Delegados sindicais participam de formação após desfecho de campanha salarial

Manhã de debates sobre os acordos específicos e a CCT da categoria culminou com um almoço no Piquete dos Bancários, no Acampamento Farroupilha

A quinta-feira (15) pela manhã foi de atividade de formação para os delegados e delegadas sindicais. Reunidos no Sindicato dos Bancários de Porto Alegre e Região, os trabalhadores ouviram relatos dos representantes da diretoria da entidade sobre as negociações da campanha salarial, com os avanços e principais pontos dos acordos específicos por bancos e da Convenção Coletiva de Trabalho dos bancários. Depois da formação, o grupo desfrutou de um almoço no tradicional Piquete dos Bancários, no Acampamento Farroupilha.

O sociólogo e assessor sindical Anderson Campos conduziu a formação, propondo um balanço dos resultados, conquistas e limitações encontrados no processo da campanha. Os desafios da negociação com a Fenaban em meio a atual conjuntura política foram compartilhados pelo presidente do Sindicato, Luciano Fetzner. Segundo ele, foram mesas muito difíceis, das quais se conseguiu extrair conquistas para a categoria bancária, especialmente neste contexto político. “Quem imaginaria que conseguiríamos chegar nestes quase quatro anos de governo Bolsonaro sem perder direitos conquistados? Com Banrisul público, Caixa pública, Banco do Brasil público, com acordo coletivo garantido e sem que eles nos tirassem nada. Sim, algumas coisas retrocederam, tivemos demissões, aumento de pressão por metas, mas o guarda-chuva de proteção do nosso acordo nacional não só se mantêm praticamente intocado como tem avanços”, afirmou.

Outro tema bastante pautado pela categoria neste ano e colocado em evidência na atividade foi o assédio, tanto moral quanto sexual. Em junho deste ano, funcionárias da Caixa denunciaram diversos casos envolvendo o presidente do banco, Pedro Guimarães. O caso foi grave e o presidente da Caixa caiu – o fato foi a gota d’água que faltava para que o Comando Nacional dos Bancários conseguisse garantir a inclusão de uma cláusula específica sobre o tema na CCT. A diretora Caroline Heidner chamou atenção para o ocorrido, que, segundo ela, demonstra que a sociedade já não tolera mais gestões assediadoras.

“Não podemos esquecer que esse homem que tanto usou a imagem da Caixa, uma instituição centenária, com presença em todo território nacional, para fazer campanha, para se projetar, claramente tinha um projeto eleitoral pessoal. E ele foi derrotado pelas mulheres da Caixa, que tiveram a coragem de denunciar o assédio. Escancarou para o país inteiro o assédio moral praticado dentro do banco – uma pauta de todos nós, porque sabemos que não começou ali e não é exclusividade da Caixa”, observou.

Os dirigentes salientaram o esforço da Febraban em manter os bancos públicos na mesa única da negociação coletiva dos bancários. “Afinal de contas, a nossa convenção coletiva, que já tem mais de 30 anos, é um patrimônio dos bancários, elemento de dignidade e valorização da categoria, mas também é importante para os bancos. Obviamente que sempre temos que tencionar para mantê-la, eles sempre vão tencionar para esvaziá-la, mas ao fim e ao cabo, esse esforço de não deixar Caixa e BB saírem diz muito sobre a força da nossa categoria e sobre a importância do que temos nessa Convenção”, pontuou Caroline.

Quanto às negociações no Banrisul, a diretora da Fetrafi-RS Raquel Gil ressaltou a conquista da renovação do ACT, em especial no contexto atual. “Existe uma diferença muito grande do que a gente tinha nas negociações antes da reforma trabalhista, porque antes entrávamos com nossa ACT renovada e agora com a nossa ACT zerada. Tivemos que cobrar muito do banco porque as propostas demoravam e muitas delas não tinham nenhum cabimento, com algumas retiradas de direito retroativas”, falou a dirigente.

“Importante que se diga que só vamos conseguir avançar neste momento político quando conseguirmos revogar a ‘reforma patronal’, que tirou nossa ultratividade. E aqui no Rio Grande do Sul, avanços reais nós só vamos ter como tivemos com outros governos, que são a favor dos trabalhadores”, complementou Raquel.

A realização do concurso público no Banrisul também foi destacada, uma conquista do movimento sindical que resultará em aumento substancial no quadro e na valorização do banco público. Serão 824 vagas, 10% do quadro atual do banco, mais a reposição total daqueles que aderirem ao PDV.

As difíceis negociações no Banco do Brasil foram resumidas pela diretora da Fetrafi-RS, Priscila Aguirres. Depois do acordo com a Fenaban, o BB ficou para trás em função da Gestão de Desenvolvimento por Competências (GDP), instrumento de avaliação que é considerado pelo movimento sindical como um meio de assédio moral. O banco queria reduzir para um ciclo ao invés dos três atuais, o que, segundo a dirigente, aumentaria o adoecimento e as ameaças aos funcionários. “Foi um ano de muitas tentativas de retirada de direitos, mas conseguimos manter tudo o que precisávamos manter, a muito custo”, afirmou Priscila.

Hora de virar esse jogo

O momento histórico e político foi bastante citado durante a atividade, tanto pelos diretores quanto pelos delegados. As dificuldades enfrentadas pelos bancários em seu cotidiano de trabalho, pelos delegados e delegadas em seu diálogo e mobilização com colegas e pelo movimento sindical nas negociações com os bancos permearam as conversas da manhã. Após o desfecho da campanha salarial, com participação ativa dos trabalhadores bancários, os dirigentes convocaram a categoria a mobilizar-se no processo eleitoral.

O presidente do Sindicato lembrou que a campanha nacional dos bancários foi mais um pedaço da luta que os trabalhadores têm como desafio para este ano. “Agora temos pouco mais de duas semanas para virar esse jogo, elegendo deputados, senadores, governadores e um presidente da República que dialogue com os interesses e pautas dos trabalhadores”, apontou Luciano.

Imprensa SindBancários

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