Coronavírus: mortes desmoralizam postura de Bolsonaro

Já são 5,8 mil casos confirmados de COVID-19 no Brasil, com 202 mortes, e muitos recuos e avanços dos governos federal e do RS sobre medidas de contenção

Assim como o planeta inteiro é obrigado a suspender a produção acelerada de bens e capital, esvaziando escritórios, agências bancárias,  fábricas, estádios, academias, escolas, universidades e outros locais de trabalho, estudo, lazer e atividades coletivas, em função do avanço da pandemia da Covid-19, a maioria das pessoas é bombardeada por informações que não consegue compreender ou processar direito. Neste aspecto, a “culpa” não é apenas de autoridades médicas, políticas, de administradores ou da imprensa – mas do avanço da peste a uma velocidade e mortalidade avassaladoras.

A pandemia de coronavírus já é considerada pela ONU o maior desafio da humanidade desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), tanto pela ameaça às vidas quanto pelas consequências à economia. Os sinais já são muito visíveis também no Brasil. O Índice Bovespa, da Bolsa de Valores de SP, despencou 30% em março, considerado o pior resultado em mais de 20 anos.

Nesta quarta-feira, 1º/04,  até o início da tarde, o mundo já contabilizava cerca de 873 mil pessoas contaminadas pelo coronavírus. Além delas, foram registradas, até cerca do meio-dia (hora do Brasil) 43 mil  mortos. São consideradas curadas da pandemia 184 mil pessoas em todo o planeta. E os números estão em constante modificação.

Governador vacilou

No RS, assim como foi feito em outros estados brasileiros, o governador Eduardo Leite, após vacilar em função da pressão de associações empresariais, determinou que a partir desta quarta-feira (1º/04) o comércio e os serviços em geral cerrem as portas. Permanecem mantidos em aberto setores considerados essenciais, que envolvem alimentação, abastecimento, energia, telecomunicação, saneamento, telecomunicações, saneamento básico e cuidados médicos, além de indústria e construção civil.

“Demorou para o governador se dar conta, mas mesmo atrasada, a medida é um avanço”, diz o presidente do SindBancários. “Anteriormente, o governador havia cedido à pressão de entidades patronais e à irracionalidade total do Bolsonaro, que mandou carreatas tomarem as ruas das cidades, exigindo a abertura do comércio. Só que aqui estamos lidando com a saúde das pessoas. É preciso restringir a circulação e a aglomeração. Além disso, as políticas com mais amplo alcance são aquelas que mais se mostraram efetivas em outros países. Não se pode isolar uma prefeitura, uma comunidade e dizer que ela que se vire com a Covid-19. Esta é a hora de tomar decisão e ter coragem”, ressaltou Everton Gimenis.

Em São Paulo, até o início desta tarde, já tinham sido registrados 201 óbitos, quase certamente causados pela doença.

RS tem mais de 300 infectados

A realidade comprova a observação do presidente do SindBancários. Até o início da manhã  da quarta-feira, o coronavírus havia chegado a mais de 10% dos municípios gaúchos Já são pelo menos 305 infectados em 51 cidades do Rio Grande do Sul.

Os especialistas são cuidadosos ao classificarem a atual ameaça global do coronavírus. Mesmo que a prevenção, o trabalho não coletivo e o isolamento social sejam as melhores providências neste momento, é importante saber a dimensão da peste que hoje nos atinge.

Os tipos de contaminação coletiva

Para efeitos de divulgação, são considerados quatro tipos de contaminação coletiva. Um surto acontece quando um número significativo de pessoas são contaminadas repentinamente em uma região (bairro ou cidade) específica. Um exemplo foi a Febre Amarela, que causou grande número de vítimas em Minas Gerais em 2017.

A endemia é utilizada para nomear alguma doença que acontece com muita frequência em um mesmo local. Como a Malária, em algumas regiões da Amazônia.

Já a chamada epidemia é caracterizada quando acontece em vários lugares (cidades ou estados) de um mesmo país, ao mesmo tempo. Como no Paraná, que no início deste ano registrou quase 50 mil casos de Dengue.

E o caso atual – novo coronavírus – é uma pandemia. Ou seja, é uma doença que se espalha por diversas regiões do planeta. Portanto, em uma escala de gravidade é o problema mais delicado.  

O nome certo

Também é importante saber do que se fala quando temos que tomar medidas de controle contra a nova peste que hoje assola o mundo. Há notícias e entrevistas com médicos, autoridades e especialistas que falam em Covid-19, em coronavírus, novo coronavírus ou mesmo em Sars-Cov-2.

Há outros coronavírus, descobertos na década de 30 do século passado, em aves domésticas – mas a maioria deles não provoca doença em humanos.

Na verdade, o atual e “novo coronavírus” tem como designação a sigla Sars-Cov-2. Este vírus causa a doença chamada de Covid-19 (doença que surgiu em  Wuhan, na China, no final de 2019 e se espalhou por todo o mundo). A palavra “novo” (assim como o número 2) vem por conta dos coronavírus identificados anteriormente, em 1930.

Mas, seja como for definido pelos médicos e especialistas, o fato é que a Covid-19 continua em plena devastação em grande parte do nosso planeta.

Bolsonaro

Por último, mas talvez não menos importante, o presidente Jair Bolsonaro disse que anunciaria novas medidas contra o avanço do coronavírus no Brasil. Mas será que ele pedirá perdão ao povo brasileiro por ter divulgado várias vezes – por palavras e exemplos práticos – que não acredita na gravidade do quadro da pandemia?  E como irá reparar os casos de pessoas contaminadas por acreditarem em suas palavras? Pelo som das panelas durante seu pronunciamento na noite da terça-feira, 31/1, Bolsonaro terá que mudar muito para ajudar a conter a pandemia. O que ele  ainda não fez como deveria.

Texto: José Antônio Silva

Ilustração: Bier

 

 

 

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