Debate expõe que MP 905 causa morte de direitos

Participação do presidente do Sindicato no Programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, e passeata dos trabalhadores da segurança pública no lado de fora do estúdio, mostram que ataques dos governos neoliberais favorecem os de sempre e prejudicam os trabalhadores

Medida necessária? Vai ser bom para formar jovens trabalhadores e qualificar a mão de obra na indústria? Ajustes nas relações de trabalho? Essas questões todas foram devidamente contestadas pelo presidente do SinBancários, Everton Gimenis, na tarde da quinta-feira, 5/12, no Programa Esfera Pública da Rádio Guaíba, durante debate sobre a MP 905/2019.

Além dos titulares da bancada, os jornalistas Juremir Machado da Silva e Taline Opptiz, participaram do programa de debates a presidenta do Sindicato dos Jornalistas do RS, Vera Dayse Barcellos, e o vice-coordenador do Conselho de Ralações do Trabalho da Fiergs, Guilherme Scozziero.

Mas atentem. O debate sobre a MP 905 começou por volta das 14h. Para quem não sabe, o programa teve milhares de personagens no lado de fora do Estúdio Cristal da Rádio Guaíba. Para quem não sabe o histórico estúdio é envidraçado e permite que, quem está dentro, veja o que se passa na esquina da Caldas Junior, com a Rua dos Andradas, no Centro Histórico de Porto alegre.

E ontem assistimos milhares de trabalhadores (fala-se em 35 mil) protestando contra medidas que atacam justamente… direitos de trabalhadores. Pois a gigantesca passeata dos servidores da Segurança Pública acompanhou a cerca de uma e hora e meia de programa.

Durante todo esse tempo, uma fila de servidores da segurança desfilou pela referida esquina da Rádio Guaíba. Mais uma prova de que tem gente descontente com os ataques que governos neoliberais e ultraliberais, como o de Jair Bolsonaro e de Eduardo Leite, desferem contra trabalhadores de todos os setores da economia e servidores públicos.

É claro que a MP 905/2019 foi pensada, escrita e assinada pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, pensando no benefício dos empresários. Não por acaso ela cria a carteira verde-amarelo com o propósito de dizer que vai criar empregos para uma faixa etária de trabalhadores de 18 a 29 anos. Mas atenção: trata-se de empregos com salário de até R$ 1.500, o que chamamos de precarização.

Ora, como vai criar emprego para trabalhadores nesta faixa etária se quer manter mais gente trabalhando, como é o caso dos bancários? A MP do Bolsonaro, editada em 11 de novembro passado, atacou a jornada de seis horas dos trabalhadores bancários ao impor jornada de oito horas e trabalho aos sábados e sem remuneração e pagamento de horas extras.

Ruim para todos os trabalhadores

A MP 905 não é ruim só para os trabalhadores bancários. Ela é ruim para todos os trabalhadores. Como vai criar mais empregos se os trabalhadores, no caso os bancários, vão ter que trabalhar mais? Vai contratar para quê, se já tem gente trabalhanmdo mais por xsalário menor?”, questionou Gimenis.

A MP 905 reduz desconto do FGTS dos patrões e taxa o seguro-desemprego em 7,5%. “Essa MP como a reforma Trabalhista e a terceirização seguem a mesma lógica. Os empresários falam em crise e, em vez de o governo taxar grandes fortunas e atacar a sonegação, vai lá e retira direitos dos trabalhadores. Vai taxar desempregado. É sempre assim”, acrescentou Gimenis.

Há quem defenda a MP 905. É empresário!

Na verdade, o representante da Fiergs pensa exatamente o contrário do presidente do Sindicato. Guilherme Scozziero se derramou em elogios à medida do governo Bolsonaro. Disse que ela vai foi desenhada para gerar empregos e qualificar trabalhadores a atuarem na indústria. E acrescentou que o pagamento reduzido é por dois anos, dando a entender que é para ver como vai ficar depois. Quer dizer, a MP do Bolsonaro entra no cálculo do empresariado como algo que pode ser renovado e ser provisória para sempre.

É uma medida necessária. Muda algumas coisas e faz ajustes nas relações de trabalho. Tenta colocar no mercado de trabalho jovens qualificado através de um custo reduzido temporário. É uma oportunidade de a indústria contratar”, salientou.

Terra arrasada”

A MP 905 seria linda não fosse atender o empresariado brasileiro com ataques aos trabalhadores. Os jornalistas, por exemplo, e outras tantas categorias, como publicitários e relações públicas, ficaram na mira. Naquela onda de que, com as redes sociais, todo mundo pode ser jornalista, a presidenta do Sindicato dos Jornalistas do RS, Vera Dayse, deu um nome certeiro à MP 905: “terra arrasada”.

Os jornalistas e radialistas, inclusive, foram para a Esquina Democrática, Centro Histórico de Porto Alegre, na quarta-feira, 4/12. Levaram um caixão para simbolizar a terra arrasada tão bem definida pela presidenta Vera Dayse. “Sem registro e sem diploma, fica difícil ter um jornalista de qualidade”, disse ela, referindo-se à liminar de 2009 que permite que qualquer pessoa possa obter registro para atuar como jornalista.

E por falar em caixão e no personagem que passou na esquina da Rádio Guaíba, os servidores da segurança em passeata do lado de fora do estúdio Cristal… Eles também carregavam um caixão para deixar claro que as políticas de ataques às aposentadorias e aos direitos dos servidores públicos, o pacotaço do governador Eduardo Leite, representa a morte de muitos direitos dos trabalhadores.

Se o povo está dizendo, quem poderá negar que a MP 905 beneficia os de sempre e deixa fora os de nunca. “O lado mais fraco vai ser o do trabalhador. Já tem programa de aprendiz para trabalhador jovem. Negociar direto com o trabalhador é fazer a gente perder. Não é vantagem nenhuma para o trabalhador trabalhar sete domingos direto sem remuneração extra para folgar um domingo”, finalizou Gimenis.

Fonte: Imprensa SindBancários

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