Dirigentes cobram respeito a acordo sobre caixas do Banrisul

Em reunião por videconferência, representantes dos Banrisulenses relataram casos de assédio moral, utilização generalizada de caixa eventual e descumprimento de cláusula do Acordo Coletivo

Caixas que foram chamados a todo o momento na mesa do gestor na frente de todo mundo com o claro objetivo de constrangimento. Gestores que deram o papo reto durante o processo de PDV para colegas que exercem a função de caixa: ou aderia à aposentadoria voluntária ou ia perder a quebra de caixa. Sem contar a prática generalizada de caixa eventual que ocorre dentro do Banrisul e não é de agora.

Essas e muitas outras questões foram levadas aos representantes da diretoria do Banrisul na reunião por videoconferência da quarta-feira, 28/10, pela Comissão de Negociação temática do Comando Nacional dos Banrisulenses. Em linhas gerais, na reunião temática sobre caixas, os dirigentes apresentaram denúncias de casos de assédio moral e insistiram com firmeza na urgência de o banco alterar uma cultura em relação ao Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), construído em muitas mesas de negociação.

Em resumo, os acordos são construídos com investimento das entidades representativas dos Banrisulenses e do próprio banco, mas na ponta do sistema são interpretados pelos gestores conforme conveniências pessoais ou de gestão. Essa prática, na avaliação dos dirigentes do SindBancários, da Fetrafi-RS e de Sindicatos do Interior, causa inúmeros problemas por gerar ruídos e muito retrabalho.

“A teoria é muito bonita. Os textos dos acordos são bem feitos, bem tecidos e com boas intenções. Só que chega na ponta do sistema, e os colegas acham que podem interpretar. E essa interpretação ocorre no interesse do banco. E por que não cumprem a regra? Porque não há reflexos na carreira da pessoa que descumpre”, avaliou o diretor da Fetrafi-RS, Sergio Hoff.

Entenda-se. Desde que o ACT do Banrisul foi assinado com a inédita cláusula 39, exclusiva para o caso dos caixas – função em processo de redução drástica por conta das tecnologias de portabilidade nos bancos – o comportamento de alguns gestores se direcionou no sentido de realizar maldades.

Quando a norma foi anunciada, muitos deles correram para descadastrar caixas fixos. Afinal, eles (os gestores) são embretados a lidar com as variáveis que formam os parâmetros das metas estabelecidas na GMD. Reduzir caixas é uma delas. E o que fizeram? Descadastraram caixas fixos para recolocá-los na mesma função, mas agora como caixas eventuais. Assim, reduzem quebra de caixa e outras verbas e atingem a meta da GMD.

Os representantes do banco na reunião reiteram que têm tomado medidas para conter essa prática. Já faz algum tempo que os gestores não podem mais nem credenciar, nem descredenciar caixas. Mas o problema é que ficam pontas soltas. E aqueles que foram descredenciados e ainda abrem e fecham caixas, além de fazerem serviços de tesouraria?

O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, acrescentou outra questão, a saber, a cultura de cobrança assimétrica que o Banrisul aplica. “O debate sobre a diferenças de tratamento dado a subordinados e gestores não é novo. Sempre resgato o caso de quando havia uma onda de convocações do pessoal para a agência meia hora antes do horário normal de trabalho, para reunião de briefing, dizendo-se para não bater o ponto. Bastou algumas advertências que acabou o problema. Esses casos dos descadastramentos só devem ocorrer quando a pessoa deixar de fato de exercer a função de caixa e for para a requalificação. Essa é a regra estabelecida. Cumpra-se”, reiterou.

A diretora da Fetrafi-RS, Ana Maria Betim Furquim, contou que determinado gestor chegou a dizer que ia retirar a função e a quebra de caixa de um colega se este não aderisse ao PDV, cujo prazo se encerrou em 15 de outubro. “Para nós, caixa é caixa. Mesmo sendo caixa por um dia. O sistema financeiro está extinguindo esse setor. Tem que ficar claro se o caixa eventual será uma política no Banrisul”, questionou Ana.

Instrução normativa e revisão

Os representantes do banco explicaram que a orientação para os gestores é de sempre cumprir os acordos coletivos. E que a cláusula exclusiva do ACT 2020 (de número 39) estabeleceu que o banco tem que desligar os caixas, indenizá-los e requalificar para que possam ser aproveitados em outra função.

A providência de não permitir mais que os gestores descadastrem, segundo o banco, caminha na direção de normatizar os desligamentos para que o caixa possa ser integrado aos cursos do Horizontes – Programa de Capacitação para Egressos da Função de Caixa da Universidade Corporativa do Banrisul.

“Sabemos que a vida real, muitas vezes, foge ao regramento que construímos conjuntamente na mesa de negociação. Assim que a negociação terminou, os gestores começaram a descredenciar os caixas sem esperar os cursos de requalificação começarem. Nas agências, estão tirando os caixas fixos e transformando em eventuais. Teve também muito assédio moral. Outra prática é retirar o caixa fixo por algum período e voltar a colocar em caixa eventual”, denunciou a diretora da Fetrafi-RS, Denise Falkenberg Corrêa.

Programa de requalificação dos caixas

Na reunião da quarta, dois colegas ligados à Universidade Corporativa do Banrisul apresentaram o Horizontes – Programa de Capacitação para Egressos da Função de Caixa. Basicamente, a plataforma oferece cursos à distância e workshops por meio do sistema de formação por trilhas.

Essas trilhas se ramificam em cursos de requalificação de caixas para negociação, crédito para o agronegócio, recuperação de crédito (pessoa jurídica) e atendimento. O calendário prevê o fechamento da grade dos cursos até a sexta-feira, 30/10, e o lançamento de um vídeo em 13/11. Uma webinar, marcada para 18/11, será o evento de lançamento oficial.

Os cursos têm carga horária de 20 horas a 136 horas e só poderão ser realizados pelo público-alvo dentro do horário normal de trabalho.

O banco também anunciou que o público-alvo será de 88 colegas que deixam de exercer as funções de caixa. O perfil desses colegas mostra que 75% estão há menos de 17 anos na empresa, enquanto 25% já trabalham há mais de 30 anos no Banrisul.

Os dirigentes sindicais fizeram um novo pedido durante a apresentação. Que o banco levasse em consideração para a qualificação os colegas que foram descredenciados como caixas há mais tempo e que os cursos fossem abertos também a dirigentes sindicais com interesse em qualificarem-se.

O banco respondeu que tem ciência de que há um “estoque” de colegas que deixaram de exercer as funções de caixa em anos anteriores e que pretende e já estuda a disponibilização dos cursos de requalificação para “mais pessoas”.

Ana Maria da Silva (SEEB Lajeado), Gerson Kunrath (SEEB São Sebastião do Caí) e Cleberson Pacheco Eichholz (presidente do Sintrafi de Florianópolis e Região) compuseram a representação dos dirigentes sindicais na mesa temática, junto com o assessor jurídico Milton Fagundes.

Além do negociador Fernando Perez, participaram da reunião, como representantes da diretoria do Banrisul, o Superintendente de RH, Gaspar Saikoski, o assessor jurídico, Raí Mello, Lisiane Luchesi (gerente executiva da Universidade Corporativa do Banrisul) e Marcelo Britto (analista do Programa Horizontes da Universidade Corporativa do Banrisul).

Temas da próxima reunião, terça-feira, 3/11

> Eleição de delgados sindicais

> Debates sobre acordo de ponto eletrônico

> Acordo para acesso dos dirigentes sindicais às plataformas de gestão

> Banco de Horas

> PDV

> Sistema de avaliação

Fonte: Imprensa SindBancários

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