Correspondente & Bancário no Festival de Cinema de Gramado

Dia 1 – Sexta-feira, 07/08/2015

“Que Horas Ela Volta?” foi exibido como previsto, só que em sessão especial fora de concurso. Regina Casé é carismática e divertida, alternando contenção e histrionismo na medida certa, em confluência com o tom geral da história, dirigida com a mão leve mas segura de Ana Muylaert. Numa história onde as personagens femininas são bem construídas e os masculinos são meros rascunhos, as relações interpessoais são reguladas mas não determinadas pela classe social dos envolvidos.

Em cenas já antológicas para a história deste Festival, Regina Casé cria um aceno afetivo ao Brasil emergente já no início do filme, com a elipse inicial, onde se passam dez anos, a cena do plástico bolha e a cena da piscina. Emfim, Ana dá uma dica a políticos e economistas pelo país afora, mostrando que, para quebrar o circulo vicioso da relações entre os indivíduos, basta um gesto de generosidade como o da conclusão do filme.

Depois do intervalo, foi exibido o longa mexicano “En La Estancia”, de Carlos Armella. Trata-se de um documentário que se torna ficção. Em suas três partes, Espaço, Tempo e Na Estância, o filme vai lentamente se modificando, inicialmente confundindo e até incomodando o espectador, mas estabelecendo claramente a ligação entre o cineasta do documentário dentro do filme e a dupla de seu interesse, pai e filho ermitões num fim-de-mundo mexicano.

Passam-se os anos e o cineasta não consegue cumprir a promessa de concluir o filme. Ele volta à estância a fim de pedir perdão mas o que acontece é o contrário do filme de Muylaert: a repetição do círculo vicioso na relações entre as pessoas as leva a um destino horrível e inexorável porque não há generosidade possível para os personagens.

Por enquanto, é isso. Até amanhã.

Paulo Casa Nova
Critico de Cinema
Empregado da Caixa Econômica Federal

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