiro banco criado no Brasil no século 18.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis. exaltou a correlação direta entre o golpe de 2016, os ataques aos direitos dos trabalhadores com a reforma trabalhista (Lei 13.467) e o destino que o governo Temer quer dar para as instituição públicas, como o Banco do Brasil. “A direção que se instalou depois do golpe de 2016 está desmontando o Banco do Brasil para vender a preço de banana. É importante nos mobilizarmos. Se hoje é o descomissionamento, amanhã é a privatização e a perda do emprego. Quando dizem que vão privatizar para investir em saúde, segurança e educação é balela. Quando venderam bancos públicos como o Banespa e o Meridional isso não aconteceu. Demitiram colegas nos dois bancos. De cada cem colegas, só dez ficaram trabalhando. Nós avisamos. O golpe nunca foi contra a corrupção. Sempre foi contra os trabalhadores”, discursou Gimenis.

 

O presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo, saudou a resistência dos trabalhadores do Banco do Brasil, dos dirigentes sindicais e anunciou que os tempos de agora são de luta e de disputa da narrativa. “Todos nós sabemos que o projeto deles visa entregar para os espertalhões o patrimônio público. O Banco do Brasil é a primeira instituição financeira do país. Estão tirando os prêmios dos trabalhadores. Vamos fazer o bom debate. Vamos botar essa gente que tira direito e quer vender o patrimônio público nos seus devidos lugares. Temos que esclarecer, lutar e nos organizar”, detalhou Claudir, finalizando com uma paráfrase a uma frase célebre do ex-presidente uruguaio, Pepe Mujica: “A única batalha que se perde é a que não se luta”.

Mais doentes e menos saúde

A diretora do SindBancários e funcionária do Banco do Brasil, Bia Garbelini, elogiou os colegas da agência Rua Uruguai que desceram para participar do ato. Doaram sua meia-hora de almoço para prestigiar o ato nacional e ouvir os dirigentes sindicais sobre as implicações que representa precarizar a Cassi e descomissionar os funcionários distorcendo os critérios de comissionamento da GDP. O Banco coloca os colegas numa situação absurda mesmo depois de a mudança de estatuto da Cassi ter sido rejeitada há cerca de três semanas em votação interna. “Por um lado, o banco quer tirar nossa proteção à saúde. Por outro lado, cobra metas abusivas e nos deixa ainda mais doentes”, comparou Bia.

Rogério Rodrigues, também diretor do Sindicato e funcionário do BB, chegou a ser interrompido quando estava com o microfone em punho e discursando. Um cidadão que quer ver o Banco do Brasil com as portas fechadas ou entregue para alguma instituição privada o interrompeu. Respondeu no ato que era importante que todos os cidadãos prestassem muita atenção no voto para presidente no segundo turno. Esse voto poderia decidir o futuro do Banco do Brasil. “Os descomissionamentos são orquestrados pela diretoria. Fazem parte da política de desmonte. O mesmo podemos dizer da política de terceirizações. É claro que os gerentes estão sendo orientados a descomissionar. Hoje, o bancário do BB se sente fracassado quando termina o seu turno de trabalho. Porque tem muita meta para cumprir e ele não consegue mesmo trabalhando mais”, explicou Rogério.

Números do desmonte

Aposentado do BB, o ex-dirigente sindical da Fetrafi-RS, Mauro Cárdenas, deu números ao desmonte que a atual diretoria vem fazendo à Cassi. O banco, segundo Mauro, não quer que a Cassi seja salva. Mauro fez o cálculo a partir do déficit da Cassi até junho deste ano. São cerca de R$ 360 milhões. Se fosse dividido entre os colegas cada bancário teria que pagar R$ 125 a mais por mês. “Quem deixaria de pagar esse valor para manter o atendimento da Cassi? Os colegas se propõem a pagar. A responsabilidade é do patrocinador. Ele tem a responsabilidade com os colegas de agora que trabalham no banco e com os do passado. O banco quer se livrar desse núcleo de pessoas. Está sendo preparado para ser privatizado”, comparou.

Ponta do iceberg

Para a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, funcionária do Banrisul, que também é alvo de desmonte para privatização pelo governo do Estado, o ataque é feito para transformar uma instituição com responsabilidade pública em uma instituição que só lucra. “Os descomissionamentos são a ponta do iceberg. Estamos vendo o ataque a direitos dos bancários. Na verdade, estão atacando a instituição Banco do Brasil. Uma instituição que é um instrumento de criação de políticas de desenvolvimento econômico e social”, pontuou Denise.

Direto ao ponto: eleições

O secretário de comunicação da CUT-RS e diretor do SindBancários, Ademir Wiederkehr, foi direto ao ponto. Traduziu no embate eleitoral de segundo turno, dando nome aos candidatos, aquele em que há maior chance de manter o caráter público e de indutor do crescimento econômico e social do Banco Brasil. Apontou o candidato Fernando Haddad como aquele com projeto político já testado e com compromisso de manter o Banco do Brasil do povo brasileiro e indutor do desenvolvimento econômico e social. “Os descomissionamentos são formas de deixar o banco pronto para a privatização. Temos bancos públicos que foram vendidos e as tarifas não baixaram, os juros não baixaram. Esse debate dos bancos públicos está presente nas eleições deste ano”, explicou o dirigente, se referindo às privatizações de bancos estatais nos anos 1990 (governo neoliberal de FHC).

Fonte: Imprensa SindBancários

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