Dirigentes debatem mobiliário em reunião de teletrabalho com Banrisul

Condições para desenvolver atividades em home office devem garantir ergonomia em cadeiras, mesas e levar em consideração segurança dos Banrisulenses. Relatos de descadastramentos e perseguições a caixas foram levados a representantes do banco e preocupam

Quando a rodada de negociação permanente sobre teletrabalho começou entre a Comissão de Negociação do Comando Nacional dos Banrisulenses e representantes da diretoria do Banrisul, na terça-feira, 20/10, parecia que falar de cadeiras e mesas para os colegas trabalharem em casa seria algo fácil e sem complicações. No entanto, a vida prática do home office traz inúmeras complexidades. Ademais, os dirigentes abriram a reunião denunciando descadastramento de caixas e assédio moral para adesão ao PDV do Banrisul que já encerrou período de inscrições.

A complexidade começou quando a representação do banco trouxe três questões acerca das cadeiras. Como o banco pode fazer chegar até a casa de quem está em teletrabalho um utensílio que pode causar ou evitar doença dependendo de muitos fatores? Afinal, perguntou  representante da diretoria, os banrisulenses vão levar a cadeira da empresa para casa, o banco compra a cadeira e manda para a casa do(a) trabalhador(a) em regime de comodato ou cada um compra a sua própria cadeira em fornecedor indicado pelo banco e é reembolsado com o valor depositado diretamente na sua conta?

Os dirigentes firmaram consenso de que o modelo deve ser o escolhido pelo banco e que a exigência dos representantes dos trabalhadores é que haja condições de trabalho para o desenvolvimento das atividades laborais em casa.

Mas havia outra questão. O banco referiu que o mercado estava fornecendo cadeiras mas não as mesas. Então, os dirigentes lembraram que é obrigação dos bancos fornecer todos os equipamentos para o trabalho.

“Nas nossas reivindicações junto a Fenaban, propusemos que o empregador tem que oferecer tanto a parte de equipamentos (como computador) quanto a cadeira e a mesa. É o que acontece no banco. Temos a preocupação de que o banco compre a melhor cadeira do mundo e o trabalhador tenha a condição de trabalhar na mesa da cozinha em casa. O banco deve fornecer um equipamento ergonômico e padronizado”, salientou o presidente do Sintrafi de Florianópolis e Região, Cleberson Pacheco Eichholz.

Então, o representante do banco voltou afazer considerações. Propôs que o Banrisul identificasse determinado número de fabricantes e variação de tipos de cadeiras. Quanto à mesa, o banco entende que a cadeira poderá se adaptar à mesa de casa e que espera que os empregados do Banrisul não usem o sofá para trabalhar.

A diretora da Fetrafi-RS, Ana Maria Betim Furquim, lembrou os representantes que a questão da cadeira e da mesa são muito variáveis, dependem de onde cada colega mora. “Tem colegas usando mesa que é da família. Já que quer colocar a empresa dentro da casa da pessoa, precisa dar a condição adequada. O escritório em casa tira o espaço de familiar. Além da cadeira, precisa ter uma mesa que dê condição de a pessoa ficar ali trabalhando duas, três ou quatro horas direto”, afirmou Ana Maria.

Responsabilidades e direitos

O diretor da Fetrafi-RS, Sergio Hoff, retomou o tema da responsabilidade, tratado na reunião da terça-feira, 13/10. “Tudo aquilo que for possível devemos colocar como responsabilidade do banco. O fornecimento de equipamentos é de responsabilidade do banco. A escolha e o fornecimento devem ser de responsabilidade do banco. A conservação é de responsabilidade do(a) trabalhador(a). Qualquer mudança vai gerar turbulência. Mas o banco tem que atender as regras e preservar a saúde”, disse Sergio.

Em resposta a uma questão colocada por representante do banco, os dirigentes lembraram da questão legal em relação à mesa. Além de referir que “o mercado não tem fornecido a mesa na pandemia” mas sim a cadeira, representante do banco chegou a questionar os dirigentes sobre o número de Banrisulenses que não tinham espaço em casa para “mais uma mesa”.

Ao que o assessor jurídico da Fetrafi-RS, Milton Fagundes, conectou a construção do acordo coletivo de teletrabalho com a responsabilidade do empregador em prover as despesas com o trabalho. “A lei diz que o ônus do custo do trabalho é do empregador e não do trabalhador. Até existe a possibilidade de as pessoas não terem espaço para colocarem uma mesa em casa. Mas a mesa também é uma responsabilidade do empregador. Alguns colegas podem não ter espaço em casa para mais uma mesa, mas isso se regula no acordo. Aquele empregado que queira a mesa, avisa. O que não quer, também avisa”, detalhou Milton.

Na mesma linha, o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, fez questão de lembrar a correlação que existe entre saúde e produção de resultado e leu o artigo 75 E da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) sobre o investimento em esclarecimento e precaução e do papel de o banco “instruir, de forma ostensiva”, como diz o artigo referido, sobre a importância de o(a) trabalhador(a) cuidar da saúde. “É bom para o empregado que não quer ficar doente e é bom para a empresa que precisa do trabalhador. Tem pessoas que têm um escritório em casa. Outros que moram numa quitinete e não têm uma mesa. Vai ter empregado que vai precisar de mesa e empregado que não vai precisar. Então, o debate não pode ser estanque”, avaliou Luciano.

Segurança e mesa rotativa

O próprio banco tem dito que está satisfeito com a adaptação dos empregados e com o rendimento durante a pandemia. Imagina se a condição de trabalho melhorar ainda mais. Então, o banco anunciou que pretende combinar trabalho remoto e presencial como está sendo aplicado. Seria algo como alguns dias da semana em casa e outros dias trabalhando presencialmente.

Mas aí surge outra questão. O banco anunciou que pretende instituir a “mesa rotativa”. Ninguém terá uma mesa fixa nas dependências do banco. Chega no local de trabalho, abre o notebook e começa a trabalhar. O banco refere que essa questão deve variar de acordo com a área e que há uma empresa de benchmarking levantando dados para apresentar um estudo global.

Agora, imaginemos um colega que mora na Região Metropolitana e tenha que pegar ônibus ou metrô para chegar ao seu local de trabalho. Vai ter que levar o notebook no ônibus em uma mochila. A preocupação dos dirigentes é que ele vire um alvo de criminosos.

“Lembro do tempo em que os caixas eram os responsáveis pelo abastecimento dos caixas eletrônicos. Não demorou muito para que os assaltantes soubessem, e os colegas virassem alvo de assalto”, ponderou o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner.

“Levar o equipamento de casa para o trabalho é um risco. Se o banco for comprar e entregar para o colega trabalhar em casa e for preciso se deslocar com o equipamento, tem que fazer um seguro contra roubo. Não pode a pessoa ser responsabilizada”, acrescentou Sergio Hoff.

A diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa, reforçou a questão da visão dos dirigentes de que o banco deve fornecer todos os equipamentos e expôs sua preocupação com a segurança. “É um problema carregar o notebook de casa para o trabalho. Se cai uma chuva e molha tudo? Esse vai e vem precisa ser reduzido ao máximo”, asseverou.

PCDs

Por uma questão de justiça e de representatividade, os diretores fizeram um pedido especial aos representantes do Banrisul na mesa de negociação. Que as Pessoas com Deficiência (PCDs) fossem lembradas e consideradas no Acordo Coletivo de Teletrabalho. “Temos um grupo grande de empregados PCDs. Nós também precisamos debater a condição de trabalho em home office desses colegas. Temos que tratar o tema com muito carinho”, referiu Luciano Fetzner.

A representação do banco se comprometeu em tratar o tema de forma atenta.

A próxima reunião sobre teletrabalho será na terça-feira, 27/10. O tema será o uso do telefone celular.

Caixas

Antes de a reunião da terça enveredar pelo rumo do debate do tema teletrabalho, logo no início, os dirigentes fizeram denúncias graves sobre  práticas de assédio moral “violento” direcionado a colegas que desempenham funções de caixa. Os dirigentes reivindicaram uma reunião sobre a situação dos caixas. O banco aceitou conversar por videoconferência na quarta-feira, 28/10, a partir das 11h.

Não é de hoje que o Banrisul anuncia que os caixas constituem uma função em extinção. Tanto que, no acordo Coletivo de Trabalho específico do Banrisul, há previsão de o banco prover treinamento para preparar os colegas a desempenharem outras funções. Trata-se de uma tendência no setor financeiro o aumento do volume de transações eletrônicas com redução da mediação dos caixas.

Porém, durante a vigência do período de inscrições para o Plano de Demissão Voluntária (PDV) do Banrisul, encerrado em 15/10, caixas foram submetidos à humilhação e foram pressionados a aderir ao desligamento, segundo denúncias recebidas pelos dirigentes.

“Já havia falado antes e não adiantou. Vocês não estão controlando o pessoal. Os colegas são constrangidos diversas vezes. Colegas são chamados diversas vezes por dia na mesa do gerente por constrangimento. Estão descadastrando colegas caixas e recadastrando como caixas eventuais”, explicou Denise Corrêa.

Para o presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, há duas situações em relação ao descadastramento dos caixas. Uma é do colega que vai deixar de ser caixa por questões de mercado, tecnologia e de comportamento de cliente. A outra é “por maldade”.

“Tem a decisão do banco de reduzir o número de caixas. Somos contra isso, mas é decisão do banco. Outra coisa é sair de férias e voltar como caixa eventual e desempenhar as mesmas funções de caixa”, lamentou.

O banco anunciou o compromisso de iniciar os cursos de requalificação em novembro.

Fonte: Imprensa SindBancários

 

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