Corte de despesas pelo Itaú leva a racionamento de lanches, café, papel higiênico e até a água das agências

Um comunicado interno expõe as novas diretrizes para a redução de gastos do Itaú. Neste mês, os cortes passaram a atingir aqueles materiais que são fundamentais para manter uma agência funcionando e limpa. O Itaú está forçando os gestores de agências a passar a tesoura no café, no material de limpeza, em eventos internos, em flores e até na água. O Itaú chama esses cortes de “Base de verbas para nossos principais custos”. Eles podem inventar o nome que quiserem, mas isso se chama corte. Até o papel higiênico das agências será racionado.

Isso mesmo. Até a água o Itaú mandou segurar. Basta fazer um pequeno cálculo para saber que essas diretrizes são uma piada. Imagine-se uma agência do Itaú em que seis colegas trabalham. No caso da água mineral, o custo mensal por trabalhador é de R$ 6.  A água para os seis colegas teria um teto de custo de R$ 36 ao mês. Se fôssemos converter em garrafas de meio litro de água, cada funcionário dessa agência que imaginamos, teria direito a três garrafinhas, admitindo um custo de R$ 2,00 por garrafa, por mês. Ou seja, cada colega poderá beber um litro e meio de água a cada 30 dias.

E se formos calcular para esta mesma agência imaginária de seis colegas quantas bombonas de 20 litros seria possível comprar com R$ 36. A um preço médio de R$ 12, seria possível comprar 60 litros de água. Cada funcionário, então, passaria a ter direito a 10 litros de água por mês. É muita água? Claro que não. Um funcionário pode beber em média de um até dois litros de água. Nesse caso, a água duraria de cinco a dez dias. E, claro, não sobraria uma gota de água para os clientes.

Antes de dizermos que o Itaú quer matar de sede os colegas bancários de suas agências com essa tesourada, digamos, estúpida, passemos ao cafezinho. Para lanches e cafés, o banco estabelece o gasto de R$ 18 por funcionário. É muito triste dizer isso, mas vamos lá.  Essa mesma agência de seis funcionários teria direito a R$ 108 por mês para lanchar e tomar café. Um salgado que custe R$ 4 e um café de R$ 2 consumiriam o valor destinado a cada funcionário em três dias. É triste dizer isso, mas o Itaú parece querer matar de fome os trabalhadores do banco.

O diretor do SindBancários e funcionário do Itaú, Antônio Augusto Borges de Borges, diz que essa medida de cortes é absurda. “O banco deveria estar preocupado em melhorar as condições de trabalhos dos funcionários para que possa ter maior eficiência. Ao invés de investir, corta insumos que mantêm uma agência em funcionamento”, diz, estarrecido, o diretor Antônio Augusto.

Outro diretor que ficou indignado com essa diretriz de corte foi Sandro Rodrigues, também funcionário do Itaú. “O banco demite, terceiriza, pressiona, fecha agências prejudicando os funcionários e clientes. Agora quer deixar funcionários e clientes na seca. Essa é a lógica do mais com menos sempre. E dá-lhe propaganda enganosa na população sobre as vantagens de ter conta no Itaú. Acredite quem quiser”, avaliou Sandro.

O presidente do SindBancários, Everton Gimenis, alertou para o fato de que um banco com o tamanho do Itaú, o maior banco privado do país, está se apequenando ao cortar insumos básicos para a manutenção de suas agências. “Não cansamos de repetir para os bancários que esses cortes absurdos fazem parte desse golpe que o governo interino está dando nos direitos dos trabalhadores. Nós sempre vamos defender a democracia, porque ele dá condições para avançar em direitos e não para retirar café e água de funcionários e clientes”, indignou-se Gimenis.

O diretor de Saúde do SindBancários e funcionário do Itaú, Eduardo Munhoz, confirmou a diretriz de cortes em insumos das agências ao fazer contato com a Superintendência  Regional do Itaú. A lista de cortes é essa, apenas com alguns reparos feitos pelo banco. “O banco informou que precisa fazer esses ajustes e que não é necessário o gestor da agência cortar a água. Pode fazer uma compensação. A orientação é de cortar mais em eventos para manter o abastecimento de água”, explicou o diretor.

O Sindicato vai agir. Vamos mapear as agências e buscar medidas que alterem essa situação. Estamos falando  de condições de trabalho e isso é discutido em nossa Campanha Salarial com os banqueiros.

 

Veja quais itens e como ficam os cortes que o banco chama de “Base de verbas para nossos principais custos”

Material de limpeza: R$ 10 por trabalhador/mês.

Água mineral: R$ 6,00 por trabalhador/mês – O equivalente a três garrafas de água de 500 ml por mês (um litro e meio de água por trabalhador). Uma bombona de água de 20 litros duraria em média de 5 a 10 dias.

Lanches e café: R$ 18,00 por trabalhador/mês. Se o trabalhador lanchar um salgado e um café por dia, ele consegue comer por três dias do mês.

Eventos internos: R$ 12,00 por trabalhador/mês.

Flores/floricultura: Mediante autorização superior.

Fonte: Imprensa SindBancários

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