Desembargador quer ampliar conscientização da sociedade para abusos sobre bancários, a partir de pesquisas apresentadas no Sindicato

“O resultado dessas pesquisas aqui apresentadas mostra uma situação de plena injustiça no setor do trabalho bancário, que termina por afetar a mente das pessoas. E quando a mente vai mal, todo o resto sucumbe”. A constatação é do desembargador Raul Sanvicente, coordenador regional do Programa Trabalho Seguro (PTS), do Tribunal Superior do Trabalho. Após ouvir a apresentação das pesquisas “Métodos de Gestão e Adoecimento dos Trabalhadores: o caso dos bancários do HSBC em Curitiba” e “Trabalho e Saúde Mental da Categoria Bancária do RS”, na sexta-feira passada, 18/09, na sede do SindBancários, Sanvicente relatou os objetivos e o andamento do Programa Trabalho Seguro.

Adoecimento Bancário

“Dentro do Programa Trabalho Seguro, do TST, trabalhamos com temas anuais, que já foram Construção Civil, Transportes, Trabalho Rural, e hoje é Acidentes com Máquinas”, relatou o desembargador. “Mas em 2016 queremos adotar o tema Adoecimento Bancário”, completou. Para Raul Sanvicente, as informações absorvidas das pesquisas (respectivamente, a cargo de Jane Gizzi, de Curitiba, e de Mayte Amazarray, de Porto Alegre) são muito uteis. “Vamos direcionar estes dados para o nosso público interno – juízes, servidores da Justiça, peritos – para aumentar a sua percepção do problema, e da necessidade de melhorar a qualidade das perícias, entre outras questões”.

Norma Reguladora

Ele lembrou da Norma Reguladora 12, aprovada em 2010 por uma comissão tripartite – formada pelo TST, trabalhadores e empregadores – que normatizava os cuidados com segurança para acidentes com máquinas.

“Não é o caso dos bancários, mas era uma norma modernizadora e detalhada, que entraria em vigor em cinco anos”, diz Sanvicente. “Só que, agora, em 2015, os patrões encaminharam ao Congresso Nacional uma solicitação para cancelar a Norma. A classe dos empregadores desistiu do consenso, e o resultado é que hoje não há qualquer normatização do uso de máquinas que podem continuar mutilando e matando pessoas”, exemplificou.

Empresariado não reconhece problemas

“Então, eu fico preocupado: qual é a disposição da classe empresarial e dos banqueiros de realmente reconhecerem os problemas que as pesquisas aqui apresentadas confirmam?”, questionou o desembargador. No entanto, garantiu: “A nossa parte de trazer esclarecimentos, aprimorar decisões judiciais e fazer com que as perícias sejam melhores, ampliando a conscientização do conjunto da sociedade, nós do Programa Trabalho Seguro do TST vamos continuar fazendo”.

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