Desemprego em alta condena reformas

Promessas de milhões de novos empregos com reforma trabalhista e terceirização não se concretizam e mostram que é melhor a Previdência continuar como está

Primeiro, foi aquela conversa de que a reforma trabalhista e a terceirização em 2017 iam gerar 2 milhões de empregos no Brasil em um ano. E o desemprego continua praticamente o mesmo de dois anos atrás em 12%, como anunciado pelo IBGE, na quinta-feira, 28/2. E agora estão falando só em reforma da previdência: com tudo que tem acontecido com a nossa vida de trabalhador, não dá pra acreditar nas promessas nem nas reformas.

Vamos lembrar o que o ministro do Planejamento, Henrique Meirelles, do então governo Michel Temer, disse sobre a reforma trabalhista e a terceirização em 2017. Veja bem que a reforma trabalhista foi aprovada no Senado Federal em julho daquele ano e passou a valer em novembro. O ministro chegou a dizer que reforma trabalhista e terceirização iriam produzir 6 milhões de empregos de 3 a 5 anos.

Temer também disse que haveria 2 milhões de novos empregos em um ano. Nas contas do ex-ministro que chegou a ser candidato a presidente, haveria entre 2 milhões e 1,2 milhão de novos empregos por ano. O tiro de canhão não passou de um traque.

Chegamos agora em janeiro de 2019, com 12,7milhões de desempregados. Do último trimestre de 2018 para janeiro, passou de 12,2 milhões (11,6%) de desempregados para 12,7 milhões, quase 500 mil trabalhadores perderam o emprego.

.: Principais pontos da Reforma da Previdência

Sem carteira assinada e terceirizado

Mas e a terceirização? Pois é. Não resolveu o desemprego pelo que os números acima mostram. É óbvio. Mas está criando um exército de trabalhadores desprotegidos. É claro que as grandes redes de comunicação, como TV Globo, Bandeirantes, Record e SBT, e os grandes empresários, como os banqueiros, acham que terceirizar é uma boa.

Por isso eles falam bem dos 23,9 milhões de trabalhadores por conta própria exaltando como recorde.

O IBGE diz que a taxa de subutilização da força de trabalho (lembra que a terceirização e a reforma trabalhista permitem o trabalho intermitente e contrato sem carteira assinada?) ficou em 24,3%, representando 27,5 milhões de brasileiros subutilizados. São 209 mil a mais do que no trimestre anterior (os últimos três meses de 2018).

Se compararmos com o ano passado, esse contingente de trabalhadores sem proteção cresceu 2,5%. São 671 mil pessoas precarizadas a mais.

Terceirização + desemprego = reforma da previdência

Mas o que o Sindicato quer juntar tudo isso com a reforma da previdência apresentada pelo governo Bolsonaro em 20 de fevereiro passado/2? O que isso tem a ver com reforma trabalhista e desemprego? Tudo, ora.

Uma delas é que o atual ministro da economia, Paulo Guedes, está dizendo algo muito parecido sobre a reforma da Previdência ao que Temer e o ministro dele disseram sobre as reformas que fizeram: eles falar em vantagens.

Tipo, que a reforma da Previdência vai ser boa para os trabalhadores, embora aumente o tempo de contribuição e reduza salários.

Salário maior, crise menor

Guedes também apresenta como vantagem que vai economizar R$ 1 trilhão em 10 anos. Elementar, meu caro ministro, tirar todo esse dinheiro da aposentadoria é o mesmo que retirar dinheiro do bolso do trabalhador. É menos dinheiro pra consumo e mais crise. Melhores salários reduzem crises.

Quando o desemprego aumenta, os jovens demoram mais tempo para ingressar no mercado de trabalho. Com mais demora para se aposentador, os trabalhadores com mais idade demoram mais tempo para deixar o mercado de trabalho. De novo, vai ter menos oportunidades para jovens começarem a ingressar no mercado de trabalho e vai ter mais desemprego.

Mais desemprego significa menos dinheiro no mercado de consumo e menos negócios. O consumidor deixa de investir em títulos de capitalização, para de comprar produtos e serviços financeiros e o bancário passa a ter mais dificuldade para atingir seus objetivos de negócios. Ganha menos em remuneração variável (RVs).

Reformas não adiantam

E mais: está na hora de dar a real e dizer o que a grande mídia esconde. Essas reformas não resolveram a vida do trabalhador. Melhores salários para trabalhadores e aposentados fazem a diferença. Essas reformas dos últimos dois anos fizeram o PIB do país crescer só 1,1% em 2017 e 2018.

E isso que o PIB saiu bem de baixo, de crescimentos negativos de 3,5% e 3,3%, respectivamente, em 2015 e 2016. Os últimos dois anos não recuperaram as perdas. E o salário mínimo está em R$ 998 quando deveria estar em pouco mais de R$ 1,2 mil. Vem menos crescimento aí, é quase certo.

As reformas que vieram para fazer o Brasil crescer e prosperar provam que eram só promessas e que são desnecessárias. Pagar melhor o trabalhador é a melhor vacona contra qualquer crise. Resta aos trabalhadores lutarem por direitos e contra uma reforma da Previdência que deforma a economia e as nossas vidas presentes e futuras.

Fonte: Imprensa SindBancários

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