Dirigentes debatem riscos ao Banrisul público na ALERGS

Após ameaças do governador de retirar plebiscito para privatizações do Banrisul e da Corsan, dirigentes sindicais realizaram reunião no parlamento para defender patrimônio público

Desde que o governador Eduardo Leite assumiu o Rio Grande do Sul em 1º de janeiro, uma virada no discurso passou a ameaçar o patrimônio público dos gaúchos com nunca antes. Se fosse só o discurso, mas ainda tem a prática. Ele quer acabar com o plebiscito para vender CRM, SulGas e CEEE e já anunciou que pode aprofundar ainda mais a venda de ações e processo de desmonte do Banrisul e da Corsan.

Quer dizer, a privatização sem plebiscito pode sobrar para o Banrisul e para a água dos gaúchos. Foi pensando nessa ameça renovada ao banco público dos gaúchos que dirigentes sindicais do SindBancários e da Fetrafi-RS estiveram na Assembleia Legislativa na manhã da segunda-feira, 15/4, para reunião com integrantes da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público. O assunto, com a assessoria do deputado estadual Zé Nunes (PT), foram os riscos que o Banrisul corre no cenário de visão privatista no Estado e no país.

Por certo, o avanço no processo de desmonte do Banrisul ganhou contorno mais nítidos quando o novo presidente Claudio Coutinho foi anunciado pelo governador. O homem do mercado ainda não pode assumir o Banrisul. Precisa passar por uma sabatina na Assembleia Legislativa e ter seu nome submetido à votação. Estranhamente, não se sabe ainda quando os parlamentares irão decidir sobre a nomeação para a posse.

O secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner, que também é funcionário do Banrsiul, fez um alerta para a necessidade de cuidar para não desgastar a imagem do banco público na crítica às políticas privatistas. “ao longo dos últimos governos, já realizaram três vendas de ações do Banrisul. Para eles, atacar a imagem do Banrisul facilita desmonte. Eles gostam de precarizar o banco, fechando agências e reduzindo o quadro para que, nas agências, os clientes comecem a reclamar do atendimento e digam que o melhor é vender mesmo pois o Banrisul não funciona”, alertou Luciano.

Políticas privatizantes

Gilnei Nunes, diretor de Comunicação do SindBancários e também funcionário do Banrisul, lembrou que é fundamental não descuidar do dia a dia do banco e levantou a possibilidade de haver empecilhos para o gestor nomeado assumir, como salários considerados baixos por altos diretores com posições em empresas privadas no mercado de ações, como é o caso de Claudio Coutinho. “Afinal, se não ficar o Coutinho, eles colocarão outro nome do mercado, com o mesmo perfil para desenvolver as mesmas políticas de desmonte para privatizar”, pontuou.

Sérgio Hoff, dirigente da Fetrafi-RS, enfatizou que o Banrisul tem um papel destacado como indutor nas políticas públicas estaduais, agindo em regiões e municípios gaúchos que bancos privados não costumam se interessar. “A cada vez que o governo vende lotes de ações em leilão, todo o Estado perde, pois os dividendos pagos anualmente ao governo estadual ficam sempre mais reduzidos a cada negociação de papéis para a iniciativa privada”, exemplificou.

Visão ideológica

Na mesma linha, o secretário-geral do SindBancários, Luciano Fetzner recordou que muitos pequenos municípios gaúchos têm apenas o Banrisul para bancarizar sua população e financiar o desenvolvimento local em áreas como agricultura, logística, construção de estradas, pavimentação de vias públicas e muito mais.

“E com tudo isso mostrou que um banco público pode ter alta lucratividade: em 2018, o Banrisul registrou um lucro de R$ 1,05 bilhão. Esta intenção de privatizá-lo, nem que seja aos poucos, é ideológica, pois não há uma justificativa real para isso”, concluiu.

Denise Falkenberg Corrêa, diretora de Saúde da Fetrafi-RS, completou: “Nada menos que 97% do PIB do estado passa pelo Banrisul. É por isso que ele desperta tanta cobiça”, disse.

O assessor parlamentar Marcelo Albuquerque, que coordenou a reunião preparatória ao encontro da Frente Parlamentar, afirmou que o risco sempre existe. “Mesmo que o governador diga que não vai vender o banco, pois foi promessa da campanha eleitoral, ele pode constituir um processo interno de desmonte. Neste ano, Leite já usou os R$ 49,27 milhões da venda de ações do banco para uso do caixa do governo estadual, apesar de ter afirmado que não iria fazer uso destes recursos sem ter projeto de investimento”, relembrou.

Fonte: Imprensa SindBancários

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