CUT, bancários e outros trabalhadores fazem ato contra desmonte da Previdência Social, pelo governo ilegítimo de Temer

A pequena Travessa Mario Cinco Paus, entre o prédio da Secretaria Municipal da Fazenda e o prédio do INSS, no Centro de Porto Alegre, marcou a partir das 8h da manhã desta sexta-feira, 10/06, a abertura do Dia Nacional de Luta no Rio Grande do Sul, contra a extinção do Ministério da Previdência Social e em defesa da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Dezenas de representantes da CUT, SindBancários, metalúrgicos, sapateiros, petroleiros, telefônicos, professores, papeleiros, trabalhadores da alimentação, entre outros manifestantes, juntamente com o MST, enfrentaram o frio, a chuva e vento para protestar contra o governo ilegítimo de Michel Temer.

Diretor do Sindicato e secretário de Comunicação da CUT estadual, Ademir Wiederkehr lembrou que o Ministério da Previdência, fundado em 1974, atende quase 25 milhões de aposentados e pensionistas, incluindo trabalhadores rurais. “O golpista Temer precisa devolver a Previdência Social ao seu status de ministério. Jogá-la no Ministério da Fazenda retira este setor de seus verdadeiros donos, que são os trabalhadores, e passa a ser tratada como despesa de caixa”, disse Ademir. Ele recordou ainda que o Congresso Nacional quer aprovar o PL 268, de 2016, que retira os trabalhadores da administração dos fundos de pensão das estatais. “Eles querem impedir que os trabalhadores possam vigiar a gestão do seu próprio dinheiro”, denunciou.

Tempo de ocupar as ruas

O sindicalista Devanir Camargo, diretor da Fenae e ex-diretor do SindBancários, reforçou a necessidade de fortalecer este Dia de Luta: “Este governo ilegítimo quer tirar dinheiro da Previdência, da Educação, da Saúde… É muito grave o que Temer está fazendo, jogando no lixo o voto de 54 milhões de brasileiros e brasileiras que votaram em Dilma Roussef”, destacou. “Vivemos um tempo de ocupar as ruas até a saída deste governo que não tem representatividade popular”, completou.

No caso da Previdência Social, não há uma justificativa real para a sua extinção como Ministério, que não seja o ataque aos direitos dos trabalhadores. Não existe déficit da Previdência Social, pois é preciso somar as contribuições dos empregados e dos empregadores com os recursos de orçamento previstos na Constituição Federal para a Seguridade Social. Ao extinguir o Ministério específico e submeter a Previdência ao Ministério da Fazenda, Temer atende aos interesses de seus apoiadores.

Um desmonte que já começou

Além de acabar com o Ministério da Previdência Social em nome do “ajuste fiscal”, o presidente interino está propondo idade mínima de 65 anos para aposentadoria de homens e mulheres, e desvinculação do aumento do salário mínimo do índice de reajuste dos aposentados. “O ataque ainda está por vir, mas o desmonte da Previdência já começou”, alertou o presidente da CUT-RS, Claudir Nespolo. Ele anunciou que este Dia de Luta também está ocorrendo em todo o interior do estado, com manifestações em frente às agências da Previdência, com o apoio do MST e Via Campesina. Claudir afirmou também que o governo ilegítimo do país já cortou 11 mil novas moradias do programa “Minha Casa Minha Vida”, administrado pela Caixa Federal.

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Esclarecer a população

O sindicalista Jairo Carneiro ressaltou que é muito importante esclarecer a população sobre o que está se passando com os direitos dos trabalhadores brasileiro a partir deste governo golpista. “Temos que conversar com as pessoas, pois muitos trabalhdores só entendem o desmonte quando atinge4 a si e aos seus familiares”, apontou. “O Ministério da Previdência tem 21% do orçamento do país e não podemos deixar que as conquistas se percam”. E questionou: “Onde estão os aposentados? E os dirigentes sindicais precisam ir para as ruas, as fábricas, escolas, bancos, conversar com os trabalhadores. Se nossos direitos não forem respeitados, o Brasil vai parar. Esta é a nossa força, a nossa potência!”. Ele disse também que hoje a juventude está dando “um banho de mobilização, lutando por uma escola melhor, mais condições de ensino e salário decente para os professores”.

Em frente ao prédio do INSS, um grupo de jovens do MST fez uma manifestação coletiva em defesa dos programas sociais, da reforma agrária, dos direitos dos trabalhadores, contra o machismo e contra o fim do Ministério da Previdência. Uma sindicalista foi ao microfone para reafirmar: “Queremos a Dilma de volta!”. E puxou um coro com todas as trabalhadoras presentes: “Nem recatada, e nem do lar/ a mulherada está na rua pra lutar!”.

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Esquina Democrática

A luta vai continuar com um grande ato público de protesto contra o governo ilegítimo de Michel Temer, contra o desmonte da Previdência Pública e a ameaçada aos direitos trabalhistas. Será às 17h desta sexta-feira, na Esquina Democrática. Quintino Severo, diretor da CUT nacional e membro do Conselho Nacional da Previdência Social, alertou: “Isto não pode sair barato para este governo. Não vamos permitir a privatização da previdência social do Brasil!”.

 

Fotos: Caco Argemi

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