Delegados sindicais participam de formação sobre antirracismo no SindBancários

Reginete Bispo, que assume uma cadeira na Câmara de Vereadores de Porto Alegre em 2023, debateu o tema com a categoria na tarde desta sexta (23)

“Os nossos antepassados lutaram e deram suas vidas para nos colocar em liberdade”, refletiu a futura vereadora negra de Porto Alegre, Reginete Bispo, durante participação na mesa sobre antirracismo no Encontro de Delegados do SindBancários, nesta quarta-feira (23), na sede do sindicato.

Reginete, que desde os anos de 1980 milita no movimento negro gaúcho com a pauta dos Direitos Humanos, foi especialmente convidada pela direção do sindicato para a formação do mês de novembro, mês da Consciência Negra. O ciclo formativo abordou as dificuldades de inserção de homens e mulheres afrodescendentes no mercado profissional.

Hoje, segundo dados do IBGE, existem 13,8 milhões de pessoas desocupadas ou desalentadas (que desistiram de procurar emprego) no Brasil, e, a grande maioria, explica Reginete, “é de mulheres negras tentando sobreviver”, o que para ela configura “um desafio para a superação do racismo estrutural”.

Na exposição, Reginete avaliou que o país entra em uma nova etapa do embate emancipatório dos negros(as) brasileiros (as), no qual não basta que existam pessoas brancas ou não negras pensando ações afirmativas para a população preta e parda. É preciso representatividade, defende.

“O racismo estrutural inviabiliza a presença dos negros dentro dos espaços de poder e o que estamos vendo agora é uma inserção cada vez maior dos pretos e pretas em cargos eletivos e ambientes de tomada de decisão. A bancada negra gaúcha, eleita agora para a Assembleia Legislativa e que chegou à vereança da Capital, em 2020, é um exemplo disso”, analisou.

Ela aponta que o racismo divide o país em duas nações diametralmente diferentes: uma rica, branca e privilegiada e a outra pobre, preta e favelada.

“A maior parte da juventude negra é impedida de conquistar dignidade ainda em idade escolar. São meninos e meninas que participam de processos seletivos e que já estão acostumados a ouvir que não possuem o “perfil” de determinada vaga. Isto é uma forma de mascarar o racismo e não podemos tolerar que continue assim”, critica.

Para ela, todas as organizações precisam aderir à luta antirracista. “Não é normal que, em pleno século XXI, empresas não contratem afrodescendentes ou não tenham nenhuma pessoa negra em seu quadro de funcionários”, pontua Reginete, que percebe o atual governo federal como um inimigo de segmentos sociais que são marginalizados desde o descobrimento do Brasil.

“O governo federal naturaliza que uma mulher negra receba 50% a menos do que um homem branco que exerça a mesma função, em uma empresa privada. É o mesmo governo que estava colocando tanques de guerra para subir os morros cariocas para massacrar a população negra periférica. Estamos saindo da linha de fogo em direção ao protagonismo”, concluiu.

Reginete é mãe de dois filhos, Marwan e Fayola, construiu sua militância defendendo os Direitos Humanos, as Comunidades Quilombolas, povos Indígenas, Imigrantes e refugiados. Desde o anos de 1980 milita contra o racismo e o machismo. Bacharel em Ciências Social pela UFRGS, é consulesa honorária do Senegal, foi Senadora Suplente do Senador Paulo Paim, sócia-fundadora da Akanni – Instituto de Pesquisa e Assessoria em Direitos Humanos, Gênero, Raça e Etnias. Atualmente é vereadora suplente de Porto Alegre, em um mandato coletivo.

Cotas para negros são importantes, mas necessitam de fiscalização, alerta vereadora

Antes de se despedir do público presente, Reginete comemorou a notícia, dada em primeira mão pelo SindBancários, de que, pela primeira vez em sua história, os dois últimos concursos para o Banrisul destinaram cotas para negros.

“O ambiente bancário costuma ser majoritariamente branco, sobretudo na iniciativa privada. Vemos propagandas do Itaú com mulheres e crianças negras, mas a realidade dentro das agências não é tão plural. Por isso mesmo é que temos de comemorar a política de cotas ter sido adotada no Banrisul. Espero que cada vez mais pessoas negras prestem concursos para o banco e que sejam aprovadas”, celebrou a parlamentar. Ela aponta que a medida é positiva, mas que precisa de fiscalização para que seja implantada com eficácia.

“ Durante o governo Tarso Genro, por exemplo, nos deparamos com a necessidade de criar uma banca examinadora para evitar que pessoas brancas se passassem por negras para entrar no serviço público através de cotas. É importante lembrar que o critério para aprovar alguém ou não por uma cota racial é o fenótipo negro e não apenas ter antepassados ou parentes afrodescendentes”, lembra a vereadora.

Fonte: Imprensa SindBancários

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