Corresponde & Bancário no Festival de Cinema de Gramado II

O sábado, 08 de agosto, foi fraco em termos cinematográficos. “Zanahoria”, filme de suspense político uruguaio, optou pelo excessivo realismo e detalhismo da investigação jornalística sobre possíveis novos segredos da ditadura militar. O estranhamento resultante se transformou em distanciamento emocional da plateia e logo tornou-se alienação e cansaço. Uma boa premissa mal realizada.

O filme brasileiro, ” Introdução à Música do Sangue”, é baseado em novela do escritor mineiro Lúcio Cardoso prometida para ser vertida ao cinema pelo cineasta Luis Carlos Lacerda. Os temas de Cardoso estão representados no filme: o sentido de deslocamento dos personagens em relação à sua própria situação, a transcendência dos que apenas têm como horizonte de vida a mera sobrevivência, os arquétipos místicos. Acontece que a história é passadista, ela representa um Brasil dos grotões, e eu não sei até que ponto ela representa o Brasil de 2015. De certo modo, e guardando as proporções com o filme uruguaio, este filme também trabalha com a sensação de estranhamento e distanciamento da plateia mas que igualmente resulta em sua alienação.

No Domingo dos Pais, 09 de agosto, foi exibido “O Fim e Os Meios”, de Murilo Salles, um suspense político que estuda como a corrupção se insinua na vida de casal de idealistas ao longo de três anos. Todas as forças da natureza vão desviando os personagens de suas rotas pré-determinadas, de forma angustiante, sufocante mesmo. Sexo, Poder, Fama e Dinheiro competem com o Clima, a Vastidão, as Raças para provar porquê a corrupção é endêmica no Brasil como se fosse a Dengue.

Paulo Casa Nova
Crítico de Cinema
Empregado da Caixa Econômica Federal

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