Depois de assalto, Santander cobra ação de segurança dos bancários ao terceirizar assédio

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O banco Santander adotou uma postura que não é só condenável como constitui uma terceirização do assédio moral. Depois que a agência localizada na rua Vicente da Fontoura, próximo à avenida Protásio Alves, bairro Santa Cecília, em Porto Alegre, foi assaltada por três criminosos armados, na terça-feira, 13/1, um agente de uma empresa privada de segurança cobrou atitude dos funcionários, na sexta, 16/1. Por mais surreal que pareça, esse representante dessa empresa queria que os bancários tivessem obedecido algumas regras de segurança para as quais nem treinamento receberam.  O Santander está terceirizando a pressão e o assédio moral.

 

A cobrança ocorreu numa reunião em que participaram dois dirigentes e uma psicóloga do SindBancários, com os colegas bancários da agência assaltada, na sexta-feira, 16/1. “Estivemos nessa reunião e achamos um absurdo o que ouvimos. Assim que o especialista começou a dizer o que os trabalhadores teriam que ter feito para prevenir o assalto, percebemos que a estratégia era de culpar os trabalhadores pelo assalto. Havia uma cobrança porque os funcionários não tinham tomado algumas atitudes para as quais não receberam treinamento”, contou o diretor do Sindicato, Ernesto dos Santos.

 
A reunião foi absurda, pois mostra a preocupação que o banco tem em defender o patrimônio em detrimento à vida dos trabalhadores. “A responsabilidade da segurança é do banco. Os trabalhadores já têm que se preocupar com um grande volume de trabalho, com as metas abusivas e ainda têm que saber sobre como defender uma agência de três homens armados?”, questiona o diretor do SindBancários, Sandro Rodrigues.

 
A resposta para a pergunta acima é um grande NÃO. Só o que faltava o banco terceirizar o assédio moral. Ainda mais que o clima na agência, quatro dias depois, era de medo. Bastou o agente da empresa de segurança privada dizer que os funcionários eram culpados pelo assalto (ou, no mínimo, dar a entender que o banco pensava assim) para que colegas se assustassem. Durante a reunião, colegas chegar a chorar. Além disso, até mesmo um vigia não pôde trabalhar porque não tinha condições psicológicas.

 
“A insensibilidade do banco é preocupante para dizer o mínimo. Os colegas já vivem o pavor de sofrer um sequestro de uma hora para outra. Muitos têm filhos para criar, desempenham várias funções, se dedicam ao banco e o que recebem é assédio moral. Só o que faltava o Santander agora cobrar metas de defesa de assalto na agência”, diz o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

 
O SindBancários continuará acompanhando os desdobramentos desse caso de assédio moral terceirizado e autorizado pelo Santander. Vamos pressionar. A pressão já deu resultado. o banco, nesta segunda-feira, 19/1, se comprometeu com a emissão da Comunicação de Acidente de Trabalho (CAT). O Sindicato continuará monitorando e já estudamos uma medida judicial, caso o banco não cumpra a lei.

 

O Sindicato não aceitará e vai lutar para que o esse caso não vire uma prática. O modus operandi do assalto demonstra uma prática e um investimento que falta na maioria dos bancos. O trio de criminosos chegou na agência por volta das 8h30, rendeu um bancário. Se um profissional de segurança ficasse com a chave da agência, como o SindBancários cobra e defende, as chaces de assalto se reduziriam. E o banco não precisaria fazer os funcionários sofrer ainda mais depois de viverem um dia de muita tensão e medo.

 

Fonte: Imprensa SindBancários

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