Coutinho explica o que pensa fazer com Banrisul Cartões

Presidente do Banrisul volta a Assembleia Legislativa na tarde desta quarta-feira, 18/8, pouco mais de dois anos depois de ser sabatinado como novo presidente do banco público, para explicar fato-relevante

A primeira sabatina o presidente do Banrisul, Claudio Coutinho Mendes, certamente nunca esqueceu. Em 24 de abril de 2019, ele foi submetido a uma bateria de perguntas de deputados estaduais que exaustivamente o interpelaram sobre suas intenções a respeito do Banrisul público. Dois anos e 86 dias, uma pandemia, o JP Morgan e a Banricard depois, o empresário do setor financeiro então sócio da Tiba, empresa especialista em fatiar e vender ativos públicos, volta à Assembleia Legislativa como presidente da maior empresa pública do Estado para se explicar.

Mas, se há pouco mais de dois anos a conversa foi uma sabatina para saber sobre a viabilidade de seu nome para assumir o Banrisul como presidente indicado do governador Eduardo Leite (PSDB), a assunto agora é outro. Coutinho já tem história no Banrisul. E uma delas ele vai precisar explicar a partir das 15h, com transmissão ao vivo nas redes sociais do facebook e do youtube do Sindicato.

Coutinho agora volta ao parlamento gaúcho não mais para ter seu perfil prescrutado, mas para explicar pontualmente um fato-relevante, emitido em 14 de julho, que deixou dúvidas até no presidente da ALERGS, Gabriel Souza (MDB). Souza, nunca é demais relembrar, presidiu as duas votações conturbadas que culminaram com a aprovação em dois turnos da PEC 280/2019 e com o fim do plebiscito para a venda do Banrisul, Procergs e Corsan.

Dirigentes do SindBancários estarão a partir das 11h da manhã desta quarta-feira, 18/8, na Praça da Alfândega e nas proximidades da Direção geral (DG) no Centro de Porto Alegre. “Vamos distribuir material da campanha em defesa do Banrisul. Queremos conversar com deputados e encontrar o presidente do Banrisul para entregar algum material de campanha, uma camiseta de defesa do Banrisul público e reivindicando concurso público já”, contou o presidente do SidnBancários, Luciano Fetzner.

Na nota divulgada pela Assembleia Legislativa, o atual presidente do parlamento fala em fiscalização e destaca lacunas do fato-relevante que concorrem mais para esconder do que para esclarecer a intenção da atual diretoria (e do governador Eduardo Leite) com a Banrisul Cartões.

Afinal, o JP Morgan já vendeu, vai vender ou está apenas prospectando negócios para capitalizar, criar empresa, enfim, entregar a Banrisul Cartões? Por via das dúvidas, Gabriel Souza cravou: “A Assembleia é a Casa que fiscaliza o governo, então é natural que uma operação desse tipo tenha de ser esclarecida diante dos parlamentares que representam a sociedade”, reforçou o presidente na nota divulgada pela Assembleia Legislativa, na sexta-feira, 13/8 (Leia aqui)

A mesma nota sinaliza para o tom em que a nova sabatina pode desaguar. Isso porque ela vai ao ponto. Afinal, os mais de 10 mil Banriuslenses, quem sabe os 4,5 milhões de correntistas e até as pedras do asfalto da frente  da DG do Banrisul, no Centro de Porto Alegre  querem saber o que significa “operação estratégica”, que “poderá envolver a alienação de ações de emissão da Banrisul Cartões, inclusive representativas do seu controle acionário”.

Na ausência de um esclarecimento, o movimento sindical tem alinhado questões. Coutinho tem trabalhado e muito para fazer o que governadores neoliberais, como Eduardo Leite e Yeda Crusius, ambos tucanos da cartilha de austeridade, gostam de fazer com empresas públicas. Atacar a imagem, com demissões em massa, para impor uma visão aos clientes de que o banco é ineficiente e, por isso, precisa ser vendido para melhorar. Então, as metas sobrem, a pressão fica insuportável e nem mesmo a pandemia alivia o peso da imposição de pensar em fazer negócios em ambiente de crise.

Sob a presidência de Coutinho, o Banrisul já demitiu mais de 1 mil em um PDV no ano passado. Agências foram fechadas. E, como disse em abril de 2019, essas questões, não estavam “no horizonte” do presidente. Concurso imediato para repor vagas e perdidas e aliviar a sobrecarga de trabalho, não se enxerga nem com uma luneta poderosa. O horizonte fica muito longe de novas contratações por concurso.

Agora, já está em vias de começar o processo de vender o Centro de Treinamento Serraria, uma área de lazer na Zona Sul de Porto Alegre para o descanso dos Banrisulenses. Yeda Crusius tentou e quase conseguiu em 2010.

Mesmo que diga que não quer vender, que não está “no horizonte” vender o Banrisul, Coutinho carrega consigo o peso das mentiras de Leite. São sócios no que fizeram até aqui com o Banrisul. Leite chegou a entregar o sistema de bandeiras para aprovar a PEC 280/2019, na votação do primeiro turno em abril, e no Parlamento gaúcho. Uma votação confusa com três votos suspeitíssimo e ofertas até de dar kit asfaltos para deputados.

O Banrisul está a 28 votos de ter sua venda autorizada, de novo, pelo parlamento gaúcho, após nova aprovação da PEC 280, em segundo turno em 1º de junho. Basta aprovar um Projeto de Lei do Executivo.

Não estamos dizendo aqui que Coutinho mentiu. Quem fez isso foi o governador Eduardo Leite. Os Banrisulneses sabem que o “dono” do Banrisul é o governador do estado. Mas os Banrisulenses e os gaúchos costumam marcar na memória aqueles que, de alguma forma ou de outra, entregam aquilo que é público sem conversar com ele. E Coutinho será o presidente desse período. Não precisamos dizer mais nada.

Coutinho tem muito a dizer sobre a Banrisul Cartões na tarde desta quarta, 18/8. Muito mais do que disse há dois anos e 86 dias. Dessa vez, até o não dito será revelador.

Fonte: Imprensa SindBancários

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