Diretoria do Banrisul toma partido, defende o impeachment e o ataque aos direitos dos trabalhadores

Na edição número 34 do Informativo Afinidade, de abril, dirigido aos clientes do Banrisul, a diretoria do banco tornou público seu posicionamento contra a democracia e a favor do golpe nos direitos dos trabalhadores, nesta semana. Na seção “Ambiente econômico”, o banco apresenta uma tese absurda sobre a responsabilidade da crise financeira do país. Primeiro, diz que a recessão é mundial, sobretudo em relação às expectativas de crescimento “para baixo” “nas nações desenvolvidas”. Mesmo aventando a tese de que há uma recessão que afeta todos os mercados e que ela pode ser aprofundada, diz que no Brasil há uma considerável perspectiva de melhora por conta dos avanços da Operação Lava-Jato e do “aumento das chances de interrupção do mandato presidencial”.

Ora, o Brasil e sua economia não estão descolados do contexto mundial de recessão. Então como se sustentaria uma tese que atribui um aprofundamento da crise “na economia norte-americana (…) particularmente do setor industrial, têm apontado e enfraquecimento da atividade”? Como muitos economistas sabem e repetem à exaustão, fatores políticos não estão totalmente relacionados a enfraquecimento estrutural de uma economia como a brasileira. Portanto, é falsa a tese de que a economia vai melhorar se a presidenta Dilma Rousseff for retirada da presidência da República.

Confira abaixo o trecho do informativo e sua tese absurda:

“Por aqui, a cena política segue determinando o clima dos negócios. Desta vez, contudo, instalando um tom positivo frente ao avanço das investigações no âmbito da Operação Lava-Jato e ao aumento das chances de interrupção do mandato presidencial, o que repercutiu em considerável apreciação do Real frente ao Dólar e em valorização do Ibovespa, principal indicador do desempenho de nosso mercado acionário”, diz o documento.

O secretário-geral do SindBancários e funcionário do Banrisul, Luciano Fetzner, aponta contradições evidentes em relação à tese de impeachment e de crescimento econômico. “Primeiro, o Banrisul não pode ser usado como um instrumento político e partidário  para atacar governos eleitos democraticamente. Segundo, a tese de que a possibilidade de um impeachment melhora as condições da economia brasileira não se sustenta. Afinal, a presidenta Dilma continua presidenta num cenário que é de recuperação ou de aumento da recessão? Porque o banco fala em economia mundial em crise como se o Brasil fosse de outro planeta e não sofresse os efeitos da recessão como nos Estados Unidos, na Europa e na China, seus maiores parceiros econômicos”, afirmou Luciano.

Outras variáveis equivocadas do documento

Após fazer uma correlação entre a economia internacional em recessão e o impeachment como salvação para o Brasil, o informativo utiliza a mobilização de setores da sociedade em bairros de classes média e alta das cidades como “a maior manifestação da história do Brasil”. Segue o informativo, aludindo à “indignação com os escândalos de corrupção envolvendo importantes autoridades do país”. Essa segunda ideia do trecho reproduzido acima, pode-se dizer, falseia a verdade dos fatos históricos por omissão. Em primeiro lugar, houve também uma grande mobilização e continua havendo para denunciar que grande parte dos agentes políticos que querem o impeachment são também investigados pela Operação Lava-Jato, sendo o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o principal artífice . Cunha é citado em todas as listas envolvendo corrupção dentro e fora do Brasil.

O documento do Banrisul também cita o que chama de manobra do governo federal para manter o presidente Lula como ministro, sem sequer mencionar que ele não pôde ser nomeado por medida judicial impeditiva. É importante deixar claro que o SindBancários não coaduna e não defende corruptos. Todos que cometeram crimes devem ser punidos. E, de fato, a Constituição de 1988 prevê o processo de impeachment, mas desde que haja crime de responsabilidade.

“É um absurdo atrás do outro o conteúdo do informativo do Banrisul. É uma contradição atrás da outra. Primeiro diz que tem uma crise mundial porque o ritmo da indústria dos países desenvolvidos está diminuindo e não tem perspectivas de melhorar. Depois, fala que o impeachment vai salvar o Brasil que está inserido num contexto mundial. Agora, o final do documento é uma piada. Fala que o PIB caiu por culpa do cenário político de falta de confiança, mas diz que a inflação está em queda o que é muito bom”, avaliou o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Na verdade, o Banrisul deixou por último a melhor notícia para seus clientes, de que a inflação em queda garante maior consumo e maior emprego. “É uma contradição, um ataque à inteligência dos clientes do Banrisul este documento. Ora, o Banrisul vem lucrando muito como banco público, graças à competência dos bancários e por conta da economia interna favorável nos últimos anos. Trata-se de mais uma peça política do atual governo do Estado. O Banrisul não pode ser braço político de governos com sérios problemas de competência em atender às necessidades dos gaúchos. Nós aqui do Sindicato defendemos a tese de que o impeachment é uma cortina de fumaça para retirar nossos direitos de trabalhadores. A atual diretoria do Banrisul acaba de formalizar pública e equivocadamente uma posição política que ajuda a atacar direitos que os trabalhadores e, sobretudo os bancários, lutaram muito para conquistar ”, advertiu o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Leia aqui os 55 projetos de Lei que tramitam no Congresso Nacional e que têm o impeachment como cortina de fumaça para atacar direitos dos trabalhadores

Fonte: Imprensa SindBancários

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