Covid-19: STF se prepara para julgar ações de governadores por vacinas

Maranhão e SP demandam o Supremo para liberar compra e fabricação de imunizantes. O RS negocia vacina diretamente com Instituto Butantã

O Supremo Tribunal Federal (STF) vai ser palco de ações de autoria de governadores buscando acesso a vacinas diante de críticas ao comportamento do governo federal. O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), disse ter ingressado anteontem com um processo em que busca a liberação da aquisição de imunizantes aprovados por agências de fora do país. O governador de São Paulo, João Doria (PSDB), também pode demandar a corte para ver liberada a Coronavac. As informações foram divulgadas pelo jornal O Estado de S.Paulo.

Dino afirmou em redes sociais que o objetivo do pedido é dar autonomia aos Estados para garantir diretamente a imunização, “se governo federal não quiser”. Ele cita como justificativa a lei federal 13.979, deste ano, que prevê “autorização excepcional e temporária” de medicamentos e materiais essenciais para o combate à pandemia. A mesma lei pode ser usada na argumentação que prepara o governador João Doria.

Autonomia de governadores

Segundo apurou o Estadão, o governador paulista pretende esgotar outros recursos antes de ir ao STF. Uma vez no Supremo, o governador deve se basear na Lei 13.979. Conforme interpretação do próprio órgão, proferida em abril deste ano, governadores e prefeitos possuem autonomia para impor planos para a contenção da pandemia.

Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, o governador Eduardo Leite deu início a um processo de negociação diretamente com o Instituto Butantan, e encaminhou expediente manifestando interesse na aquisição de vacinas para os profissionais de saúde do RS. Embora ainda não haja uma data definida para a chegada das primeiras doses de uma vacina contra a Covid-19, a Secretaria da Saúde está preparando um plano de vacinação que prevê o fluxo desde o laboratório produtor até a sala de vacinas. A imunização, inicialmente, será destinada a populações prioritárias definidas pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI).

Apresentação de resultados

A aplicação da vacina depende da apresentação dos resultados de eficácia, o que ainda não ocorreu. Em seguida, o produto deve ser registrado na Anvisa. O Butantan promete divulgar os dados de eficácia até 15 de dezembro e entrar de imediato com pedido de registro.

Aviso da Anvisa

Para definir os prazos de uma eventual liberação, o governo paulista se baseia em declaração do gerente-geral de medicamentos da Anvisa, Gustavo Mendes. Em julho, Mendes afirmou que a Anvisa tinha condições de liberar um registro de medicamento em “até 30 dias”. Em agosto, o gerente geral mudou o prazo para “60 dias ou menos”.

Como  pano de fundo da aprovação da vacina, existe já a forte disputa política para a campanha presidencial de 2022.

Fonte: Agência Estado, Correio do Povo, Informativo do Vale, com Edição de Imprensa SindBancários.

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