CUT-RS defende respeito e garantia de direitos na 25ª Parada Livre de Porto Alegre

Pela primeira vez, a CUT-RS foi às ruas de Porto Alegre para se manifestar de forma organizada, alegre e comprometida em defesa das lutas da população LGBTQIA+. Vários dirigentes e militantes sindicais participaram, na tarde fria deste domingo (12), da 25ª Parada Livre, que reuniu milhares de pessoas no Parque da Redenção e teve como tema “Contra o ódio: luta! Essa bandeira é de todes”.

Ao meio-dia teve início o ato cultural com apresentações artísticas. Por volta das 17h, foi realizada a marcha nas ruas e avenidas ao redor do parque com vários trios elétricos.

A programação continuou até as 22h, no palco montado próximo ao Espelho D’Água e contou com shows musicais, performances de drag queens e grupos de dança. Também houve falas em defesa da diversidade e contra o governo Bolsonaro.

Evento integra agenda do Coletivo Estadual LGBTQiA+ da CUT-RS

A Parada Livre integra a agenda de lutas do Coletivo Estadual LGBTQIA+ da CUT-RS, recentemente constituído, que organizou a participação de sindicalistas. O grupo é formado por dirigentes e militantes sindicais de diversas categorias, com objetivo de trocar experiências e elaborar políticas voltadas para lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais que atuam no mundo do trabalho e no movimento sindical.

Foi montado um gazebo com as bandeiras da CUT nas cores do movimento LGBTQIA+ e foi feita uma panfletagem, convidando trabalhadores e trabalhadoras a participar do coletivo. “A ideia é dar voz e vez a todos, todas e todes que atuam no mundo do trabalho e no movimento sindical. Precisamos avançar nas lutas por um mundo com garantia de direitos, respeito à diversidade e à democracia”, destaca o panfleto.

Clique aqui para acessar o PDF do panfleto.

Por respeito à diversidade e garantia de direitos

O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, salientou a importância de participar da Parada Livre. “Essa luta é a luta atualizada da classe trabalhadora brasileira e mundial. Não é possível que em pleno século 21 haja tamanha discriminação em função do gênero e da orientação sexual. Estamos muito empenhados e comprometidos com essa pauta, na defesa do respeito à diversidade e pela garantia de direitos”, afirmou.

Amarildo defendeu que o apoio às lutas da população LGBTQIA+ “é parte da luta pela emancipação e libertação da classe trabalhadora. Por isso, estamos aqui com a presença de milhares de trabalhadores e trabalhadoras, que já estão engajados nessa mobilização para nos libertarmos enquanto classe”.

Somar esforços contra o preconceito e a discriminação

O diretor de Diversidade e Combate ao Racismo do Sindicato dos Bancários de Porto Alegre, Sandro Rodrigues defendeu que “é muito importante a presença na Parada Livre e em todos as instâncias e nos espaços de discussões. Vamos participar das atividades e trazer os trabalhadores e as trabalhadoras. A nossa pauta é a garantia de direitos para a população LGBTQIA+”.

Para o diretor de Organização Sindical do Sinpro-RS, Erlon Veronez Schüle, a presença no evento faz a diferença. “É um orgulho para nós estarmos aqui representando trabalhadores e trabalhadoras de todo o estado do Rio Grande do Sul. É muito importante que quem puder venha fazer parte desse núcleo, somar esforços contra o preconceito e a discriminação”, disse.

“Chega de trabalhadores e trabalhadoras serem humilhados nas empresas, no chão de fábrica, por conta da sua orientação sexual. Estamos juntos na luta contra a discriminação”, ressaltou.

Para a diretora de Administração, Finanças e Patrimônio do Sintrajufe-RS, Luciana Krumenauer da Silva, “as trabalhadoras e os trabalhadores têm que estar representados em qualquer lugar. E a gente precisa marcar posição. A Parada Livre é um evento muito importante porque isso aqui não é só festa, isso aqui é respeito, é um sinal para mostrar que a gente pode e deve estar em todos os lugares”.

Ela lembrou que nos dois últimos anos a Parada Livre foi cancelada por conta da pandemia, que se prolongou por mais tempo do que se esperava. “São dois anos sem estar nas ruas e ver essa galera, e esse dia lindo que faz parte do nosso colorido. Muito mais que uma festa, é um ato político de nos colocarmos como diversidade necessária.”

“São vários coletivos que fazem parte da organização e, além deles serem engajados, são pessoas LGBTQIA+ que estão dentro da universidade, no judiciário, estão nos bancos e demais setores. Então, é para mostrar para as pessoas que elas podem ser, sim, o que elas quiserem, independente de quem elas amam”, disse Luciana.

Mostrar a alegria e a luta da população LGTBQIA+

O militante do Grupo Nuances e organizador da Parada Livre, Célio Golin, saudou o fato de a população LGBTQIA+ ter, de novo, um evento para mostrar a sua alegria e a sua luta. “Dois anos sem parada é um impacto, porque é um evento que já vem, há 25 anos, fazendo parte da cidade e da vida de milhares de pessoas.”

Segundo Golin, “a volta da parada tem um significado especial para a população LGBTIQIA+ de Porto Alegre e do Rio Grande do Sul, porque congratula de novo essas pessoas num evento, que é político, é alegre, mas faz com que as pessoas desenvolvam uma identidade, um laço afetivo muito forte, porque é um momento de êxtase”, apontou.

Este ano, parte do financiamento do evento veio do Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) e o Santander pelo fechamento da exposição “Queermuseu: cartografias da diferença”, em setembro de 2017.

Golin lembra que a ação que resultou na condenação do banco foi ajuizada pelo Nuances. “Diante da negativa do Santander, houve uma multa que o MP estabeleceu ao Santander e foi aberto um edital para a sociedade civil. Essa parada é fruto desse edital. Ou seja, nós transformamos aquele crime, aquela atitude conservadora, em um espaço de luta”, frisou.

Foto: Carolina Lima

Fonte: CUT/RS

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