Correspondente & Bancário no Festival de Cinema de Gramado VI

“Ochentaisiete” é um drama equatoriano sobre adolescentes que se reencontram quinze anos depois de um acidente automobilístico definidor de suas vidas. Os amigos Pablo e Andrés entrevêem os adolescentes que eram por detrás de suas fachadas adultas, para reconstituir suas vidas durante o ano de 1987. O filme intercala passado e presente, 1987 e 2002, adolescentes e adultos, política e alienação, hormônios explodindo e enfado sexual. Mas o que poderia ser uma avalanche de clichês – esta definição um clichê em sua própria força – é contida e direcionada com mãos leves porém seguras dos dois diretores, Daniel Andrade e Anahí Hoeneisen.

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart, lida com a adolescência com mais vigor mas com mais desencontro, o que serve ao fins estéticos do filme. Com um vigoroso mas extenuante primeiro ato, o diretor estabelece os dilemas clássicos da adolescência de Ênio, filho de um radialista machão e de uma dona de casa submissa. Sandro Aliprandini, o ator estreante que interpreta Ênio, projeta sua introspecção pelo filme inteiro, contaminando-o de melancolia, já reforçada pela impecável fotografia. Após o primeiro ato, as atribulações do segundo ato lembram-me o filme de Martin Scorsese “Depois de Horas” sem a pegada cômica, o que agonia e desnorteia o espectador com as voltas e contravoltas no enredo, da mesma forma que o seu protagonista-aprendiz. Aprendiz porquê é um filme de formação de um adulto, o que aparece no diálogo entre pai e filho no curto terceiro ato, dando um tom acridoce às reflexões da plateia durante os créditos finais.

Até Amanhã.

“Ochentaisiete” é um drama equatoriano sobre adolescentes que se reencontram quinze anos depois de um acidente automobilístico definidor de suas vidas. Os amigos Pablo e Andrés entrevêem os adolescentes que eram por detrás de suas fachadas adultas, para reconstituir suas vidas durante o ano de 1987. O filme intercala passado e presente, 1987 e 2002, adolescentes e adultos, política e alienação, hormônios explodindo e enfado sexual. Mas o que poderia ser uma avalanche de clichês – esta definição um clichê em sua própria força – é contida e direcionada com mãos leves porém seguras dos dois diretores, Daniel Andrade e Anahí Hoeneisen.

“Ponto Zero”, de José Pedro Goulart, lida com a adolescência com mais vigor mas com mais desencontro, o que serve ao fins estéticos do filme. Com um vigoroso mas extenuante primeiro ato, o diretor estabelece os dilemas clássicos da adolescência de Ênio, filho de um radialista machão e de uma dona de casa submissa. Sandro Aliprandini, o ator estreante que interpreta Ênio, projeta sua introspecção pelo filme inteiro, contaminando-o de melancolia, já reforçada pela impecável fotografia. Após o primeiro ato, as atribulações do segundo ato lembram-me o filme de Martin Scorsese “Depois de Horas” sem a pegada cômica, o que agonia e desnorteia o espectador com as voltas e contravoltas no enredo, da mesma forma que o seu protagonista-aprendiz. Aprendiz porquê é um filme de formação de um adulto, o que aparece no diálogo entre pai e filho no curto terceiro ato, dando um tom acridoce às reflexões da plateia durante os créditos finais.

Até Amanhã.

Paulo Casa Nova
Crítico de Cinema
Empregado da Caixa Econômica Federal

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