Delegados e delegadas sindicais tomam posse em encontro virtual

Diálogo e união entre a categoria, além das estratégias para a campanha salarial e eleições 2022, estão entre as metas e desafios deste ano

Na manhã desta quarta-feira, dia 16, tomou posse o grupo de delegados e delegadas sindicais para a gestão de 2022. O processo eleitoral aconteceu de 21 a 24 de fevereiro, envolvendo representações dos bancos Banrisul, Badesul, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, e ocorreu de forma 100% virtual, resguardando a saúde de associados e trabalhadores. Bancários e bancárias votaram por uma plataforma online, no site do SindBancários, e escolheram seus representantes por agência.

Saudando a todos eleitos, Jairo Soares, diretor de Formação do SindBancários e um dos responsáveis pelo processo eleitoral, salientou o caráter decisivo do ano que vem pela frente. “Teremos campanha salarial e campanha eleitoral, que podem definir as nossas vidas, principalmente nos bancos públicos, e a importância dos delegados nesse trabalho de base é muito grande”, afirmou.

O presidente do SindBancários, Luciano Fetzner, enfatizou a adesão ao processo de luta sindical e lembrou sua própria trajetória no movimento, que também começou como delegado: “É a porta de entrada, uma grande oportunidade de ter contato com colegas que também estão interessados no debate sindical, no processo de formação política, que ao menos o nosso Sindicato se orgulha muito de oferecer, para aprender sobre a nossa luta, trocar e construir juntos essa luta”. Luciano também lembrou que os espaços construídos com os delegados sindicais são para debate franco e para fazer a organização da luta da categoria, debatendo todos os assuntos afins ao trabalho bancário, sempre prezando por respeito e empatia.

A dinâmica da posse, conduzida pelo assessor e sociólogo Anderson Campos, seguiu com a apresentação de cada delegado e delegada eleita. Em suas falas, a busca por diálogo e união com os/as trabalhadores/as dos bancos foi uníssona. A delegada Carolina Bazotti, do Banrisul, eleita para o segundo mandato, afirmou que delegados/as precisam ser compartilhadores de conhecimento e informações adquiridos na luta e na relação sindical. “Tem ainda algum tipo de preconceito com delegados e esse engajamento de luta, mas isso vai ser muito importante daqui para a frente, com o que vamos enfrentar nas campanhas salariais e especialmente na eleição para o Governo do Estado, que é o que vai nos garantir ficar fortes e tranquilos para trabalhar melhor”, destacou, lembrando das ameaças constantes de privatização do Banrisul.

Em seu primeiro mandato, Fernando Zanin, também trabalhador do Banrisul, falou que entre suas expectativas a primeira é entender como funciona a atuação de um delegado: “Quero entender e participar para poder contribuir como puder nessa luta da categoria bancária”. Diferente de Fernando, Raquel Ebert, do Banco do Brasil, está em seu quinto ano como delegada sindical. Para ela, a busca em 2022 é desenvolver em conjunto estratégias para envolver mais os colegas das agências, tanto para as pautas do acordo deste ano quanto para as eleições, para que não se repita o que aconteceu em 2018. “É um contrassenso enorme para quem trabalha em bancos públicos votar em quem diz que vai privatizar e acabar com o teu emprego, por isso a necessidade de pensar como chegar nas pessoas das agências e conseguir debater melhor”, defende Raquel.

Ao final da posse, a segunda secretária geral do sindicato, Sílvia Regina Chaves, exaltou a presença das mulheres entre as delegadas eleitas, ainda mais neste março, mês das mulheres: “Levamos muito nas costas e precisamos lutar diariamente, não só em março, em todos os dias, essa é a vida das mulheres”. Sílvia ressaltou também sua alegria de ver a unidade na ideia de que é preciso fortalecer os delegados e delegadas para o trabalho dentro da base. “Fui delegada muitos anos antes de vir a ser Diretora e percebi a importância do elo entre sindicato e delegados e delegadas, pois parte desse contato as informações que chegam até o sindicato e vice-versa”, disse.

Formação

À tarde, os novos delegados e delegadas sindicais participaram do primeiro encontro de formação de 2022. O ex-ministro do Trabalho e ex-vice governador do Rio Grande do Sul, Miguel Rossetto, foi convidado para fazer uma análise de conjuntura e falar sobre os desafios para o sindicalismo combativo.

Este ano, os bancários têm uma dupla tarefa. Garantir uma campanha salarial vitoriosa para a categoria e eleger candidatos(as) alinhados à pauta dos(as) trabalhadores bancários(as). E para Miguel Rossetto, o papel dos(as) delegados é fundamental neste processo. “É ali (no local de trabalho) que se define uma maior ou menor desigualdade”, resumiu Rossetto. O ex-ministro se referia à importância dos delegados na relação cotidiana do sindicato com a base de trabalhadores(as). É nessa troca, defendeu, que o sindicato consegue valorizar, por exemplo, “a importância política de ter governos comprometidos com a geração de trabalho e renda”. No caso específico da pauta dos(as) bancários(as), Rossetto falou que esta eleição também é decisiva para o futuro dos bancos públicos. “Devemos garantir o caráter público do Banrisul, Caixa, Banco do Brasil, BRDE e Badesul”, defendeu.

Os(as) novos (as) delegados(as) sindicais assumem o mandato no terceiro ano de pandemia, com o estado e o país ainda imersos na crise e com bancários(as) lutando por condições de trabalho que garantam saúde física e mental. E nesta difícil conjuntura, Rossetto ainda deixou uma mensagem de esperança. “Vocês têm todas as razões para debater um projeto de país e estado que tenha mais esperança, paz e segurança. E segurança aqui também é trabalho. Podemos pensar uma vida melhor para todas e todos”.

O próximo encontro de formação será no dia 13 de abril sobre a Campanha Salarial deste ano.

 

Texto: Amanda Zulke e Manoela Frade

 

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