Deflação no governo Temer é resultado da economia estagnada, enquanto Brasil volta ao mapa da fome e Congresso vota “reforma” trabalhista

Afundado numa enorme crise política, ética e econômica, o governo ilegítimo de Michel Temer e de seu ministro da Fazenda, o banqueiro Henrique Meirelles, nos últimos dias vem procurando surfar na revelação de que o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) – que reflete a inflação oficial do país – sofreu uma redução, chamada “deflação” de 0,23%. Trata-se da primeira redução de preços nesta época do ano desde 2006. Temer e sua equipe tentam faturar algum prestígio em cima do fato – só que não há nada a comemorar. Pelo contrário: a deflação atual é consequência de redução da atividade econômica do Brasil. Como a população teve diminuição em sua capacidade de comprar e contratar serviços, os empresários foram obrigados a baixar seus preços para manter a atividade.

Ou seja, a baixa da inflação atual é resultado de uma forte depressão econômica. E não aponta para um cenário de melhoras. Conforme a economista e técnica do Dieese, Adriana Marcolino, o que vivemos hoje no país é recessão, desemprego e queda no consumo. Mesmo com uma recessão brutal, a lógica de manutenção da política de juros altos reais (descontada a inflação) permanece. A administração Temer reduziu muito pouco a Taxa Selic, que serve de referência para as demais taxas de juros da economia, e pode aquecer ou desaquecer a atividade econômica do país. Mas os juros altos reais cobrados no Brasil seguem sendo os mais elevados do mundo. “Além de terem eficiência muito questionável no combate à inflação, por outro lado causam um imenso problema social, gerando desemprego, aumento da dívida pública e redução do consumo e do investimento”, explica a especialista.

Em várias análises sobre a deflação atual, fica claro que ela é uma consequência de elementos que apontam para o cenário de deterioração econômica em que nos encontramos. Enquanto em 2015 a inflação ocorreu mais em função dos preços administrados (energia elétrica e combustíveis) e sazonais (alimentos), fatores exteriores ao mercado e “preços livres”, indicando que não se tratava de uma inflação de demanda que justificaria uma política monetária austera, o índice atual tem outra configuração. Sem a influência dos preços administrados e dos sazonais, fica demonstrado o tamanho da crise, com a redução de preços por causa da queda da demanda. Conforme a economista do Dieese, Adriana Marcolino, o fato demonstra um completo distanciamento da equipe econômica do banqueiro Henrique Meirelles e de Temer da realidade da maioria da população brasileira.

Destruição dos direitos trabalhistas

Enquanto isso, um Congresso majoritariamente comprometido com os poderosos arrasa com a legislação trabalhista e com o direito de uma aposentadoria decente para a maioria dos brasileiros, ficando a resistência a estes atos restrita aos parlamentares de oposição, aos sindicatos e aos movimentos populares. É preciso entender que a queda da demanda e da atividade econômica geral do país tendem a aumentar se a tal “reforma” trabalhista, em votação nesta terça-feira, 11/07, for aprovada.

Os trabalhadores assalariados de todas as categorias terão perdas diretas e impactantes, caso o Congresso aprove o projeto formatado pelo mercado e enviado pelo governo ao Parlamento. Por exemplo, haverá redução salarial e também de vantagens extras. Prêmios e abonos por produtividade, deixarão de ser considerados remuneração. Haverá fim ou grande redução de horas extras, sendo admitidas jornadas de até 12 horas diárias, através de banco de horas. E o desemprego deve aumentar, pois com o crescimento da carga horária dos trabalhadores não tem como haver geração de empregos.

Brasil: de volta ao mapa da fome

E a realidade, infelizmente, é muito diferente do quadro que o governo pinta e já está piorando. Em seu primeiro mandato, a presidenta legítima Dilma Rousseff tinha adotado o lema “País rico é país sem pobreza”. Em 2014, último ano do primeiro mandato, ela cumpriu a promessa, pois o Brasil finalmente deixou de integrar o terrível “Mapa da Fome” da Organização das Nações Unidas (ONU). Até o Jornal Nacional, em setembro daquele ano, foi obrigado a reconhecer o feito do governo brasileiro da época: “Vinte anos atrás, 14,8% dos brasileiros viviam na miséria. Agora, esse índice é de menos de 2%, cerca de 3,4 milhões de pessoas. Segundo a FAO-ONU, essa queda se deu por causa da eficiência dos programas de combate a fome”, dizia a reportagem.

Agora, o velho fantasma da miséria e da fome em grande escala volta a assombrar muitas famílias brasileiras. “A exclusão de muitas famílias do Bolsa Família, iniciada no ano passado por Temer, juntamente com a redução do valor investido no Programa de Aquisição de Alimentos da Agricultura Familiar (PAA), que compra de pequenos agricultores e distribui a hospitais, escolas públicas e presídios, são uma vergonha para um país que trilhava avanços que o colocava como referência em todo o mundo”. A afirmação é de Francisco Menezes, coordenador do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase) e consultor mundial da ActionAid, que participaram da elaboração do relatório.

Silêncio estrondoso

Os protestos públicos contra o PT, estimulados fortemente pela mídia/poder econômico, que culminou com o impeachment de Dilma Rousseff – apesar da presidenta não haver cometido nenhum crime de responsabilidade, como determina a Constituição brasileira – hoje é seguida de um silêncio estrondoso por parte dos manifestantes da Avenida Paulista, de Copacabana, do Parcão.

Suas panelas já não batem – embora o governo “ético” de Temer e sua quadrilha, com todos seus ministros e homens de confiança envolvidos ou acusados de corrupção, se desmanche a olhos vistos. As caçarolas voltaram aos armários, os patos amarelos da Fiesp murcharam, as camisetas da impoluta CBF viraram pano de chão, as delirantes faixas “Somos todos Cunha!” foram para o lixo, e a economia tende a ficar cada vez pior.

Só a luta nos garante

Enfim, o governo de Temer (ou de Rodrigo Maia, em seguida) e seu ministro da Fazenda, o “mercado”, grande parte dos políticos e do sistema jurídico brasileiro não vão defender os salários, os empregos, a legislação favorável a quem trabalha e o próprio direito à aposentadoria. Muito ao contrário: até a Justiça do Trabalho está sob forte ameaça.

Esta batalha é da oposição e dos próprios trabalhadores, através de suas organizações. Por isso, a velha frase nunca foi tão atual: Só a luta nos garante!

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