Dados de pesquisa em saúde do SindBancários mostra que bancos são responsáveis por adoecimento

Se havia alguma dúvida, alguma interrogação ou algum detalhe capaz de ser usado pelos banqueiros para desconstituir e demonstrar que o trabalho dos bancários não está relacionado às doenças que assolam a categoria, essa construção restou em ruínas na sexta-feira, 12/12. Depois de uma manhã de formação com a brilhante palestra do bancário do BB e pesquisador Marcelo Finazzi sobre suicídio, a tarde foi dedicada à apresentação de pesquisas realizadas a partir de um estudo elaborado por profissionais da área de saúde e pela parceria entre SindBancários, Sindicatos do Interior, Fetrafi-RS e Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (UFCSPA).

As duas pesquisas, apresentadas no Seminário de Apresentação dos Resultados de Pesquisa em Saúde Mental, demonstram que o adoecimento, como extensão da gestão perversa dos bancos, está diretamente relacionado ao trabalho que os bancários desempenham e à pressão que sofrem.

Digamos que a pesquisa “Relação entre Trabalho e Saúde Mental dos Bancários do Rio Grande do Sul” se tornou um tronco de árvore. Desse estudo que se baseou em dados colhidos desde agosto do ano passado em um questionário eletrônico, outras pesquisas começam a se ramificar. E outras irão se ramificar, uma vez que , em breve, a pesquisa entrará em sua fase qualitativa, quando pesquisadores e pesquisadoras irão formar grupos focais para aprofundar a prospecção de dados e ter ainda mais material para análise.

Uma das ramificações é o Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) da estudante de psicologia da UFCSPA e estagiária do SindBancários, Vatsi Meneghel Danilevicz. O título deixa o tema e a necessidade de se conversar sobre o assunto muito claros: “Suicídio no trabalho bancário: expressão do insustentável”.

A professora da UFCSPA que organizou a pesquisa apresentada no Seminário da sexta-feira, Mayte Raya Amazarray, ressaltou o caráter de instrumento de ação política da pesquisa. “Temos que cumprir ainda uma etapa qualitativa da pesquisa que será feita através de grupos focais. Vamos convidar trabalhadores para participarem desses grupos e trazerem suas experiências e visões do trabalho dos bancários. A pesquisa foi feita para trazer dados científicos que podemos analisar, mas também para que a categoria possa realizar ações”, explicou Mayte.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, destacou a parceria com a universidade pública, o esforço do Departamento de Saúde do Sindicato e o trabalho das pesquisadoras e dos estagiários e estagiárias no atendimento aos bancários. “A pergunta que essa pesquisa faz e a resposta que obtém revelam o quanto a nossa profissão mudou. Antes, os bancários apresentavam muitas lesões por esforço repetitivo (LER/DORT). Era muita dor nos ombros e articulações e afastamentos por causa disso. Essas lesões ainda aparecem. Mas agora temos problemas de sofrimento mental. É muita pressão por metas abusivas e muito assédio moral. A pesquisa mostra essa mudança”, avaliou Gimenis.

O diretor de Saúde do SindBancários, Eduardo Munhoz, disse que o Sindicato irá continuar investindo em pesquisas que tragam informações que podem se transformar em direitos em negociações com os banqueiros. “Já temos inúmeras cláusulas em nossos acordos coletivos específicos de cada banco e também na Convenção Coletiva de Trabalho, que envolve todos os bancos muitos benefícios relacionados a compromissos dos bancos em combater o assédio moral, fonte de doenças e de sofrimento psíquico dos trabalhadores. Muitos dos direitos que conquistamos começam em seminários e com pesquisas”, exemplificou.

A assessora de Saúde do SindBancários, Jaceia Netz, lembrou da trajetória da pesquisa e da importância da atuação do Sindicato. “Nós que trabalhamos e acompanhamos diariamente os bancários adoecidos sabemos que quem está doente é o banco e não os trabalhadores”, disse Jaceia, parafraseando o documentário Quem Está Doente é o Banco – A verdade sobre o assédio moral, apresentado na abertura do Seminário.

Participaram também do seminário como integrantes da mesa as pesquisadoras Daniela Gaviraghi, Simone Gadegast e Clarissa de Antoni além de vários colegas de outras categorias e representantes de Sindicatos do Interior do Estado.

Alguns dados da pesquisa

Perfil dos participantes

1.787 bancários do Rio Grande do Sul

Onde vivem
50,88% da capital e 49,12% do interior

Sexo

49,17% homens e 50,83% mulheres

Idade

A idade variou 20 a 66 anos, com média de 39 anos e 3 meses

Tempo de trabalho

O tempo de trabalho 1 mês e 39 anos.

Onde trabalham

82,42% são trabalhadores de instituições públicas. 66,32% trabalham em agências e

33,68% dos trabalhadores desempenham funções de departamento.

Estado civil

52,87% eram casados, 28,50% solteiros, 9,75% possuíam união estável.

8,39% separados/divorciados.
Escolaridade

52% Ensino Superior Completo

26% possuíam Pós-Graduação

22,09% concluíram o Ensino Médio

No trabalho

21,34% cumprem mais de 40 horas semanal.

Acidentes

38% sofreu acidente de trabalho

Violência

11,54% foram assaltados ou sequestrados

Demissões

56% temiam ser demitidos

Ética

47,64% abririam mão de seus valores éticos pelo trabalho

Conflitos

88,23% são expostos a conflitos ou hostilidades

Trabalho e vida pessoal

89% sentem que o trabalho interfere negativamente em outras áreas da vida

Afastamentos

49% já se afastaram por motivos de saúde

Medicação

26% utiliza medicação psiquiátrica; destes, 40% acreditam que o uso de medicação psiquiátrica e/ou substâncias psicoativas está relacionado ao trabalho

Estresse

67% dos bancários sentem-se nervosos ou preocupados, 50% dormem mal, 47% tem se sentem tristes ultimamente e 42% referiram que o trabalho é penoso e causa sofrimento

Insatisfação

25% dos bancários estão insatisfeitos com a vida.

Fonte: Imprensa SindBancários

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