Depois da chantagem com segurança, novo pronunciamento de Sartori expõe incompetência e falta de alternativas para gestão pública decente

O governador José Ivo Sartori expôs, nesta quarta-feira, 5/4, em mais um triste capítulo da história das administrações do Estado do Rio Grande do Sul nova face de sua forma de fazer gestão durante pronunciamento transmitido na página oficial do governo do Estado direto do Palácio Piratini. Se alguém tinha dúvidas do despreparo, da total falta de talento para a comunicação e da incompetência de um homem que só repete os mesmos mantras do remédio amargo da austeridade, passou a ter motivos para dizer que Sartori será uma figura patética na história dos gaúchos. Depois de chantagear os deputados estaduais da Assembleia Legislativa, na segunda-feira, 3/4, dizendo que só vai realizar novos concursos para a segurança pública se os parlamentares derrubarem o plebiscito e autorizarem venda de empresas públicas, ele voltou a ameaçar.

Crise, Crise, Crise. O mantra segue sendo o mesmo e se tornou o símbolo de uma gestão nanica. Não há iniciativa de resolver o tão retomado, requentado e dito tantas vezes problemas financeiros do Rio Grande do Sul sem que o governador repise na sua estratégia monocromática. Ele quer, de qualquer maneira, que os deputados estaduais aprovem a derrubada de obrigatoriedade de plebiscito para vender CRM, Sulgás, CEEE. E qual a estratégia que usou nesta quarta-feira, 5/4? Falar mal justamente das empresas que precisa vender ou federalizar para poder participar da farsa que é o Regime de Recuperação Fiscal, o PL 343/17, assinado pelo ministro da Fazendo Henrique Meirelles, e enviado à Câmara dos Deputados pelo presidente ilegítimo Michel Temer, durante o Carnaval.

Sartori sabe que o pacotaço privatista que enviou para a Assembleia Legislativa com derrubada de obrigatoriedade de plebiscito para privatizar a CEEE, Sulgás e CRM, será de difícil aprovação. Ele precisa de 33 votos em duas sessões para alterar o artigo 22 da Constituição Estadual. Como sua base começa a se descolar da imagem de incompetência de sua administração – o PDT anunciou que vai sair do governo em 10/4 –, o desespero bateu à porta do Palácio Piratini. Depois da chantagem com o medo dos gaúchos que ele provocou, levando Porto Alegre a ocupar a 50ª posição de cidade mais violenta do mundo, segundo a The Economist, ele quer vender estatais em nome de uma crise que ele fez questão de piorar sem fazer nada.

“Em debate neste momento”

Sartori elogiou o Regime de Recuperação Fiscal do golpista Temer que tem como contrapartida uma moratória de três anos da dívida, mas um crescimento no estoque global do débito com a União de R$ 30 bilhões. Num detalhe do pronunciamento desta quarta, está a necessidade de os Banrsiulenses e os servidores públicos de outras empresas estatais lucrativas, como a Corsan, ficarem alertas. “Qual é a situação real da CEEE, da CRM e da Sulgás? São estas que estão em discussão e em debate neste momento”, disse Sartori.

Captou o detalhe? As duas palavras finais da frase de Sartori são reveladoras: “neste momento”, são essas três empresas públicas que estão em discussão. Nada garante que em outro momento Banrisul, Corsan e tudo que puder não estejam no pacote privatista e uma nova fala desastrada do governador venha incomodar nossos ouvidos com ameaças, chantagens e incompetências. “Um gestor qualificado trabalha dia e noite para resolver problemas, busca alternativas. Outros governadores viajaram, trouxeram empresas de fora do país e geraram receita. O que o Sartori tem feito além de se esconder e usar a estratégia da austeridade? Praticamente nada. Um gestor que não tem plano B, não pode ser chamado nem de gestor razoável”, afirma o presidente do SindBancários, Everton Gimenis.

Sartori poderia fazer um exercício de competência. Poderia dizer que a CEEE dá lucro e que reverte um valor absurdo de ICMS para o caixa do Estado. Mas ele prefere ajudar os amigos de infância. Reportagem no jornal Zero Hora, no ano passado, denuncia que o empresário Lírio Parisotto, amigo pessoal de Sartori, recebeu para a empresa Innova, no Pólo Petroquímico de Triunfo, R$ 343 milhões de incentivos fiscais e gerou somente cinco empregos. Abrir a caixa-preta dos incentivos fiscais pode ajudar a resolver o problema da crise, crise, crise.

Nenhuma das estatais recebeu esse presente do governador. O Banrisul, ao contrário, foi obrigado a comprar, por R$ 1,2 bilhão, a folha de pagamento dos servidores públicos do Estado. Sartori parece um zumbi correndo sem rumo e de boca aberta, pronto a morder fatias das saudáveis estatais gaúchas. “O Sartori acha que engana os gaúchos. Ele foi chantagear dizendo que só abre concurso para a segurança pública se vender estatais. Mas o caos na segurança pública foi ele que criou. O jurídico do Sindicato conseguiu liminares nos últimos dois anos na Justiça do Trabalho para fechar bancos por causa de aquartelamentos da Brigada Militar. O Sartori cria as crises, fica só falando delas e depois diz que só tem um jeito. Ora, tem outros jeitos de resolver a crise financeira do Estado. É só ter vontade política e disposição para trabalhar”, criticou Gimenis.

Encontro de contas

Na verdade, Sartori corre contra o tempo para vender o patrimônio púbico. Ele tem até 30 de novembro próximo. Isso porque o STF decidiu em sessão de 30 de novembro de 2016 dar um prazo de um ano ao Congresso Nacional para que vote uma lei que regulamente os pagamentos da União de créditos aos Estados da Lei Kandir. O cálculo é que o Rio Grande do Sul tem cerca de R$ 45 bilhões de créditos a receber pelas desonerações fiscais de produtos semielaborados para a exportação. O Estado não recebeu ICMS pelas exportações e tem um crédito com a União.

Caso o Congresso não vote, o Tribunal de Contas da União irá estabelecer critérios de pagamento dos créditos da Lei Kandir aos Estados. Nesse caso, basta que o governo Sartori entre com uma ação no STF, dizendo que, enquanto não receber os créditos da Lei Kandir, não pagará as mensalidades das dívidas da União. Mas, como o golpista Temer é do mesmo partido do governador e ele disse que a Recuperação Fiscal é uma boa para o Estado, isso dificilmente vai acontecer.

O outro dilema do governador diz respeito a 2018 ser ano eleitoral. Sartori quer se reeleger, mas a austeridade tem derretido o capital político do governador. Deputados de sua base e de seu partido já sentem em suas bases eleitorais o peso da luta dos servidores públicos e dos Banrisulenses. No dia 22/3. os Banrisulenses lotaram o Teatro Dante Barone para a instalação da Frente Parlamentar em Defesa do Banrisul Público. A Frente tem 24 assinaturas de deputados estaduais o que inviabiliza a derrubada da obrigatoriedade de plebiscito para vender ou federalizar o banco. Sartori precisa de 33 votos em duas sessões na Assembleia Legislativa.

Talvez, os dois vídeos transmitidos ao vivo esta semana não passem de estratégia de marketing para limpar a imagem do governador e cacifá-lo à reeleição do ano que vem. Como ele fez uma chantagem no primeiro e agora expôs, digamos, sua falta de competência para apresentar alternativas para tirar o Rio Grande do buraco financeiro que ele ajudou a tornar mais fundo, o tiro certeiro do marketing pode ter tido efeito contrário. Saiu pela culatra.

Crédito foto:

Fonte: Imprensa SindBancários

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