Crise do coronavírus é agravada por medidas de Bolsonaro

Confira a importância de se manter isolado e em quarentena para ajudar na contenção da Covid-19 e reduzir os impactos econômicos e à saúde dos trabalhadores bancários

A cada dia que passa, a Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras entidades internacionais e locais atualizam incansavelmente os índices de populações atingidas pelo mortal coronavírus (Covid-19). Da China, onde o vírus teria surgido, até países europeus como Itália, Espanha, França, ou da África e das Américas, como os EUA e o Brasil, o número de vítimas fatais não para de crescer. O melhor remédio é preventivo: o confinamento doméstico – recomendado por praticamente todas as autoridades médicas oficiais. Mas o Brasil de Jair Bolsonaro segue uma cartilha própria.

No nosso país, o presidente desautoriza o seu ministro da Saúde e debocha das medidas de segurança, defendendo que a população siga a vida normalmente – para alegria dos grandes empresários e dos banqueiros. Eles sorriem, pois sabem que seus lucros não serão reduzidos – assim como eles, a salvo da pandemia em suas mansões e coberturas protegidas.

Felizmente, os trabalhadores de modo geral e os bancários em particular, representados pelos sindicatos, federações e Contraf-CUT, têm lutado sem descanso para que banqueiros e autoridades políticas adotem regras mínimas de segurança para empregados e  clientes.

Confira o que conseguimos com os bancos

Banco do Brasil – Atendendo ao Comando Nacional dos Bancários, o BB enviou comunicado na segunda-feira, 23/3, orientando os gestores de unidades a priorizar os serviços de abastecimento e funcionamento de todos os terminais das salas de autoatendimento.

O comunicado informa que o atendimento presencial deve ser prestado somente “em casos essenciais e de forma excepcional” para situações, por exemplo, de desbloqueio de senha, desbloqueio de cartão e os saques benefícios sociais sem cartão.

Itaú – O Itaú alterou, a partir da terça, 24/3, o horário de atendimento de suas agências por todo o Brasil, por conta da Covid-19. As agências agora têm atendimento prioritário das 9h às 10h ao público de risco listado pelo banco: aposentados, beneficiários do INSS, idosos e gestantes.

Das 10h às 14h, o atendimento será feito em contingência para público geral. As orientações são válidas até o final da pandemia. As medidas são positivas, mas têm problemas, como a ausência de lactantes no grupo de risco.

Santander – Por força da pressão dos bancários, o banco Santander emitiu nota comunicando que não iniciará nenhum processo de demissão em todo o território nacional durante o período mais crítico da epidemia de Covid-19. A nota do banco informa, ainda, que só haverá demissões “nos casos de justa causa ou de violação do Código de Ética da organização”.

Caixa – Desde a última segunda-feira, 22/3, o banco federal fechou as portas ao atendimento ao público, focando sua atenção nos serviços da sala de autoatendimento, com abastecimento de numerário e processamento de depósitos.

Mas as agências devem iniciar o expediente com uma hora de antecedência, para atender os clientes do grupo de risco, que precisem realizar os serviços essenciais necessários à sobrevivência da população, conforme decreto 10.282/2020.

O atendimento presencial no interior das agências será somente para saque de INSS/seguro desemprego/seguro defeso/abono salarial/FGTS para quem não possui cartão e senha, ou tenham que efetuar o desbloqueio de cartão e senha da conta.

Com isso, o banco atende reivindicação do Comando dos Bancários, liberando 70% do quadro das agências. Os 30% restantes vão trabalhar em regime de escala semanal.

BMB – O Mercantil do Brasil, que tem mais de 300 postos e agências no RS, anunciou a adoção, a partir desta quinta-feira, 26, de horário especial e reduzido para atendimento aos aposentados e pensionistas do INSS. A partir de agora, devido à pandemia do coronavírus, todas as agências do banco permanecerão abertas das 8h às 14h.

Comando: outras propostas

O Comando Nacional dos Bancários apresentou uma relação com 17 reivindicações à Federação Nacional dos Bancos (Fenaban). Entre as reivindicações, o movimento sindical pede para que os bancos mantenham apenas as atividades consideradas essenciais, pelo decreto 10.282/2020, que no setor financeiro são: “compensação bancária, redes de cartões de crédito e débito, caixas bancários eletrônicos e outros serviços não presenciais de instituições financeiras”.

Além disso, os bancários reivindicam que o atendimento dos casos de extrema necessidade (como os idosos que não tenham como usar outro meio e dependam do atendimento para sua sobrevivência), sejam realizados somente mediante agendamento prévio, para preservar os clientes e os trabalhadores.

O vírus Bolsonaro

A grande mobilização dos trabalhadores obrigou Jair Bolsonaro a revogar no início desta semana um artigo da MP 927 – que “simplesmente” autorizava a suspensão dos contratos de trabalho e dos salários por até quatro meses, em pleno início da pandemia.  Mas trabalhadores ainda podem perder até 25% dos salários e 50% da indenização em caso de demissão durante o chamado estado de calamidade pública

Medida insuficiente

A nova medida provisória (MP) 928/2020, porém, é insuficiente, pois as demais “maldades” da MP anterior, que retiravam direito dos trabalhadores, foram mantidas. Um dos pontos mais criticados é que trabalhadores em setores essenciais – como saúde e segurança – terão que comprovar “nexo causal”, no caso de serem contaminados pelo coronavírus, para que a infecção seja considerada doença ocupacional.

Ação do Parlamento

Em nota divulgada na noite de segunda-feira, 23/3, a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e as principais centrais sindicais do Brasil criticam medida do governo e pedem interlocução com o parlamento. “Congresso deve assumir protagonismo e barrar MP 927”.

“Chega a ser surreal pensar que um presidente da República possa agir de maneira tão discriminatória e antissocial, jogando nas costas dos trabalhadores mais fracos e mais pobres todo o ônus desta delicada crise que atravessamos”, afirmam os dirigentes sindicais em trecho da nota.

Os sindicalistas entendem que Bolsonaro edita uma medida “macabra”, que autoriza demissões e corte unilateral de salários, sem regular a proteção aos trabalhadores em serviços essenciais. “Pior que isso, retira a contaminação por coronavírus como acidente de trabalho, o que é particularmente cruel com estes trabalhadores e os trabalhadores da saúde, além de uma longa lista de maldades.”

Ao gosto dos empresários

As medidas contidas na MP 927 “só atenderam o setor empresarial e se baseiam unicamente na redução das prerrogativas dos trabalhadores”, diz o Dieese em nota técnica. O instituto cita a possibilidade de alterar regras como jornada, férias, turnos de revezamento e vigências de acordos e convenções coletivas, na medida em que a MP prevê negociações individuais, enfraquecendo o trabalhador.

A ameaça da recessão

O temor de uma recessão preocupa os 77 professores do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) que assinaram em conjunto uma carta aberta em que pedem que o governo de Jair Bolsonaro reveja as medidas de combate à crise econômica provocada pela pandemia do Covid 19.

Na carta, os docentes dizem que a crise econômica já era preocupante antes da pandemia se instalar, e que a resposta do governo brasileiro para enfrentar a situação, divulgada no último dia 16 deste mês, gera ainda maior preocupação ao não propor novos investimentos, apenas a antecipação de recursos ou diferimento de pagamentos.

Reformas não resolveram nada

O corpo de economistas da UFRJ lembra que a Emenda Constitucional nº 95, de 2016, do “Teto dos gastos” e as reformas Trabalhista e da Previdência, não foram capazes de proporcionar a alardeada “retomada do crescimento econômico”. Ao contrário: em muitos casos, ampliaram as vulnerabilidades para enfrentar os desafios atuais dos setores da saúde e economia, provocadas pela Covid-19.

Gripezinha e histeria

Além das medidas econômicas de Bolsonaro e seu ministro Paulo Guedes serem ineficientes e cruéis com a maioria da população, chama a atenção da população o sarcasmo do presidente. Ele cria condições que facilitam a contaminação, ao classificar a epidemia de “gripezinha” e os cuidados fundamentais que se deve tomar frente a ela de “histeria”.

Além disso, busca agradar a uma parte desinformada da sua base eleitoreira, ao isentar as igrejas de cumprirem quarentena e seguirem suas celebrações com muita gente, expondo os fiéis a um grande risco de contaminação.

Bancário(a), denuncie

Como fazer sua denúncia

O SindBancários tem um canal exclusivo de denúncias para os bancários. Ele está aberto para que possamos cobrar medidas dos bancos. Lembre-se que o Sindicato não pode tomar medidas administrativas, mas pode cobrar, dar visibilidade e apontar saídas.

Digite o endereço reduzido Bit.ly/bancariodenuncie no seu navegador de preferência ou clique aqui. A denúncia é anônima.

Texto: José Antônio Silva/Imprensa SindBancários

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